quinta-feira, 10 de abril de 2014

Jötnar, Niflungr ok Möðspelmergir



Jötnar, Niflungr ok Möðspelmergir



Por Thul Alger



Apresentação
Este trabalho procura abordar segredos ocultos na etimologia, tradição e lore nórdico e germânico, desvendando informações importantes e detalhes pouco conhecidos, a respeito de Nifhelheim, Möðspelheim e Jötunheim, que foram deixados de lado pela maioria dos estudantes e praticantes da tradição nórdica e germânica.




Índice

Capa e apresentação....................................................... página 1

Índice.................................................................................página 2

Jötnar................................................................................página 3

Niflungr...........................................................................página 12

Möðspelmergir...............................................................página 22

Conclusão.......................................................................página 33

Referências Bibliográficas............................................página 34

Referências Bibliográficas Digitais..............................página 35





Jötnar

Na tradição setentrional, é citado que antes do tempo existir haviam 3 forças infinitas e ilimitadas, que somente poderiam encontrar limites para si mesmas, se por acaso se encontrassem, como de fato veio a ocorrer.
Uma destas forças era o mundo de Nifhelheim, o mundo da escuridão, neblina, morte, frio e constrição ilimitados, cujo centro era o “...Hvelgermer...” subentendido como “...Hvelgaldhr...”, que pela proximidade com sua força antagônica e igualmente infinita de fogo, força e expansão incomensuráveis, Muspellheim, acabou por gerar 11 rios envenenados, cuja essência de poder resultava diretamente dos habitantes de Nifhel, Waurms ou seja Serpentes/Dragões, também chamados de Niflungrs, opositores diretos dos Múspellsmegir ou Eldjötnar de Muspellheim.
O terceiro poder é o Vácuo do abismo absoluto, Zero em si mesmo, que separava a expansão da constrição absolutas, Gnnugagap, que foi preenchido pela força de gelo envenenado com fogo devastador, resultando então em Fornjötr ou Aurgermer, o primeiro gigante.
Do decorrer dos entrelaçamentos, conforme é relatado na tradição setentrional, vieram a nascer uma raça de “...Jötnars-Bardas...”, de Aurgermer, sendo que dentre estes diretamente de Þrúðgelmir, o qual foi pai de Belgermir que por sua vez gerou com sua esposa entre outros Jötnars o sábio Bolthorn .
Entrementes da raça dos gigantes nasceu uma “...Bardas...”, de destaque e beleza, que se chamava Narfi, a qual veio a desposar o sábio Mímir, tendo com ele duas filhas: Urd (destino) e Nótt (noite).

A primeira filha, Urd, veio a compor uma categoria de gigantas videntes chamadas de Nawarns.
As Nawarns eram foram subentendidas em muitas regiões ligadas a tradição setentrional, como sendo em número de três, e em outras regiões eram consideradas apenas o futuro e o passado sendo o presente uma relação direta de ambos os acontecimentos.
A segunda filha de Narfi e Mímir, a qual era tão sombria quanto “...Nifhel...” recebeu o nome de Nótt – e de seu nome vem justamente o termo “...Noite...” - teve dois amantes, Delling, um elfo que trazia o amanhecer todos os dias e Anar, outro elfo que a receberia todos os dias no crepúsculo.
Com Delling Nött teve um belo filho chamado Daeg (dia) e este trazia o dia todas as manhãs sob o sol. E com Anar ela teve uma filha chamada Jörd (Terra), para outros era Nerthus a qual recebe também o nome de “...Ertha...” entre os Godos, e um filho chamado Njordr (mar).

À Nótt e Daeg, Odin concedeu a tarefa de contar o tempo.
Njordr, o qual regia o mar, os ventos, a provisão de alimentos e fartura a todos, veio a desposar “...Ertha...”, e desta forma deram início a uma raça muito antiga de deuses, conhecidos como “...Wanes-Vanir...”, que amavam e habitavam a natureza selvagem.
A vida brotou naturalmente da carne de Ymir, uma vez que a própria terra nasceu do solo, transformando seu espírito em vida, sendo a mãe de todas as coisas vivas, e, por este motivo, “...Jörd-Eartha...”.
Nótt, que é a noite escura, guia um carro que traz as trevas para o firmamento todas as noites. Seu cavalo saliva de tal forma que pela manhã aparece o orvalho por todo o solo de Midgard.
Estes dados nos levam em direção a conjecturas muito interessantes, que devem fazer parte das pesquisas de qualquer praticante de tradicionalismo setentrional, pois há dados que estão salvaguardados em locais diversos, que podem vir a acrescer em muito o conhecimento e os meios de prática, das pessoas que realmente estiverem interessadas em desvendar os dados que lhes são apresentados.
Passemos então ao estudo da figura do sábio Mimir, e do transcorrer a sua volta.
Anteriormente as descrições apresentadas a respeito da Eomersyl ou Yggdrasil, haviam citações a respeito de outra nomenclatura para a árvore da vida setentrional.
Estas citações abordavam o termo “...A Árvore de Mimir...” ou “...Mimameidr...”, citando-a como a “...Árvore do Mundo...”, termo que define a Yggdrasil, por exemplo.
Segundo o Fjölsvinnsmál, passagens 19-20 e 23-24, os ramos desta árvore se espalham por todos os reinos e mundos, e humano algum sabe onde suas raízes crescem. Nem o aço e nem o fogo podem lhe desgastar os ramos, e em sua coroa repousa o dourado Widofinir.
Mimameid para determinadas mulheres é particularmente importante, pois é citado no texto “...Altnordische...”, onde estas mulheres são chamadas de “kelisjúkar”, em uma da formas de tradução, as mulheres do “kränkliche” são subentendidas, de outra maneira, em relação aos frutos de Mimameidr, pois as mulheres grávidas e as crianças doentes, ao comerem dos seus frutos, terão suas doenças curadas, e gerarão filhos fortes e sadios.
Foram os frutos de Mimameidr aqueles a serem usados para o tratamento do incidente do “...Gebärmutter...” atos Reichborn Kjennerud.
O termo “...mjqtudr...” ligado a palavra “...Fate...” - “...Destino...” - e bem como a concordância com os termos “... a medida que...”, “...se ajusta...”, pode não dar a correta tradução para o termo “...Mimameidr...” em função de suas conexões com a “...Árvore do Mundo...”, neste sentido, porém, por seus diretos vínculos com o Sábio Mimir, senhor do Poço da Sabedoria, o “...Hvelmimir...”, de Jotunheim onde uma das raízes da “...Árvore do Mundo...”, vem a se enterrar, o coloca diretamente conectado com “...a árvore de medição...”, um termo alternativo que conecta-se com o “...mjqtudr...”, acima descrito, e que em Old Norse tem por escrita “...mjqtvidr...” , o qual é citado na “...Völuspá 2...”, diretamente como Kenning para Yggdrasil.
Contudo há outros detalhes ainda por serem a abordados, a cerca da ascendência de Mimir.
Se observarmos os Jotnar, encontraremos dados muito interessantes, que podem inclusive esclarecer a maioria das dúvidas ligadas os procedimentos dentro do tradicionalismo setentrional, e indo muito além, podem esclarecer várias facetas tanto da influência gerada pelas migrações que geraram este tradicionalismo, como também como e onde encontrar os Jotnars e o que eles são e representam, sem as mesmices tão conhecidas.
Primeiramente observemos que em nórdico antigo os Jotnar - cujo singular é Jotun e o termo vinculado em gótico sendo Bardas - eram chamados também de risi (singular e plural), e em particular um “...Bergrisi...”, ou þursar (singular, þurs), em particular, “...Hrímþursar...”.
As gigantes podem também ser conhecidas como “...gýgr...”.
Jotun provavelmente se deriva da mesma raiz que "...comer..." - eat em inglês - mantendo o mesmo significado original de "...glutão..." ou "...homem-devorador...".
Seguindo a mesma lógica, “...þurs...” pode se derivar do atual "...sede..." - thirst em inglês - ou "...bebedor de sangue..." - blood-thirst em inglês.
Risi é provavelmente uma palavra aparentada à "...ascensão..." - rise em inglês - o que pode significar "...pessoa elevada...".
Já a palavra Jotun apareceu pela primeira vez em inglês arcaico como “...Yotun...”, e eventualmente semearam as variantes como “...Geottin, Eottan, e Eontann...” - e estes termos são especialmente interessantes para este estudo - de onde pode ser obtido o “...Yettin, Ettin e ent...”, respectivamente – e há também a proximidade com o termo Yeti, usado no Tibet e Nepal.
Um dos aesires mais cultuados e conhecidos, tanto no passado quanto na atualidade, tem como sua Runa “...Thurs ou Thurissaz...”, que é a Runa dos Jotuns, sendo que um dos termos para esta Runa também é “...Thorn...”, sendo este o senhor do Trovão e do Relâmpago, e inclusive citado como descendente de Jord com Wotan, inclusive citado como um protetor da Terra, e tendo sua imensa morada como local de repouso para as pessoas comuns, que tanto o adoravam.
Sua sede e sua fome eram colossais, e foram mais de uma vez citados em várias passagens da tradição setentrional, sendo como exemplos a famosa jornada de Thor a Utgard, quando ele é citado bebendo um braço do Oceano, ou mesmo quando o Mjoulnir foi roubado por Thrim, e “...Donnar/Thor...” se disfarçou de Frijo Pryja – Freija – até Loke recuperar o Martelo Destruidor, e assustou aos Throlls, comendo imensa quantidade de carne e bebendo incontáveis barris de cerveja.
Para todos os efeitos Thunar é tal e qual um Jotun, por este ponto de vista, e a Runa que o define claramente expressa isto.
Citados como “...þurs...” – Thurs – em tanto quanto bebedores de sangue, as características ligadas a oferendas de sangue que são muitas, dentro da tradição setentrional, começam então a fazer um imenso sentido, e podem nos levar a descobertas, muitas vezes desconcertantes ou desconfortáveis, para muitos.
Há várias citações interessantes sobre os sacrifícios praticados pelas sacerdotisas ligadas aos cultos “...vanires...” e ao culto aos “...elfos...”, ou seja a pratica do “...Seidhr...”, e há também as oferendas e sacrifícios que Ibn Fadlan, em seu manuscrito “..Kitāb ilā Malik al-Saqāliba...”, chegou a citar – claramente temos que levar em consideração o horror de um islâmico em meio as práticas do que o islã mais odeio, o politeísmo, que é motivo de morte por tortura pelo corão, porém muitas descrições usadas no texto podem ser usadas para direcionar nossos estudos, sobre este tema.
No “...Heimskringla...”, encontramos a descrição que cita o rei sueco Aun sacrificando nove de seus filhos, em um esforço para prolongar sua vida, até que seu trabalho o impediu de matar seu último filho, Egil.
De acordo com Adam de Bremem, os reis suecos sacrificavam escravos do sexo masculino a cada nono ano durante os sacrifícios de Yule no Templo em Upsalla, que era voltado principalmente ao culto aos Wanius/Vanires, embora ali também Wotan e Donnar fossem cultuados juntamente a Freir.
Os suecos tinham o direito de eleger e depor os próprios reis, e tanto o rei Domalde e o rei Olof Trätälja são conhecidos por terem sido sacrificados após anos de inanição.
Wotan, por sua vez, foi associado com a morte por enforcamento, e uma prática possível do sacrifício de Odin por estrangulamento tem alguma sustentação arqueológica na existência de corpos preservados perfeitamente pelo ácido das turfas em Jutland. Um exemplo é Homem de Tollund.
Essa pratica claramente não é de explícito vínculo apenas setentrional, em meio aos povos ibéricos podemos encontrar uma inscrição, que contém o termo NEITIN – ligado ao deus Neit, pai dos fomorianos, que eram antigos deuses precedentes aos Sdhee – e ali também consta um desenho de uma mão.
Isto tem especial interesse se nos lembrarmos que os Lusitanos cortavam a mão direita aos inimigos e ofereciam-na em sacrifício aos Deuses – acima de tudo da Guerra – o que os conecta diretamente com o deus Tyr, cuja mão direita foi devorada por Fenrir, e aos tipos específicos de sacrifícios que eram feitos em honra a Tyr.
Disto decorre tanto o uso contínuo do sangue, como forma de invocar e trazer a potência de uma força específica, quanto lida com certas citações de terrores, que invocados posteriormente e invadidos por tolices trazidas pelos invasores cristãos, acabaram por desembocar no mesmo em que veio a se tornar o “...vricolaka...”, eslavo, que simplesmente lida com a metodologia shamanica para transfiguração em animais, e que também foi o tema do qual veio a ser gerada a mitologia sobre os Vampiros, uma vez que em meio ao solo eslavo também estavam ligados as strix, aparentadas com as stregue italianas em vários sentidos, e com a prática dos Bascos, que entre outras coisas enterravam seus mortos em uma cova, sobre a qual o altar da família era erguido, sendo o mesmo dentro de suas residências, em que o culto é aparentado em tudo com as técnicas do Seidhr e com o sistema Eslavo.
Os þurs, de onde vem o termo “...blood-thirst...”, são bebedores de sangue e também são chamados de “...Geottin, Eottan, e Eontann...” e bem como “...Yettin, Ettin e ent...”, isso os coloca diretamente em contato com o termo acima citado “...Neitin...”, ligado aos povos ibéricos, e nos trás mas um detalhe, o qual será desagradável a muitos.
Como sabemos Odin, Óðinn, Wodanaz, Wotan, Othinus, é visto em auto sacrifício na Yggdrasil, Mimameidr, e este ato em si é visto em várias culturas ancestrais, como podemos por exemplo citar sobre o juramento ao sol de “...Wakantanka...”, onde aquele que quer ser visto como pleno de direitos em meio a cultura dos Sioux, deveria ser erguido do solo ao nascer do sol, e resistir até o por do sol, dependurado por ganchos presos em sua pele, cerimônia esta mais caracterizada para os Shamans do que para outros membros da tribo.
Tendo seu nome no termo germanico “...Wotan...” e no primitivo germânico sob a forma de “...Wodanaz...”, no gótico, Vôdans, no dialeto das ilhas Feroé - nas costas da Noruega - Ouvin, no antigo saxão “...Wuodan...”, no alto alemão “...Wuotan...”, enquanto que entre os lombardos e na região da Vestefália aparece “...Guodan ou Gudan...”, e na Frísia, “...Wêda...”.
Nos dialetos dos alamanos e borgundos temos a expressão “...Vut...”, usada até hoje no sentido de ídolo. E sendo essas denominações ligadas pela raiz, no nórdico arcaico, às palavras “...vada e od...”, e bem como no antigo alto alemão, a “...Watan e Wuot...”.
Devemos notar que no Old Norse, havíam duas palavras diferentes que configuravam o termo “...Odr...”, que dá origem as terminologias para “...Óðinn...”, sendo que o adjetivo significa "...louco, desvairado, furioso, violento...", e é aparentado com o termo “...wōd...”, do Old English – Antigo Saxão.
Já o substantivo significa "...mente, espírito, alma, sentimento...", e muitas vezes "...música, poesia...", e é cognato com termo Old English “...woth...”.
Em termos compostos, “...OD...” significa simplesmente "...ferozmente energético...", como por exemplo no termo “...OD Málugr...", que significa “...falar de forma violenta ou animado...".
Dois cognatos germânico-extra são os proto-celta * wātus "poesia mântica" (continuação em irlandês fé "poeta" e Galês gwawd - “...elogio da poesoa...” e o termo Latino “...Vate...”, que implica em profeta ou vidente, possivelmente emprestado do proto-celta “...watis...”, ou proto-galês “...ovateic.
Contudo segundo o Hávamál, verso 140, Nove Disposições aprendeu Wotan de Mimir, que lhe verteu uma dose de Hidromel mesclada a Odrerir Mágico.
Este Odrerir parte da mesma raiz acima citada, ligada ao termo substantivo “...Od...”, lidando portanto com a “...alma de alguma coisa...”, presente no hidromel sagrado que Bolthorn deu a Vodan.

Associando todos os elementos acima citados, a própria natureza tanto da tradição setentrional quanto da natureza do funcionamento de cerimônias shamânicas, e a auto-imolação na Mimameidr claramente foi uma delas, poderemos então trazer outros termos, contudo ligados aos Jotnar, e abordados acima, para dentro da estrutura da etimologia e formação shamanicas, ligadas e necessárias aos eventos neste trecho citados.
Se associarmos as variantes posteriores do termo Jotun - ou Yotun - “...Geottin, Eottan, e Eontann...” e bem como “...Yettin, Ettin e ent...”, com as raízes aproximadas de Gudam, Wotan, Othinus, Óðinn, lembrando sempre que a citação básica dos estudos sobre os Jotnar e as nomenclaturas e estruturas inclusive cosmológicas da construção de “...Yggdrasil-Mimameidr...”, onde os Jotnars foram a primeira raça gerada por “...fogo, vácuo e gelo...”, e tendo as estruturas de parentesco, as famílias conectadas entre si dos aesires/ansjus com os Jotnars, e que a iniciação shamanica de Óðinn se deu a partir de seu reconhecimento e instrução indireta do “...Ettin...” chamado Bolthorn, justamente através de Mimir, veremos a clara estrutura de reconhecimento de descendência de um chefe ou líder de clã para outro, como pode ser visto em muitos sistemas tribais ao redor do mundo.
Isto nos leva a uma outra canção, cantada por outro feiticeiro, mestre de encantos que em seu galdhr ou kenningar, trouxe uma criação e destruição de mundos ligada a sua própria arte, com limites próprios e fatores únicos, mas que difere em algum momento, da canção e do galdhr ou kenningar, que outro skald entoou anteriormente em meio aos Jotnars.
A canção anterior retratava uma Árvore do Mundo indestrutível ao Fogo ou ao Aço, enquanto que a canção posterior retratou uma árvore que pereceu pelo fogo e pelos açoites do aço de gigantes de fogo e gelo, e com suas raízes devoradas por um imenso Waurm de nome Niddhog.
Na canção anterior um sábio veio da descendência de Fornjötr, o primeiro gigante, e regeu aos mundos, tendo estes mundos estruturados na Árvore da Vida, que abrigou em seus ramos a “...Lif e Lifthauser...”, os dois humanos que se abrigaram do fogo de Musphelheim, e puderem gerar uma raça humana divina em seguida, pois Mimameidr é indestrutível ao fogo, e o seu orvalho os alimentou, essa seiva da Árvore do Mundo, tem propriedades magníficas similares ao fruto da própria Mimameidr que dá vida e saúde a quem quer que coma dos mesmos, dando fertilidade as mulheres que consumirem de seus frutos.
Na canção posterior nada sobra dos nove mundos, com exceção dos mundos que já haviam antes da Yggdrasil ser gerada, e de locais que são inacessíveis ao fogo, como é o caso da morada de Gimli, somente citada no Voluspa, que nem sempre tem todas as suas partes aceitas, por poder se tratar de intrusão cristão na tradição setentrional.
Estes dados nos levam a dois detalhes interessantes, que foram acima citados:
- O primeiro deles, a citação do rei Sueco que ao sacrificar seus 9 filhos, com a falha do último deles, pretendia assim aumentar seu tempo de vida;
- O segundo deles, leva em consideração o uso do sangue, antes e depois da chegada do culto aesir;


Se observarmos a mística do número 9 em meio a tradição setentrional, veremos ali tanto as 9 virtudes, quanto os tradicionais 9 mundos, o que significa que o rei sueco pretendia sacrificar um de seus filhos para garantir a graça da vida ampliada, vertendo seu sangue para cada um dos 9 mundos.
E por outro lado, a presença do culto “...þurs...”, referente aos “...blood-thirst...” – bebedores de sangue – vinculada aos Ettin, nos dá claras referências aos procedimentos do culto setentrional, mesmo que em Uppsala, nos tempos do auge do culto a Freir, Wotan e Thor – cuja Runa justamente é Thorn ou Thurissaz.
As várias citações das batalhas instigadas por Wotan e outros deuses, assim como as Idisires – Walcurjas/Valquírias – e Frjio Prija – Freija – mostram este mesmo “...blood-thirst...”, sede de sangue presente em todos os “...þurs...”, e claramente a presença dos “...þurs...”, é fortíssima em meio aos Vanires.
Isso nos leva então a duas conclusões muito interessantes.
Em primeiro lugar, houveram no passado, e em verdade existem até o presente momento, duas situações dentro da tradição setentrional, em que a mais externa é mantida a vista de todos, e é aquela que é em todos os sentidos afirmada. E há uma outra que se mantém velada, presa na teia formada pelos decorrer da trama das eras, e que pode ser observada e acessada de tal forma que suas respostas, embora muitas vezes temerosas são extremamente esclarecedoras.
Em segundo lugar, há fatores claramente presentes no imaginário atual da sociedade vazia moderna, que fazem ecos diretos referentes a estas mansões de venerável idade, das coisas que a humanidade esconde de si mesma.
O derramamento de sangue claramente presente, e as batalhas decorrentes nas sagas e na tradição setentrional como um todo, nos levam tanto a manutenção de um sistema que lida com honra, quanto ao entendimento claro de que o sangue verterá, em qualquer parte do mundo, abertamente em favor dos que a eles a muito já era derramado, ou veladamente em meio a mortalha de crises mundiais e tolices sociais, sendo que o planeta em seu atual estado moribundo já está clamando por mudança, e este planeta, a Terra, é uma “...þurs...”, o que indica claramente o que sucederá no mundo, e o que claramente já esta ocorrendo neste mundo.
Indo ao cerne da questão, tendo já abordado os elementos mais externos acima referidos, inclusive as responsabilidade que estão sendo cobradas e que virão a ser cobradas, dos atos impensados dos seres humanos neste mundo, voltemos nossa atenção, para dar o desfecho deste pequeno estudo a relação “...Vanes-Ases-Jötnar...”.
Esta relação é claramente ligada em todos os sentidos aos vínculos com sangue, família, herança sanguínea ou absorção na tribo – como é o caso claro de Skad e Gerd – e lida com o sangue como fonte direta dos meios para desencadear os eventos, atrair e causar situações, ou mesmo entrar em contato direto com algo ou alguma coisa, pois a concepção do “...blood-thirst...”, está em tudo presente aqui.
“...Þurs...” e “...Eottin...”, definem em si a raiz de muitos temores ainda em voga nos dias modernos, assim como a concepção do Berseker ou Ulfheadnar, principalmente a luz dos conceitos ligados aos “...Vrikolakas...” eslavos e as “...Strix...”, aparentadas em tudo com o culto Basco e com as “...Seidkhonas...”, e guardam em si conceitos ligados a forma de culto Aesir, e aos mistérios que estão contidos nos tortuosos caminhos ocultos na tradição setentrional.
A “...sede de sangue...”, inclusive presente nos arroubos de ira dos bersekers, contém também os elementos expressivos do método e da forma por onde este método flui, tanto no sentido do decorrer de uma cerimônia ou rito, quanto dos atos de sacralização, invocação e bem como do uso protetor – caso do Bersekergar – de tudo o que se passa dentro do tradicionalismo setentrional, e pelas características célticas antigas, ibéricas, romanas, etruscas em seu início, eslavas e bem como gutianas – fonte da migração que deu origem posteriormente a tradição setentrional – e principalmente definem as características e forma de ser do culto original Jotnar, da tradição setentrional, o qual se encontra preservado e ocultado em meio a Edda, Sagas e demais fatores da tradição nórdica e germânica.
Isso pode ser devidamente observado, quando notamos que a essência da vida presente no sangue, faz alusão direta ao “...veneno mesclado a sangue...”, que deu origem ao primeiro gigante “...Ymir ou Fornjötr...”, e que o Ouro da Terra, os metais preciosos tão valorizados e procurados pelos Swartalfs, nada mais são do que referência a mesma coisa, contudo presente nas veias da humanidade e demais seres vivos neste planeta.
Desta forma, ambiciona-se ofertar este “...veneno gelado mesclado ao fogo...”, aos Wanus, Ansjus e Bardas – Vanires, Aesires e Jötnar – pois o mesmo é a mais valorizada potência e oferenda presente neste ou em qualquer outro local, e a sede pelo mesmo está presente em todos os Jötnar, Vanires e Aesires, e ao se abrirem os tesouros guardados pelos mesmos, aterrador será observar que a Mimameidr aguardará, intocada pelas chamas de Muspellheim ou pelo aço da batalha, no pós Ragnarok, que somente virá a existir como o véu de segredos que permitem a sanidade ao vulgo.

















Niflungr

O termo alemão “...Nibelungen...” e os seus correspondentes em Old Norse Niflung “...Niflungr...”, é o nome em germânico da mitologia nórdica relativa a família real ou linhagem dos burgúndios, que se instalaram em Worms. A grande riqueza dos burgúndios é muitas vezes referida como o Tesouro Niblung - ou tesouro Niflung.
Em alguns textos alemães, os Nibelungos aparecem como nome dos supostos donos originais daquele tesouro, ou o nome de um dos reis de um povo conhecido como “...Os Nibelungos...”, ou em sua forma variante “...Nybling...”, como o nome de um anão ou de uma raça de anões, muitas vezes como um povo Swartalf.
Na ópera de Richard Wagner, o ciclo de “...Der Ring des Nibelungen...”, Nibelung denota um anão, ou talvez uma raça específica dos mesmos.
É dito que o poder conferido aos Nibelungos era imenso, e que em meio a tradição nórdica ocorre a citação de que:

“...Nos céus quem impera são os deuses, nas montanhas os Trols em seus cumes, porém sobre a Terra os regentes são os Nibelungos...”.

Há uma séria de interações que uma vez entendidas em relação à tradição vinculada aos Nibelungos, podem abrir realmente seus salões e tesouros para a mente devidamente preparada.
A tradição burgúndia lhe determina uma origem escandinava encontrando suporte na evidência dos topônimos e na arqueologia (Stjerna) e muitos consideram essa tradição como correta.
Possivelmente, por que a Escandinávia estava além do horizonte das antigas fontes romanas, eles não sabiam de onde os burgúndios vinham, e as primeiras referências romanas os localizavam a leste do Rio Reno. Fontes romanas antigas indicam que eles eram simplesmente outra tribo germânica oriental.
Aproximadamente em 300, a população de Bornholm (ilha dos burgúndios), desapareceu quase totalmente da ilha. Muitos cemitérios pararam de ser usados, e naqueles que ainda eram usados havia poucos sepultamentos.
No ano de 369, o imperador Valentiniano I, alistou-os para ajudá-lo na sua guerra contra as tribos germânicas, os alamanos. Nessa época, os burgúndios possivelmente viviam da bacia do Vístula, de acordo com o historiador dos godos. Algum tempo após a guerra contra os alamanos, os burgúndios foram derrotados em batalha por Fastida, rei dos gépidas, sendo subjugados e quase aniquilados.
Aproximadamente quatro décadas depois, os burgúndios reapareceram. Seguindo a retirada das tropas do general romano Estilicão para atacar Alarico I, os visigodos em 406-408, as tribos do norte cruzaram o rio Reno e entraram no Império Romano na Völkerwanderung ou “...migrações dos povos bárbaros...”. Entre elas estavam os alanos, vândalos, suevos e possivelmente os burgúndios. Os burgúndios migraram para oeste e se estabeleceram no vale do Reno.
Neste período, a aproximação das tribos em oposição aos ataques dos hunos e a tirania romana, tornou praticamente impossível o contato e mesmo a vinda de partes de oustrogodos para os visigodos e de visigodos para oustrogodos, sendo que muitos suevos, alanos, vândalos e com os mesmos burgúndios acabaram passando pelo mesmo processo.
Alguns autores defendem a origem do nome "...visigodo..." na palavra “...Visi ou Wesa...” - "...bom..." - e do nome Ostro, de “...astra...” – “...resplandescente...”.
Mas a opinião mais consagrada considera a origem da palavra na denominação de "...godos do oeste...", do alemão "...Westgoten...", "...Wisigoten..." ou "...Terwingen...", por comparação com os “...ostrogodos...” ou "...godos do leste..." — em alemão "...Greutungen...", "...Ostrogoten..." ou "...Ostgoten...”.
Os vestígios visigóticos em Portugal e Espanha incluem várias igrejas e descobertas arqueológicas crescentes, mas destaca-se também a notável quantidade de nomes próprios e apelidos que deixaram nestas e noutras línguas românicas.
Os visigodos foram o único povo a fundar cidades na Europa ocidental após a queda do Império Romano e antes do pontuar dos carolíngios.
Contudo o maior legado dos visigodos foi o Direito visigótico, com o Liber iudiciorum, código legal que formou a base da legislação usada na generalidade da Ibéria cristã medieval durante séculos após o seu reinado, até ao século XV, já no fim da Idade Média.
Em retorno aos Bungúrdios, é sabido que por um período foram amigáveis com os hunos, inclusive na citação sobre o “...Anel fos Nibelungos...”, Kremhild desposa Átila, rei dos hunos – e devemos notar que a língua usada pelos próprios unos era a dos visogodos, Átila quer dizer “...Pequeno Pai...” em gótico, e isso extreita em muito as ligações e vínculos das tradições ligadas aos “...Niflungr...”, principalmente no que tange aos “...Warms...”, ou dragões que tanto estão inseridos em meio a estas tradições, principalmente nas citações sobre seus potentes e por vezes perigosos tesouros.
Se por um breve momento pararmos para analisar toda a tradição ligada a metodologia sobre a confecção dos “...anéis de poder...” em meio a tradição setentrional, verificaremos que é muito antiga a arte, citação e uso deste meio para desencadear encantos ou métodos de magia diversos.
É citado no Skáldskaármal que os filhos de Ivald, Brokki e Eitri, dois habitantes de Nidavelir, cidadela dos anões e reino fronteiriço a Hell, eram dotados de uma habilidade tão extrema em produzir arte e magia, que a eles o próprio Loki recorreu para que fizessem uma cabeleira para Sif – pois Loki havia cortado até o raiz seus belos cabelos negros, por divertimento – e os dois irmãos criaram cabelos finíssimos feitos de ouro, que possuíam movimento por si mesmos.
Também solicitou Loki aos irmãos que fossem feitos presentes para Ferir e para Wotan, para aplacar a ira dos mesmos, de tal forma que intercedessem em seu favor quando voltasse, e assim a Gungnir de Wotan e o navio Skidbladnir de Freir, foram criados ao mesmo tempo em que a cabeleira de Sif foi feita.
Ao concluírem o trabalho, Loki reconheceu o feito, porém em sua habilidade imensa de “...cantar a seu próprio dano...”, ao invés de levar os cabelos para Sif, e desta forma aplacar a ira de Thor, exposo da Deusa - e mais, além de não enviar os tesouros de Freir e Wotan - desafiou aos dois filhos de Ivald, alegando que não poderíam terminar 3 trabalhos tão belos e esplêndidos, exatamente no mesmo período de tempo que usaram para fazer os cabelos vivos de Sif.
Os Dwarfs aceitaram, e Brokki alegou que seu irmão Eitri sozinho poderia fazê-lo, porém pediram um pagamento diferente nesta empreitada, queríam a cabeça de Loki.
Apesar de atrapalhados pelo deus do fogo, lograram êxito e Loki deixou-se ter a cabeça cortada, mas exigiu que os presentes fossem entregues primeiro, inclusive os novos presentes feitos por Eitri, e que um banquete lhe fosse dado como último desejo.
Os Aesgardianos acabaram indo até os anões e solicitando que a cabeça de Loki fosse devolvida a seu corpo, de tal forma que ele voltasse a vida, coisa que os habilidosos irmãos acabaram fazendo.
Os presentes enviados a Aesgard foram: o Gullinburst, o javali dourado de Freir; o Mjoulnir de Thor e o anel Draupnir de Wotan.
É dito que o Draupnir a cada 9 dias goteja outros 9 anéis de igual peso, feitos do mais puro ouro, como o próprio Draupnir.
Em outra Saga da tradição Nórdica, Wileand – também conhecido como Völundr - que foi treinado nas artes da forja e dos segredos dos Dwarfs por Alberich (Regin) e Goldmar, que mataram seu pai o Gigante Vadoso, por não querem perder a riqueza que Wileand estava lhes proporcionando como aprendiz que já havia ultrapassado os dois anões.
Wileand vingou-se dos dois anões e foi embora com um saco contendo jóias para si, e levou consigo um anel mágico que o próprio Mime, da raça dos Nibelungos havia forjado há muito tempo, que causava o poder de desencadear o amor desenfreado pelo usuário do anel, por quem quer que o usuário assim o deseje.
As artes de Mime são bem conhecidas, entre as mesmas a confecção de um objeto que dá ao seu portador a habilidade de ficar invisível, e em verdade o mesmo Alberich citado como mestre de Wileand é aquele que já havia entrado em embate com Mime, tempos antes.
Em verdade, O tesouro Nibelungo e o Anel ao quel está ligado o mesmo, estavam repousando no fundo do rio Reno – o que dá em si já aproximidade com os Burgúndios, como vimos acima - vigiados pelas filhas de Hler e Ran – chamadas de Atlas, as nove mães de Heimdallr.
Este tesouro que originalmente era de posse dos Niflungr, possuía um anel terrível como seu centro e vínculo.
Na saga dos Volsungos, há detalhes muito úteis sobre este assunto, citando inclusive o “...Warm...” - Dragão – Fafnir.
Fafnir - ou Fáfnir; Frænir, em nórdico antigo - é o filho do rei anão Hreidmar e irmão de Regin e Ótr.
Ele é um anão com um braço poderoso e uma alma sem medo. Após Ótr ser morto por Loki, o Dward Hreidmar recebe o Andvarinaut como recompensa, um anel poderoso e amaldiçoado.
Fafnir e Regin matam seu pai pelo ouro, mas Fafnir decide tomar posse completa do tesouro e se torna um dragão, afugentando Regin para longe.
Regin envia seu aprendiz Siegfried para matá-lo, e o jovem parte para a toca do inimigo, matando-o e banhando-se em seu sangue, ganhando-se assim invulnerabilidade, exceto por um dos ombros, coberto por uma folha.
Regin então pede a Siegfried o coração de Fafnir, e Siegfried também bebe um pouco do sangue do dragão, ganhando a habilidade de entender a língua dos pássaros.
Os pássaros o alertam para matar Regin, que tramava a morte do jovem.
Siegfried ao matar Regin e salvar-se do que lhe era reservado, passa a consumir o coração do dragão, recebendo o dom da sabedoria em decorrência disso.
Os detalhes abordados acima, somam-se a outros que agora serão aludidos, e cuja soma nos leva a outros patamares.
Analisando a tradição setentrional, veremos que a mesma contém dados que passam despercebidos pela maioria de seus usuários, e mesmo da população que toma contato com a mesma, e em meio a esta encontramos os especialistas em etimologia e história, assim como antropologia e arqueologia, que lidam com a região setentrional, seus povos, costumes e o que veio a gerá-los.
Primeiramente notamos um dado muito interessante, ligado aos Nibelungos, que levanta questões pois não há, diretamente nada indicando o motivo para o desenrolar dos eventos daquela forma.
Fafnir, que na obra de Wagner é citado como um Jotun/Bardas – um Gigante – é igualmente em outros textos também tradicionais, citado como sendo um dos Nibelungos, que são chamados de Anões – Dwarfs – ao assumir o Anel que pertenceu a Andvari, pois o mesmo foi forjado para atrair mais ouro, riquezas e metais valiosos, leva consigo igualmente a maldição de Andvari.
Este texto é Andvarinaut - a oferta de Andvari – e nele vemos que Loki após capturar o anão, jamais usa o anel pois este foi amaldiçoado para matar qualquer um que o use, e decide deixar o anel com o rei que mantém a Wotan e Thor como seus cativos, até o retorno de Loki com “...Um tesouro proporcional a quantidade de cabelos do filho morto de Hreidmar...”.
Este coloca o anel, e o anel gera cobiça em seus outros dois filhos, Fafnir e Regin, que o matam e depois entram em conflito pelo ouro, sendo que Fafnir decide que ficará com tudo, e para tanto convertesse em um Dragão “...Waurms...”, exatamente como o Niddhog da tradição nórdica, que vive dos cadáveres de mortos e das raízes da Yggdrasil/Eomersyl.
Notavelmente o ouro exerce sua presença em várias passagens dentro da tradição nórdica – um povo mercante não poderia ser diferente – e vemos que a guerra entre Ansjus e Wanjus – Aesires e Vanires – ocorre por conta de Gullveig – a Inebriada por Ouro – que demonstra ser a Seidkhona – feiticeira – por Excelência não sendo afetada nem mesmo pelo fogo – o que a torna imune a Muspellheim e a Surtur – pois ela retorna em radiante resplendor da pira onde os Aesires a colocaram, por não suportar mais suas afirmações e palavras, habilmente preparadas para somente citar o desejo por ouro, e causar a guerra em decorrência.
Em outra passagem, já citada acima Loki – mais uma vez, já que foi ele mesmo que matou o filho de Hreidmar – desencadeia a confecção do anel Draupnir, que Wotan usa.
E na balada de Wileand, o Anel de Mimir causa o controle sobre qualquer um que o usuário queira, porém lhe esfriando o coração em decorrência.
O ouro sendo um símbolo de poder e valor, frequentemente é associado com utensílios para rituais e práticas dos mais variados tipos, nas mais variadas tradições, tanto por ser raro e caro, sendo um símbolo de poder, quanto por ser incorruptível.
Mas o principal fato que tantas vezes passa despercebido, é que Fafnir – as vezes Jotun as vezes Nibelungo - simplesmente se torna um Dragão, que na tradição Setentrional simplesmente é uma das “...incontáveis serpentes que habitam nos Onze Rios Envenenados, o Elivagar, que brotam de Hvelgermir, em alguns casos citado como Hvelgaldr
Os onze rios associados tradicional com o Élivágar são: o Svöl, o Gunnthrá, o Fjörm, o Fimbulthul, o Slíd, o Hríd, o Sylgr, o Ylgr, o Víd, o Leiptr e o Gjöll - o qual fluí à porta do Hel, e somente pode ser atravessado pela ponte Gjallarbrú, a qual dá acesso ao próprio Hel - embora muitos outros rios adicionais sejam mencionados na Edda.
O Élivágar figura também na origem de Ymir, o primeiro gigante. De acordo com Vafthrúdnismál, Ymir foi formado do veneno que gotejou dos rios, após o contato original do fogo em constante crescimento de Muspelheim, com o frio e gelo intermináveis de Nifhelheim, que se tocaram em meio ao Gnnugagap, o abismo que os separava, o qual foi preenchido pelo veneno, em estado líquido graças ao fogo de Muspelheim.
Já no texto Gylfafinning indica-se que:

“...muitas serpentes estão em Hvergelmir, tais e quais a Nídhögg, e são tantas e tais que nenhuma língua pode contar a quantidade das mesmas...".

Estas serpentes são a fonte do veneno que gerou a Ymir, e justamente é nisto que tanto Fafnir quanto um dos grandes inimigos de Beowulf, vem no final de sua vida enfrentar justamente um wörms, e as condições lidam justamente com a concepção de tesouro, e roubo de uma peça ornamental do mesmo.
Segundo a tradição setentrional, sobre este ponto, é dito que:


“...Cinquenta anos após ser coroado rei, Beowulf necessita livrar seu reino de um dragão que se enfureceu após um servo do reino de Beowulf, tê-lo despertado roubando uma taça de seu tesouro ancestral, guardado sob a terra numa mamoa - um monte funerário feito pelo homem. Beowulf, munido de uma espada e um escudo de ferro, entra na caverna onde se encontra o tesouro e o Worm cuspidor de fogo, digladiando-se com o mesmo. Wiglaf, o mais fiel dos seus guerreiros, entra na caverna e ajuda o rei a matar a criatura, derrubada por um golpe direto da espada de Beowulf. Esta termina sendo a última aventura do herói, que morre devido às terríveis feridas causadas pelo monstro...”

Em geral estas passagens são tais e quais outros, como a do Anel dos Nibelungos, citando os dragões como seres que cuidam eternamente de seus tesouros, estando tão ligados aos mesmos que ao sumir a menor peça – quanto mais o coração do tesorou como o Anel dos Nibelungos – se enfurecem pois uma coisa e a outra coisa, não podem ser separados.
Contudo o que dá aos anões, que muitas vezes são vistos como seres diferentes dos Swartalfs – Elfos Escuros – e são habitantes de Nidavellir, a moradia subterrânea e fronteiriça ao reino de Hel, a capacitade de virem a se tornar Serpentes Gigantes, Worms, similares ao Niddhog que figura no Ragnarok?
A resposta a isso tanto está na tradição setentrional, como é ocultada pela mesma!
Como pode ser verificado, o termo baugr - ring, círculo ou anel – é adjunto em old norse ao termo hringr - circle , círculo ou roda – e isto torna a ambos muito próximos e sinômimos em verdade de uma palavra que é muito difícil de ser corretamente traduzida no old norse, mas que signigica igualmente “...círculo ou roda...”, ou seja o termo “...hvel...” – em inglês whell - que dá igualmente vínculos com a concepção de “...fonte ou nascente...”.
Associado a isso termos o termo em Old Norse galdr, que é uma palavra a qual deriva de um termo para encantamento ou canto, ou seja o termo “...gala...” - Antigo Alto Alemão e Inglês Antigo: galan - com um sufixo indo-europeu-tro, sendo que no antigo alto alemão, o sufixo “...stro...”, acaba gerando Galster vez.
A decorrência da linguística acaba gerando o termo “...gealdor...”, que no Inglês Antigo vem a ser o termo “...Galdor...” e bem como “...äldre...”, o qual defini "...feitiço, encantamento, bruxaria...", guardando vínculos imediatos com o verbo “...galan...”, significando portanto "...cantar...”.
Relacionadas, portanto com termo “...giellan...”, o verbo ancestral para o termo moderno em inglês para gritar, e também com o “...gala að...” islandês, que é o verbo "...cantar, gritar, gritar...", o qual é o termo “...Gillen...”, da língua holandesa.
Em antigo alemão termo “...galstar...”, e no alto alemão “...Galster...” , o qual siginifica “...canção e encantamento...” – como citado em Konrad von Ammenhausen Schachzabelbuch 167b - sobrevivendo em alemão moderno no termo “...Galsterei, o qual siginifica feitiçaria, assim como em Galsterweib, que siginifica bruxa...”.
Germir implica em “...fervente ou reverberante...”, no sentido de algo que continuamente está atuante ou simplesmente possui um som estrondoso.
Uma vez que o Veneno que dá poder de Vida, nascido no mundo da Morte da terra da Escuridão ou Neblina, com é o caso de “...Nifhelheim...”, para gerar o primeiro Jotun, Ymir, e sendo os Nibelungos citados como sendo os “...Niflungr...”, cuja tradução simplesmente é “...habitantes de Nifel...”, aqueles que vem de “...Nifheleheim...”, os mesmos não podem ser os mesmos anões que são citados como tendo nascido dos vermes que brotaram do corpo de Ymir - após os Aesires o terem eliminado, na primeira guerra Jotun/Aesir – ou são estes contudo diferenciados em grau de potência, com a habilidade para expandir o uso do veneno dos Waurms de Hvelgermir, dentro de sí mesmos, expondo então sua natureza “...serpentforme...”.
Devemos nos lembrar ainda mais enfaticamente, que o primeiro deus, Buri, estava dentro do veneno congelado de Nifhelheim, e somente foi solto no pós encontro das chamas de fogo expansivo de Muspelheim com Gelo constritivo envenenado de Nifhelheim.
Do centro do Veneno veio Buri – cujo nome é de tradição incerta por vezes aceita como sendo “...Imenso ou Produtor...” - e de Buri veio Bor, o qual desposou Bestla, mãe de Hoenir, Lodur e Wotan, e sendo que a presença do fogo de Muspelheim causou movimento no Veneno que deu a habilidade de locomoção ao mesmo, gerando os rios, que encheram Gnnugagap, e depois que engendraram Ymir, o que nos leva a supor se o poder imenso presente em Buri, em Bor e nos netos de Buri, os Aesires, não lida diretamente com a presença da quantidade deste “...Veneno...” dos “...Waurms...”, que está claramente em atividade conjunta com o fogo de Muspelheim, tanto por haver movimento quanto pela descendência materna dos Aesires.
Aplicando a isso o fato de que, segundo a tradição setentrional como foi acima citado no texto Gylfafinning, onde é dito que “...são incontáveis as serpentes que habitam em Hvelgermir e no Elivagar...”, sendo portando a fonte do poder ou veneno das águas dali, as próprias serpentes, que são geradas pela existência de Nifhelheim, sendo os próprios e naturais habitantes da terra da escuridão e por vezes da morte – como é citado em alguns textos, que vêem a Nifhel como o reino de Hella, tendo o Hel simplesmente como sua área capital, e noutros casos sendo o Nifhel o próprio mundo dos mortos subdividido em 9 níveis, tendo sido reservado para os desonrados o Nastrond, onde são literalmente “...fervidos no veneno dos Waurms de Nifhelheim...”.
A conclusão imediata é de que os Niflungr e os Waurms são unicamente um único povo, mas que sua expressão e representação em meio aos muitos textos, de muitos locais diferentes, modificados pela presença da escrita medievalista e presença cristã posteriores, inclusive ideais de cavalaria medieval e concepções por vezes voltadas a concepção da “...serpente bíblica como inimiga da humanidade...”, as quais podem claramente ter desencadeado o Voluspa, como o mesmo foi desenvolvido contendo muitos vícios de apresentação aparentados com a parte do livro dos monoteístas que retrata o suposto “...apocalipse...”.
A junção dos termos “...germir: vibrante, ressonante ou fervente...”, com o termo galdr “...canto, encantamento, canção, feitiço...”, leva diretamente para a percepção do uso da feitiçaria subentendida como um canto contínuo, visto todos os dias, sendo entoado e estando fisicamente presente em algo que o imediatamente simule a concepção de “...fonte, círculo, roda ou mesmo anel...”, no exato sentido de “...fonte reverberante...”, “...círculo reverberante...”, “...anel reverberante...”, “...anel de encantamentos...”, “...anel do galdor...”, “...fonte do galdor...”, “...hvel do encantamento...”.
O que leva a concepção exata dos termos ligados ao tesouro, onde o ouro é tão presente e tão importante, pois o ouro escavado nas entranhas de “...Airtha-Jord-Nerthus...”, a qual nasceu diretamente do corpo de Ymir recém morto, lida com o uso das partes mais sutis, mais ricas, “...mais preciosos...” – parafraseando Golum do Senhor dos Anéis – mais potentemente carregados com a proximidade do Veneno que deu vida a Ymir, e de onde Buri foi liberto “...no tempo antes do tempo...”.
A busca por estes tesouros presente nas atitudes de Heid-Gullveig, e este mesmo ato presente no comportamento dos Anões de Nidavellir, e bem como nos Niflungr, tem como sua força motora oculta e mais nobre, a busca incessante pelo poder inerente de uma ancestralidade que igualmente é fonte para os Aesires, e é um dos dois motivo mais claros para a invulnerabilidade de Gullveig ao fogo – neste caso é categórico o fato de que enquanto houver Nifhelheim, haverá Muspelheim, e o mesmo se dá em sentido contrário, portanto a fonte de poder de um tem exatamente o mesmo potencial destrutivo ou construtivo do outro, mas sem pontos de vínculos entre si e de polaridades totalmente opostas e irreconciliáveis. O Segundo motivo, para Gulveig ser invulnerável ao fogo, e os próprios Waurms serem citados como Dragões flamejantes, lida com a atividade do fogo no veneno liquefeito do Elivagar e Hvelgermir, fato claramente comprovado pela própria tradição nórdica, que afirma que somente pela atividade do fogo o gotejar da fonte pôde preencher o Gnnugagap, para que daí o veneno desta vez em combinação como fogo, voltasse a congelar e gerasse Ymir, e libertasse Buri, o qual está ligado ao Veneno de Hvelgermir e dos Waurms, até mesmo em maior proporção do que o primeiro gigante.
Os anéis e as artes ligadas aos mesmos, evocam o poder do encantamento da Feitiçaria Galdr, para trazer pela mesma a potência do Veneno que brota do mundo da Escuridão, a qual é poderosa e por si mesmo tão perigosa quanto mortal, pelas suas próprias qualidade e sua própria natureza original.
Por fim, o último ponto que veio a passar despercebido pela maioria tanto do público quanto dos praticantes ou especialistas em tradição nórdica, foi a região onde os Burgúndios residiam, Worms.
Worms, originalmente um assentamento celta, tomado pelos burgúndios, é uma cidade da região da Renânia Palatinada na Alemanha, e se localiza sobre o rio Reno, sendo que figura em uma disputa com as cidades de Trier e Cologne, acerca do título de "...cidade mais antiga da Alemanha...", e é a única cidade alemã a tomar parte na organização mais antiga da rede de cidades da Europa.
Entre outros atos dos burgúndios ao se assentarem em Worms, foram deixados três códigos legais, que estão entre os mais antigos das tribos germânicas.
O Liber Consitutionum sive Lex Gundobada (O Livro da Constituição Segundo a Lei de Gundobad), também conhecida como Lex Burgundionum, ou mais simplesmente “...Lex Gundobada ou ainda Liber...”, o qual foi lançado em várias partes entre 483 e 516, principalmente por Gundobad, mas também por seu filho, “...Sigismund...”.
Particularmente, o Liber copiou a “...Lex Romana Visigothorum...” e influenciou o posterior Lex Ribuaria. O Liber é uma das fontes primárias da vida burgúndia daquela época, e também da história de seus reis.
Esta “...Lex Romana Visigothorum...”, simplesmente é o Código de Leis criado pelos Visigodos, que influenciaram aos Burgúndios – como foi citado no início deste texto – tanto sua vinda para o que depois veio a ser conhecido como “...Gothland...” – região tanto da Espanha quanto do Norte de Portugal – como também com a intensa troca de pessoas e presença de suevos, vândalos e outros povos germânicos, com os visigodos e burgúndios, durante a Völkerwanderung - migrações dos povos bárbaros.
A região que os Burgúndios tomaram para si mesmos como sua terra e capital, Worms, tem um ponto original em comum com uma língua que influênciou a tantos povos, sendo a língua usada por Hunos, e estando fincada em várias palavras do português e espanhol – como é o caso do termo Awa e Awo, Avô e Avó, abuelo e abuela, que é o termo em old norse Edda, inclusive.
Em meio a língua dos Visigodos, o Gothico, encontramos a raíz original para a palavra Worm, no termo Waurms – sendo que em Góthico a junção de das letras “a” e “u”, geram o som “o” – o que inclusive aproxima a região dos Burgúndios, da lenda do anel e do tesouro protegidos por Fafnir, o Waurms, e por fim notamos também que “...Sigsmund...”, rei burgúndio que compilou o Lex Romana Visigothorum, para terminar de compor o “...Liber...” de seu povo, tem exatamente o mesmo nome do pai de “...Siegfried...”.
Uma vez que a tradição não pode ser separa de um povo, sendo o sustentáculo que os move principalmente em tempos difíceis, como a migração para outra terra, constantes batalhas – com os hunos e outros por exemplo, o que levou a uma aliança entre os burgúndios com os hunos, inclusive – sendo a língua dos hunos o gótico dos visigodos, estando portanto completamente influenciada pelo povo godo, podemos com razoável tranquilidade verificar que as lendas daquele povo, e as tradições orais dali, sobreviveram vinculadas a alterações medievais – como exposto acima – tendo como seu emblema a “...Terra dos Waurms...”, o Rei que codificou suas leis, e a temática do “...Galdr...”, passado nas lendas que veio a moldá-las, a tal ponto potente que Wagner pôde então convertê-las em ópera que mantê-las presentes nas vidas do público alvo da própria tradição oral oculta, público este que ainda viria, o qual está despertando somente nos tempos atuais.





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Dentro do odinismo, asatru, fornseid, teodish gelebo e demais formas de tradicionalismo setentrional, há uma série de detalhes, seres, locais e reinos que diferem em muito de outros sistemas, e há outros que em verdade encontram estenções ligadas a diversas tradições.
Um dos mais controversos locais, contendo inclusive os seres menos entendidos dentro do tradicionalismo setentrional, justamente é Muspellheim.
Este fato já tem o seu início nas diversas afirmações de muitos autores diferentes, alguns universalistas, outros tribalistas e um ou outro purista, de que não há uma tradução para a palavra Muspell, ou que esta palavra teria vínculos com um texto que foi adulterado pelo cristianismo para ser um plágio do apocalipse cristão, com eventos pagãos – e nada pior e nem mais esdrúxulo poderia ser dito, no que tange a esta questão.
Muspellheim, ou seja, o reino de Muspell, tem em sua origem etimológica – a qual pode ser encontrada desde que não exista preguiça, ou visão estreita e deturpada – muitos detalhes e explicações, que podem ser extremamente vantajosos para praticantes de tradicionalismo nórdico, e inclusive para estudos que levem a um entendimento a cerca de todos os eventos que envolvam os “...Eldjotnar/Bardas tandjan...”.
Muspell vem do proto germânico e proto nórdico, “...Smu spell...”, “...clamor do chuvisco de luz...”, “...encantamento da chuva de fagulhas...”, ou “...rugido da chuva de fagulhas...”, segundo o Wortschatz der Germanischen Spracheinheit August Fick with contributions de Hjalmar Falk, inteiramente revisado por Alf Torp - de 1909 da vulgar era cristã.
Sendo então Smu “...chuvisco de luz ou de fagulhas...” e spell “...proclamar, clamar...”!
Admite também a modalidade do antigo saxônico (old saxon) “...mudspell...”, uma variante que lida com duas palavras a primeira “...Móði...”, e a segunda “...Spell...”.

MOD ou “…Móði…”: Sinn, Herz, Gemüt, das Innere, Seele, Geist, Jähzorn, Wut, Mut  heart, mind, spirit, soul, (violent) temper, anger, courage.
Tradução: “…Móði…” um sentimento, coração, mente, o interior, Alma, espírito, raiva, coragem, raiva 0 coração, mente, espírito, alma (violentos) temperamento, raiva, coragem.
SPELL : Rede, Reden, Wort, Botschaft, speech, speaking, word, message.
Tradução: “...Spell...” um discurso, discursos, palavras, a mensagem, fala, da escrita, palavra, mensagem, encantamento.

“...Muspell...”, foi incorretamente traduzido como dia do juízo final, pela infestação cristã na mente de antigos estudantes das línguas nórdicas, que subentenderam a idéia do fogo de Muspell e o Ragnarök, como algo ligado armagedom cristão, gerando então os seguintes conceitos:

MÜDSPELLI Weltende, der Jüngste, end of the world, the Day of Judgement, mutspelli - H CM 4358 — gs Mutt spelles H C,
Tradução: MÜDSPELLI “...fim do mundo...”, o mais novo, Dia do final do mundo, Dia do Julgamento, mutspelli H CM 4358 - “...mutt ou müd...”estando para Móði, ira, espírito ou fúria, e spelles para magia.

Palavra que não contém dados corretos seguindo a própria etimologia do “...old saxon...”, sendo portanto algo originado pelo dogmatismo cristão quando adentrou na região germânica.
Muspilli é um dos sobreviventes da antiga poesia épica, escrita em alto alemão – Hildebrandsleid devendo ser o outro – sendo datado de 870 da vulgar era cristã.
Um grande fragmento do texto sobreviveu nas margens e páginas vazias de um códice marcada como a posse de Luís, o Germânico, e agora estando na Bayerische Staatsbibliothek (cim. 14.098).
O início e o final do poema não sobreviveram.
Foi “re-descoberto” em 1817 e.v., e publicado pela primeira vez em 1832 da era vulgar, por Johann Andreas Schmeller, vindo a ter o nome de Muspilli por causa de uma palabra na parte central do texto.
O poema é uma versão do Ragnarok nórdico adulterada pelo cristianismo, com as personagens representadas em fontes do século 13 trocada por fontes cristãs, sendo então “...Surtur...”, substituído pelo inexististente “...Anticristo...” com quem Elias – usado em substituição a Thor – virá a lutar, Loki aparece no texto Muspilli, como sendo o demônio antigo.
A etimologia que define a Muspel como ligada ao termo cristão “...dia do juízo...”, ou seja “...Muspilli...” é incerta – contudo este termo resume uma espécie de fim cataclísmico do mundo em incêndio (ekpyrosis).
O poema “...Muspilli...”, é claramente um exemplo do início da invasão do cristianismo na região germânica, combinando elementos pagãos com os conceitos bíblicos e cristãos, contendo Elias, o Anticristo e do Juízo Final.
Muspel e Muspil são traduzidos muitas vezes também como "...Muor..."...Maris..." pântano "...Pfell...”, onde ocorre a palavra nórdica para Hell.
O que os termos estão descrevendo na verdade são colinas cobertas de musgo, as quais são usadas freqüentemente como ferrarias – de acordo com a temática acima.
Porque eram usadas como ferrarias, essas colinas podem ter se desdobrado como uma forma de “...farol...”, inclusive.
Durante este período, o Ferro era extraído do musgoso pântano, e por conta disso podemos olhar por exemplo os cognatos Musbach, Musholm, Musberg, Mushorn, Musdolch, Musgaard, Musland, Musdal, Mushom, Mustraum, Masfjord e Musfjel , que sugerem algum lugar entre os séculos 9 e 12.
Além disso, a batalha de Maserfeld ou Maserfield em Mercia é um exemplo associado a uma perda precoce – datada do século 9 – sendo que o termo “...Moss/soldado...” ou “...Mostrooper...”, é um exemplo tardio.
Contudo há outros detalhes muito importantes e úteis, ligados a palavra “...móði...”, que podem nos dar parâmetros superiores para compreender Muspelleheim.
Vejamos por exmeplo o termo “...Jötunmóði...”, como podemos observar no Grottasöngr (The Song of Grotti) (The Song of Grotti):

(23) molu meyjar, kostuðu megins, váru ungar í jötunmóði, ungar váru í “...jötunmóði...”, skulfu skaptré, skauzk lúðr ofan, skulfu skaptré, ofan lúðr skauzk, hraut inn höfgi hallr sundr í tvau. hraut pousada höfgi hallr sundr tvau í.
Tradução:
(23) As donzelas poderoso, eles caem ao chão, strained their young limbs of giant strength; tensos seus membros mais novos pela força de gigante; the shaft tree quivered, the quern toppled over, a árvore do eixo tremeu e tombou, the heavy slab burst asunder." o arrebentou a laje pesada. "

E bem como na Voluspa:

50 Hrymr ekr austan,hefisk lind fyrir.Snýsk jörmungandrí “...jötunmóði...”:ormr knýr unnir,en ari hlakkar,slítr nái niðfölr.Naglfar losnar.
Tradução:
50-Hrymr vem do leste, com escudos erguidos, Jörmungandr assume sua força Jotun (jötunmóði), espalhando as ondas, a águia fulva berra, roendo os cadáveres. Naglfar está a solta*.

“...Móði...” também é citado como um dos corpos sutis presentes na subdivisão da alma, dentro da tradição setentrional, sendo o Módr citado como uma emoção adormecida que em certas horas de descontrole, ira, ódio, loucura ou paixão desperta elevando o ser acima de sua própria capacidade, sendo citado como um estado de pura “...Ira Incandescente...”. Na Edda é dito que quando Thunnar, lutou contra a serpente de Midgard, ele invocou o seu “...Jöttunmódr...” - Ira de Gigante ou Bravura de Gigante - para poder elevar a gigantesca serpente acima de si.
Neste caso o “...Móði...” lida inclusive com o desfecho do Bersekergar, fonte de tantos mitos pelo mundo, tendo sua origem nas migrações dos povos provenientes do Cáucaso, como é o caso dos Gutianos, ou outros povos ligados aos Visigodos, como é o caso dos Alanos, e que inclusive também é citado nas lendas Celtas, como é o caso da lenda do herói Cuchulainn, o qual após a batalha ou o enfurecimento deve ser resfriado, pois um calor ardente o envolve.
Este é outro aspecto que merece ser mencionado, o esfriamento do herói aponta uma explícita relação entre o furor e o calor do seu corpo e a necessidade de resfriamento, como apontou Dumézil, em suas obras, vinculando a diversos mitos Europeus, Eslavos, Sumério-ários e Indo-ários.
Esta é a situação descrita a respeito do herói Batradz, dos Caucasos, que nasce das costas do seu pai, envolto numa chama de fogo e reclamando por água para se aliviar:

“Mais rápido, mais rápido! Cubram-me de água! Sinto em mim uma chama de fogo, um incêndio inextinguível que me devora...”.

Talvez possamos apontar um desejo ardente que se apresenta como furor ou como fogo e que deve ser acalmado porque é devastador, porém devemos salientar que no caso do herói Cuchulainn, é tanto a vista dos genitais das mulheres nuas quanto a água, que acalmam o seu furor.
Há outro detalhe, extremamente importante para entender o contexto do que é Muspel e os Muspellmergir, que está presente na Voluspa, o qual observaremos em seguida:

VOLUSPA
18. Ond Thau né Attu,OD Thau höfðu né,Lá né lætiné goda Litu.Ond gaf Óðinn,Hoenir gaf OD,“...Lá...” Lóðurr gafok goda Litu

Tradução primeira:18. Espírito não possuíam,sentido, eles não tinham,sangue, nem motivação, nem feições formosas, nem cor.Espírito deu-lhes Odin,Hoenir deu-lhes sentido,sangue deu-lhes Lodur,
Tradução segunda: O primeiro deu-lhes o espírito e vida, a sagacidade; o segundo o sentimento e a forma; o terceiro deu-lhes fala, audição e visão.

O termo em Old Norse “...Lá...”, tal como é preconizado no norueguês antigo é geralmente pronunciado como "...Lau...", exatamente como a última parte da palavra em Inglês "...allow..." - permitir.
“...Lá...” pode ser traduzido de diversas maneiras, mas a melhor tradução seria sangue, calor, ou fluido vital.
Como um fluido vital “...Lá...” é móvel, fluídico, e pode criar o calor.
Em relação a terminologia ligada ao fogo, referente a Muspelheim, há algumas abordagens que inclusive complementarão em muito, este pequeno estudo.
Vejamos por exemplo o caso do gigante de fogo sombrio Surtur – Escuro – o qual é citado como seu rei, e é fato conhecido que J.R.R. Tolkien se inspirou nele para produzir seus “...Balrog...”, usando como base o proto-nórdico “...Balrók...”, que significa “...poder do fogo...”, ou “...deus do fogo...”.
Notamos também que entre os eslavos teremos “...Svarog...”, o “...brilhante ou luminoso...”, associado com o fogo, e o qual é um dragão de fogo que fica no topo da Austra Kokis, a árvore do mundo dos eslavos, e que teve como seu maior antagonista o dragão Zmey, o qual desejava devorar os vivos e os mortos – há neste caso uma similaridade com a oposição entre a águia Hraelsveg, que está no topo da Eomersyl/Yggdrasil contra Niddhog, o “...Waurms/Dragão...” que se encontra nas raízes de Yggdrasil.
Como pudemos observar a terminologia vinculada a Muspelheim, nos leva um pouco distante a termos, que por falta de atenção ou por necessidades torpes, acabaram por prejudicar o correto entendimento e uso, tanto dos símbolos como dos termos vinculados a esta antiga e venerável região.
Pela própria natureza e característica de tudo que veio a ser gerado em Yggdrasil/Eomersyl, como sendo proveniente de mesclas de Muspel e Nifhel, em porções por vezes desiguais, passamos a compreender a natureza dos Eldjötnar – Bardas Tandjan – as Forças de Muspel – Müspellsmergir.
Levando em consideração, que a natureza essencial de Muspel, como sua etimologia mais corretamente utilizada, “...Móðispellheim...”, com base no que pudemos destilar acima, sabendo que os poderes presentes sob controle de Surtur e Sinmore, são temíveis e incontroláveis, e levando em consideração que estas forças se chocarão com as forças dos Aesires, pela óptica do Ragnarok de acordo com o Vafþrúðnismál, é especialmente interessante que observemos um pouco a respeito da passagem referida:

Vafþrúðnismál 18.:"Vígriðr heitir völlr, er finnask vígi at Surtr ok in svásu goð; hundrað rasta hann er á hverjan veg, sá er þeim völlr vitaðr."
Tradução
Vafþrúðnismál 18.: Vígrid é o lugar, onde Surt finalmente derrotará aos Deuses. Sem rastros  possuí a cada lado, esse é o local assinalado.

Na mitologia nórdica, “...Vigridr ou Óskópnir...”, é um grande campo predito para sediar uma batalha entre as forças dos deuses e as forças de Surt, como parte dos eventos do Ragnarök.
O campo é citado no Vafþrúðnismál, compilado no século 13 antes de materiais tradicionais, e na Edda em prosa, escrito por Snorri Sturluson no século 13.
A Edda Poética menciona brevemente o campo como sendo o local onde as duas forças vão disputar, enquanto que a Edda em Prosa apresenta um relato mais completo, predizendo que é a localização da futura morte de várias divindades - e seus inimigos - antes que o mundo que está em chamas, venha a renascer.
A palavra em Old Norse “...Vigridr...” significa "...batalha contra picos de tensão..." ou "...lugar no qual a batalha se exalta...", inclusive o nome Vigridr muitas vezes é modernamente encontrado com a escrita anglicanizada, sendo escrito como “...Vigrid, Vigrith ou Wigrid...”.
Já a etimologia do nome “...Óskópnir...” é um pouco mais difícil, mas tem sido proposta como significando "...o não criado..." ou "...não ocorrido".
A fúria dos deuses nórdicos é um fato consumado, quando em batalha em todas as citações presentes nas sagas e na Edda, os aesires ou vanires são terríveis e implacáveis, com pode ser visto por exemplo, no momento em que “...Wotan/Oðin...”, é obrigado a disfarçar-se de soldado inimigo e eliminar seu próprio descendente Sigmundi, espatifando sua espada com a Gungnir, e o empalando em seguida.
A Fúria aqui descrita é o mesmo que implicar em citar o Bersekergar, e bem como o citado “...Jötunmóði...” assumido por “...Thunnar/PoR...”, acima quando o mesmo teve que enfrentar Jörmungandr, o mesmo se dando com o caso de Cuchulain e Batardz.
Este “...móði...”, “...Ira...”, que em conjunto com o termo que dá nome a encantamento, trova ou anúncio, ou seja, o termo “...spell...”, dá a exata medida do que se passa no reino da atividade absoluta e da expansão absoluta.
Pela própria natureza desta fúria ígnea, que acima é descrita como nascendo não do presente de Wotan/Oðin - “...oðr...” – e não do presente de Hoenir/Wili – “...onð...” – mas sim do presente de Loður/Ve – “...Lá...”.
Como foi acima descrito em detalhes, o “...Lá...” é uma forma fluídica e caustica, que pode ser emprestado para dar a idéia do “...calor da vida no sangue...”, por exemplo, mas que acima de tudo lida com a presença da inflamação ardente, que em seus picos geram as citações que podemos observar, ligadas aos celtas ou aos ascendentes dos Alanos, dos quais o herói é justamente Batardz.
A “...fúria que incandesce...”, o “...móði...” é desencadeado diretamente pelo presente de Loður, e este é um dos 3 Aesires/Ansjus/Asa primordiais, que refletem o princípio da trindade ilimitada original em seus atos e em sua natureza, um deles está para a vacuidade ilimitada, outro para o frio constritivo incomensurável e o terceiro para o calor expansivo infinito, mais uma vez como representação da descendência do poder de Vácuo, Gelo/Envenenado e Fogo/Fúria, que a tudo geraram em seu pós contato conflitante.
Se o poder com suas respectivas características presente em um Niflungr, por exemplo, lida com a proximidade absoluta do mesmo com a fonte original dos Onze Rios Envenenados – Elivagar – que brotam de Hvelgermir, e se o reflexo do equilíbrio disto presente nos Eotans, combinado a exata medida de Fúria Incandescente que provém de Móðispellheim, e se o “...Lá...”, presente de Loður implica no calor do sangue, mas especificamente o seu tipo de potência, vinculada ao Bersekergar, a sede de Sangue dos “...Pursar/Pursar...” – e de “...Purs/Purs...” provém o “...Blood Thirst...”, ou sede de sangue – lida com a sede não só da essência mais próxima do veneno original dos Waurms de Nifhel, e sim da medida exata disto em “...Móði/Lá...”, que está contida no sangue, como a maior e mais refinada preciosidade que alguém pode carregar consigo.
Desta forma, deve-se especificamente a “...Móðispellheim...”, através do presente de Loður - o “...Lá...” - o potencial para entrar em transe “...Bersekergar...”, e este transe, sua característica e sua maneira de ser nos demonstram em si detalhes jamais expostos sobre os Elðjötnar, até o presente momento.
A natureza do fogo de Móðispell, diferentemente do fogo comum, e mesmo dos deuses do fogo que casualmente nos vem a mente, quando pensamos em algo neste sentido, é completamente aparte dos mesmos, e lida com uma força explosiva e incontrolável, que visa o completo extermínio de algo que seja um empecilho – por exemplo – ou com uma emanação de potência que possa realmente resolver um determinado problema, mas que em decorrência de suas características expansivas, virá a causar arrebatamento múltiplo, de muitos a sua volta, combinado a devastação por convecção, irradiação ou contaminação, vindo a deixar claras marcas destrutivas em tudo que não puder ser exposto a si.
Contudo é dito que a “...Mimameiðr...”, nome da Yggdrasil em textos restritos, não pode ser tocada pela espada ou pelo fogo, o que significa que a árvore de Mimir, não será desintegrada pelo fogo, mas que uma nova humanidade que vai se alimentar do orvalho que se manifestará sobre a mesma, povoará o mundo no pós Ragnarok, e sabemos que há segredos dento de segredos, de tal forma que um texto vela o outro texto, ou que uma árvore é o véu que protege a outra, de olhos intrusos ou despreparados.
O que nos dá claros indícios do que esperar em relação a tudo que implica no avanço dos “...Móðispellsmergir...”, inclusive que seu “...Lá...” ou “...Móði...”, não afetarão a “...Mimameiðr...”.
Agora, em retorno, observando mais uma vez os exemplos que podemos colher a respeito do transe de batalha, da Ira de Batalha do “...Moði...”, e da necessidade de resfriamento ligada ao mesmo, podemos também voltar nossa atenção a um fato que não pode deixar de ser mencionado, para dar o tom correto da devida atenção ao que o Bersekergar é.
Em meio aos picos extremamente frios e nevados da Ásia, é comum que alguém somente possa manter-se em locais onde há monges Bonpö, como noviço ou monge, se conseguir suportar o frio, que é de vários graus a baixo de zero, por uso do Tummoh, que é o “...fogo interno...”, ativado pela respiração e concentração, e que pela própria national geográfic em suas pesquisas na região, ficou claro o efeito do mesmo, quando alguns monges em entrevista, faziam com que a neve ao seu redor derrete-se com o calor emanado de seus corpos, por uso do Tummoh, a aproximadamente 14° negativos.
Isso nos leva a lembrança que o Cáucaso, a região Eslava, e a região Asiática onde existem os Bönpo, são muito próximas e que embora os sistemas sejam diferentes, o avanço dos gutianos pelas Bálcãs, em sua segunda grande migração, deve ter vinculado costumes e hábitos, que se desenvolveram com termos próprios, e métodos próprios de uso, no decorrer do tempo.
Esses povos Asiáticos da região do Tibete, ficaram protegidos pelo relevo, clima extremo e costumes bem protegidos, e desta forma o grande agente adulterador, o monoteísmo – quer seja o mesmo cristão, islâmico ou judaico – não pôde devastar seus hábitos e costumes com a eficácia com a qual agiu na região setentrional e meridional européias.
Contudo, houve a sobrevivência de muito da tradição oral na forma das Sagas, Edda, Arqueologia e etimologia em geral destas regiões, principalmente em meio aos costumes e hábitos folclóricos dos povos e pessoas.
O que nos leva a “...Saga de Aegil Skallagrimmson...”.
Nesta saga em dado momento, Skallagrimm pai de Aegil, estava empenhado em um “...jogo...” – o qual envolvia o uso de bastões - com seus filhos.
As crianças eram muito grandes, fortes e desenvolvidas para sua idade, e Skallagrimm já não era mais tão jovem, então ele perdeu a primeira partida.
Skallagrimm ficou tão perplexo com aquilo, que irritou-se e usou daquilo que a Seidkhona – feiticeira - chamou no texto de “...sua transformação...”, a qual resgatou completamente sua vitalidade e vivacidade, e de forma desenfreada para vencê-los, e causou a morte do irmão de Aegil, tamanha a violência e força usadas por Skallagrimm.
A forma como o texto é narrado e a maneira como o transcurso ocorre, e a imensa quantidade de citações corriqueiras sobre “...Bersekers/Camisa de Urso...”, “...Ulfheadnars/Cabeça de Lobo...” e demais termos para citar aquilo que veio a dar origem aos mitos sobre “...Werewolves/Lobsomens...”, demonstra que era um caso comum o uso do transe para invocar o “...Lá...” presente no sangue e na essência de cada um, e causar o “...Moðr...”, gerando então a fúria devastadora.
O que demonstra que somente por conta das invasões cristãs, morte dos cherusq, morte dos saxões ao redor do Irminsul, traição de Olaf “o Gordo” da Noruega, acordos e perseguições até a extinção de quem possuía a tradição oral, é que foi possível que os costumes e métodos puderam ser quase completamente esquecidos, e estarem tão aquém das metodologias presentes na região asiática, acima citada.
Agora, pelas características presentes no texto, podemos observar que o “...Moðr...”, causa um aquecimento violentíssimo e mesmo no tempo mais rigoroso do inverno, vagas de ar quente se erguem do corpo daquele que está sob o efeito acumulado do “...Lá...”, presente de Loður, que por si é uma extensão direta da condição de Möðspellheim, em meio a Yggdrasil formada, e indica o tipo de fator, força e comportamento inequívoco daquilo com que se vai lidar, quando o assunto em questão forem os Elðjötnar - Bardas Tandjan.
O que nos leva as “...Fylgjur...”.
A Fylgja - Old Norse, literalmente, "...alguém que acompanha...," "...que segue...", "Fylgja" está relacionada ao verbo Inglês "...seguir...", sendo o plural fylgjur plural - é um ser sobrenatural ou criatura que acompanha uma pessoa em relação à sua própria sorte ou fortuna.
Fylgjur aparecem na forma de um animal, normalmente durante o sono, mas as sagas dizem que eles podem aparecer enquanto a pessoa está acordada, e que uma Fylgja ao ser avistada, pode ser um prenúncio da própria morte, que está por ocorrer, e diverge em vários sentidos das Vörðr, que são guardiões pessoais também, porém sendo mais comum serem guardiãs de Clãs.
Na mitologia nórdica, uma Vordr – “...diretor, observador, guardiã..." - é um espírito guardiãoque vem a acompanhar desde o nascimento até a morte da alma - hugr - de cada pessoa.
No Velho sueco, a palavra correspondente é “...varþer...”, Vard em sueco moderno, e a crença em si manteve-se forte no folclore escandinavo, até os últimos séculos.
O Vorðr pode revelar-se como uma pequena luz, ou como a forma - HAMR - da pessoa.
A percepção da guarda de outra pessoa, pode causar uma sensação física, como uma mão de coceira ou nariz, como um pressentimento ou uma aparição.
Bem compreendida a diferença, podemos então realçar o fato de que o transe Berseker funde a “...Hame/Hugr...” de alguém com sua Fylgja, gerando a “...Hamygja...”, de tal forma que a pessoa em questão fica completamente preenchida pelo presente de Loður, o “...Lá...”, e o fogo o permeia por completo.
E aqui encontramos o motivo pelo qual Gullveig, após ser carbonizada pelo fogo dos Aesires, retornou intocada e radiante sendo então chamada de “...Heiðr...” – justamente Radiante ou Honorável.
Esta Wanjus/Vanir Feiticeira - Seiðkhona - é intocável por qualquer chama, o que significa que dominava o controle do Moðr e do presente de Loður, o “...Lá...”, e portanto nada poderia fazê-la arder mais do que ela própria, sendo que a mesma também pode ter simplesmente assumido a natureza “...Waurms/Niflungr...”, e contido o fogo com o Frio de Nifhell, através do transe Seiðr, que usa o vôo através de “...Fylgjur...”, para percorrer os mundos, ou mesmo desencadear eventos, e o uso de Fylgja necessariamente leva ao caminho de Möðspellheim, diretamente ou por derivação.
Contudo, a luz da observação equilibrada, isso não deveria causar surpresa, pois os Wanjus/Vanires, são descendentes de Alfs e de Jötnar, e estes últimos são o produto direto do equilíbrio de fogo e gelo, sendo que os primeiros brotaram do corpo de Fornjötr, Ymir o pai de todos os Pursar.
É pela presença direta de Möðspell no sangue Jötnar, que pode ocorrer o aparecimento de algo como Loke, Eldjötnar, filho de um Pursar – de acordo com muitos sistemas como o fornseid, odinismo ou asatru.
Embora que, pela presença do conhecimento velado em meio ao que a massa popular é apresentado, mesmo “...Loke e Lögi...” ou mesmo “...Utigard Loke...”, são frutos de anagramas para chegar ao conhecimento pleno, e portanto podemos tranquilamente citar que há mais segredos dentro do “...Lá...” de “...Loður...”, e que estes segredos não significarão que são o mesmo ser, mas significarão que gargalhadas são ouvidas até o presente momento, em meio a discursos afirmados como exatos, por mentes pouco diferentes dos fanáticos monoteístas que infestam a sociedade, como parasitas modernos.
A manifestação animal protetora, chamada no xamanismo de animal de poder – entre outros termos – é a forma subconsciente mais próxima da Fúria Devastadora em termos de contato com símbolos apreensíveis, mesmo que a nível subconsciente, que podem de alguma forma refletir a essência de “...Möðspellheim...”, e é citada como sendo uma força protetora ou guardiã, que segue uma pessoa de seu nascimento até a morte, levando-a inclusive a seu local de descanso no pós morte, como está descrito na tradição setentrional.
Estes ícones primais, de força incontrolável, são os mais próximos para chegar a um possível entendimento, mesmo que exterior, do que Möðspell pode ser, e isto implica no fator simples, que define que somente a experimentação propriamente dita, pode dar o princípio do entendimento real, que faça efeito e sentido para qualquer um, no que tange a este assunto em si.























Conclusão

Com base em tudo que foi observado acima, podemos notar que há muito estudo e muita prática a ser feita ainda dentro do tradicionalismo nórdico e germânico, pois muito tem sido relegado pelo véu da ignorância ou pelo véu do preconceito, causando a destituição dos valores e do saber que dá entendimento real ao que os Ases, Vanes, Jötun, Möðspelmergirs e Wörms/Nibelungos, são de fato.
Somente desta forma poderemos descobrir as raízes verdadeiras desta nobre tradição, e a verdadeira e verídica forma como ela deve ser usada.
Em meio aos reinos menos citados e menos estudados pelos que são ligados ao tradicionalismo nórdico e germânico, subsistem as respostas para muitas questões que os mesmo se fazem continuamente, e em meio a estes reinos repousa um manancial de poder e de conhecimento que tem sido repetidamente descartado, e não é admissível que a tolice que abunda em meio aos “...pseudotrus...” e “...hippietrus...”, sirva aos propósitos dos universalistas, abrindo caminho para que os mesmos possam se valer deste conhecimento para perverter citações e usos em geral, que caíram em desuso pelos tradicionalistas.












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Dignitatis Humanae – I.C.A.R.

ESTADO LAICO NÃO É ESTADO ATEU E PAGÃO -
Ives Gandra da Silva Martins e Antônio Carlos Rodrigues do Amaral

Da República - Cícero
Crítica da Filosofia do Direito de Hegel- Karl Marx
O Anti Cristo – Nietzche
Assim falou Zaratustra – Nietzsche
Edda em Prosa - Snorri Sturluson;
Edda Poétic - Snorri Sturluson;
Hävamäl;
Dicionário Aurélio do Português;
Sagas Islandesas: A Saga dos Volsungos, Theo de Borba Moosburger;
Galdrabok, Edred Thorson;
O Talmud Desmascarado - Reverendo I. B. Pranaitis
Os Sete Sermões aos Mortos – Carl Gustav Jung
Sobre el paganismo - Alain de Benoist
Brasil Colônia de Banqueiros – Gustavo Barroso


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