quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O SANGUE DE YMIR



O Sangue de Ymir



Por Grimmwotan


Na tradição nórdica é citado que após Odin/Wotan, Vili/Hoenir e Ve/Lodur entrarem em confronto com Ymir – o Gigante Primordial – e o matarem, o oceano de sangue gerado no processo acabou por afogar quase todos os Jötnars, com exceção de Belgermir e sua esposa – com pode ser visto no Vafþrúðnismál.

No entanto também encontramos referências diferentes, ligadas a supostamente outro Jotnar, que nos fazem caminhar para outros detalhes interessantes dentro da tradição germânica e nórdica, quando observarmos o nome “...Fornjötr...” – Gigante Antigo ou o Primeiro – e notarmos que ele gerou Kari  o Vento ou o Lobo do Inverno, Lögi  o Fogo e Aegir ou Hler – O Oceano.

Precisamente Hler ou Aegir, chamado de Gigante das Águas e esposa de
Ran – cujo nome significa Oceano ou “...A Ladra...” – nos mostra algumas facetas deixadas de lado, dentro dos estudos ligados ao tradicionalismo germânico e nórdico.

Notemos todos que para Ymir/Fornjötr ser gerado os dois reinos anteriores a Yggdrasil – Möudspelheim e Nifhelheim – tocaram-se e geraram Ymir e Audhumla ( de onde vertia a alimentação de Ymir), sendo que no descrição onde incorre o nome Ymir, o mesmo é hermafrodita e gerou de si uma legião de Jotun e na descrição onde ocorre o termo Fornjötr, o mesmo tem os e citados filhos – e a quarta que acabou por ser desposada por seu irmão Hler, Ran – e é também citado como  Rei de Kænland, Gotland e Finlândia.

Ocorre que os Rios Envenenados de Elivagar, que são gerados a partir do Hvelgermir no centro geométrico de Nifhelheim, contém incontáveis Serpentes ou Wärms – cuja aparência e feitos podem ser vistos por exemplo na Saga dos Nibelungos, e na descrição de Niddhog  e de Jörmungandr, embora que esta última seja filha de Loki e Angrboda – tem sua natureza venenosa devida a própria presença dos Wärms que fluem nos mesmos, ou que o próprio veneno ali presente seja própria de suas águas.

E Möudspelheim é o fogo auto existente e perpétuo além de qualquer menção de temperatura, nomenclatura ou medição.

Quando ambos se chocam, a ausência total de limites de ambos os mundos cessa de existir no infinitesimal momento de contato entre um e outro, gerando o ponto de origem que forçosamente virá a formar os demais 7 mundos de Yggdrasil.

É citado no Voluspa que após a destruição de Ymir e geração de Yggdrasil, no local exato onde ocorreu o contato entre os dois extremos anteriores ao universo, surgiu a Mimisbrunnr, a qual era uma fonte ou gêiser, de onde vertia um líquido que conferia ao que dele consumia sabedoria imensurável, sendo que a árvore que brotou às suas margens, uma árvore de ouro, gerava frutos que curavam todas as doenças e cuja seiva alimentava e fortalecia aqueles que dela se alimentassem, sendo invulnerável a fogo, metal e gelo.

Analisando o fato de que o que veio a gerar Ymir/Fornjötr foi exatamente a mesmíssima coisa que gerou a Mimisbrunnr, e que o sangue de Ymir que veio a afogar os Jötnars contém as mesmas propriedades do restante do corpo de Ymir – o qual fazia brotar de seu corpo seres constantemente, segundo a tradição germânica e nórdica – e que estes sangue gerou o Mar, ou seja, este sangue gerou Hler – por análise decorrente – podemos concluir que Aeger e Ran são substratos da fusão do Eldin Möudspelheim – Fogo de Möuspelheim - e do Eitr Vatn Elivagar – Água Venenosa de Elivagar – e em si mesmos contém a essência do que é produzido em qualquer um que “...possa...” beber do Mimisbrunnr.

Uma vez que o Reino de Hler não é sempre citado, podemos citá-lo simplesmente como Marrheim, para nos referirmos ao mesmo adequadamente e não criarmos confusões e podermos seguir adiante, abordando alguns detalhes interessantes sobre as filhas de Ran e Hler:

Himinglæva – Aquela quer permite que se veja o Céu.
Dufa – Aquela que é do Campo
Blóðughadda – Cabelo de Sangue.
Hefring (ou Hevring) – A quê se ergue.
UDR (ou Unn) – Onda de Espuma
Hrönn – Onda Benevolente.
Bylgja - Vagalhão.
Dröfn – Mancha de Espuma ou Mancha de Combate
Kolga – Onda Plácida.

Elas são citadas – com algumas variações onde ocorre inclusive a presença de Jarnsaxa como uma das mães, em meio a outros nomes – como as Nove Mães que deram a luz Heimdallr.

Heimdallr por sua vez é citado no Rigsthulla, como aquele que vem a Midgard após Odin, Villi e Vë terem gerado a humanidade através de duas árvores caídas, criando o primeiro casal humano Ask e Embla, para aperfeiçoá-la  gerando primeiro a casta dos Þrals, depois a dos Carls e por fim a dos Jharls – em ordem a dos servos, a dos comerciantes e por fim a dos Nobres.

Somente para o escolhido descendente de Jharl, Heimdallr que naquele texto aparece com o nome de Rigr – daí o nome Sabedoria de Rigr ou RigsÞula – confere o conhecimento sobre as Runas e a tradição, conferindo desta forma o título de Rei, ou seja Rigr, ao mesmo.

Agora, levando-se em conta a Balada dos Nibelungos e a Saga dos Volsungos, podemos observar que o chamado Ouro do Rio Reno, ou seja o ouro do Rin, ou simplesmente Tesouro do Rin, o qual era vigiado por 3 filhas de Aegir/Hler, e que foi roubado e usado para gerar o conhecido Anel dos Nibelungos, lidava com muito mais do que os textos sobreviventes puderam nos trazer até o presente momento, como a etimologia pode nos mostrar.

Notemos que termo baugr - ring, círculo ou anel – é adjunto em old norse ao termo hringr - círculo ou roda – e isto torna a ambos muito próximos e sinônimos em verdade de uma palavra que é muito difícil de ser corretamente traduzida do “...old norse...”, mas que significa igualmente “...círculo ou roda...”, ou seja o termo “...hvel...” – em inglês whell - que dá igualmente vínculos com a concepção de “...fonte ou nascente ou gêiser...”.
Associado a isso termos o termo em Old Norse “...galdr...”, que é uma palavra a qual deriva de um termo para encantamento ou canto, ou seja o termo “...gala...” - Antigo Alto Alemão e Inglês Antigo: galan - com um sufixo indo-europeu, sendo que no antigo alto alemão, liga-se ao sufixo “...stro...”, acabando por gerar  “...Galster...”.

A decorrência da linguística acaba gerando o termo “...gealdor...”, que no Inglês Antigo vem a ser o termo “...Galdor...” e bem como “...äldre...”, o qual defini "...feitiço, encantamento, bruxaria...", guardando vínculos imediatos com o verbo “...galan...”, significando portanto "...cantar...”.

Relacionadas, portanto com termo “...giellan...”, o verbo ancestral para o termo moderno em inglês para gritar, e também com o “...gala að...” islandês, que é o verbo "...cantar, gritar...", o qual é o termo “...Gillen...”, da língua holandesa.

Em antigo alemão termo “...galstar...”, e no alto alemão “...Galster...” , o qual significa “...canção e encantamento...” – como citado em Konrad von Ammenhausen Schachzabelbuch 167b - sobrevivendo em alemão moderno no termo “...Galsterei, o qual significa feitiçaria, assim como em Galsterweib, que significa bruxa...”.

O que nos leva diretamente ao termo “...Germir...” – fervente ou reverberante – e isso por si só contém a real natureza tanto do Sangue de Ymir, e do subsequente Marrheim, quanto do Oddhoerir de Mimisbrunnr, demonstrando em essência o que significa o Hvelgermir verdadeiramente, e bem como qual o vínculo com o uso do Anel, e porque as Filhas de Aegir e Ran vigiavam o Tesouro a mando de seu Pai.

Adjunto a tudo isso, notemos que os Marinheiros que morriam no mar nunca iam para Völholl ou Folkvangar, ou quaisquer dos demais Reinos de Aesgard. A esses era reservado a Reino de Ran e de Hler – sendo daí a explicação do nome de Ran como “...ladra...”.

Ran e Hler guardam os segredos que levam ao estado anterior a formação de Yggdrasil, e em verdade são a essência desses segredos em si mesmos.

Desta forma foi somente por isso que Heimdallr pôde aperfeiçoar a humanidade, e é disso que decorre o mesmo ser citado como tendo todos os sentidos aperfeiçoados além de qualquer menção, aliás como Siegfried quando se banhou no sangue de Fafnir – um Nibelungo, o que significa em outras palavras, que os Nibelungos embora pareçam-se com Anões, são Waurms, o que explica perfeitamente como Fafnir fez para ser tornar uma Serpente para vigiar o Tesouro.


Referências Bibliográficas:

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Havamal em português, Clã Falkar;
An Introduction to the Germanic Tradition, Edred Thorsson;
Edda em Prosa - Snorri Sturluson;
Edda Poétic - Snorri Sturluson;
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Sagas Islandesas: A Saga dos Volsungos, Theo de Borba Moosburger;
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Galdrabok, Edred Thorson;


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