segunda-feira, 1 de outubro de 2012

História dos Movimentos de Neo-paganismo Germânico

Histórico dos movimentos de Neopaganismo Germânico
(por Aistan Falkar)


   A reconstrução do Paganismo Germânico, começou de uma forma muito distinta daquela que hoje em dia, podemos acompanhar, e deu passagem em seu trajeto, a uma série de termos, como Ásatrú ("Fidelidade aos Aesir"), Odinismo, Forn Sed ("Antigo Caminho", e em Anglo Saxão Fyrnsidu), Heathenry, Germanic Heathenry, e o Theodish, além de outras formas de representação do tradicionalismo ligado aos Ases e Vanes.
   Em meados do Século 19, começou-se a catalogar e definir um conjunto de costumes e crenças, sobreviventes, em meio a famílias alemãs e de outras regiões do Norte da Europa, de forma a produzir uma recriação romântica de todo o contexto dessa tradição.
   Havia um contingente relativo de grupos sobreviventes aos massacres e mutilações, tanto humanas quanto representativas dos costumes dos povos, praticados pelos invasores cristãos.
   Muitos se mantiveram em segredo, praticando os costumes ancestrais em seus lares.
   Muitos abertamente serviram de exemplo, e foram mortos em nome da tradição, e são incontáveis os crimes decorrentes, das totalmente condenáveis atitudes  praticadas por Olaf Haraldsson (Olaf, o Gordo), Rei Norueguês.
    E muitos outros praticaram exatamente os mesmos atos, em busca do ouro de Roma.
   Houve também uma pequena sobrevivência de textos, infelizmente alterados para o ponto de vista cristã, mas que mantiveram muito dos costumes antigos da Paganismo Germânico.
   Esse foi o caso da Edda que Snorri Sturlusson escreveu, a título de fazer sobreviver a métrica da poesia islandesa, conhecida como kenningar.
   No entanto a presença do contexto de muitos detalhes do tradicionalismo nórdico, ligado ao paganismo germânico, puderam também sobreviver a partir disso, embora a cristianização seja clara e categórica, como podemos observar por exemplo, dentro do contexto da Voluspa e do Ragnarock (notemos que este último está mais para uma percepção sobre os fatores climáticos ligados a sazonalidade, e bem como as Festividades do Decorrer do ano, como é o caso do Jiula).
   Após o final do século 19, e começo das primeiras décadas do século 20, começou um crescente enfoque nos termos e terminologias nórdicas, que começaram a ser absorvidos e utilizados em larga escala, dentro de movimentos de característica nacionalista, muito ativos dentro da Alemanha e da Áustria, mas que infelizmente estavam levando em consideração, tanto a orientação cristã dada pela adulteração praticada no decorrer do tempo, contra o Tradicionalismo Germânico, assim como efetuaram a fusão deste com modelos de pensamento ligados a visão Européia do Hinduismo, o que em si foi conhecido em uma de suas vertentes por Kardecismo, e em outra de suas vertentes por Teosofia.
   Assim sendo, os modelos de pensamento que supunham um dito “...logos solar...”, montado em seu cavalo branco para resgatar valores “...ários...”, como encarnação divina incorporada na terra, foi adicionado aos termos de “...algumas partes...” do Paganismo Germânico, e a Swástica perdeu muito do seu sentido original, para dar enfoque apenas ao ponto de vista ligado ao Sol em tanto quanto o Falo, ou seja, ao modelo “...Fálico Solar...” .
   E assim, engendrou-se um retorno do Paganismo Germânico, sob o termo Odinismo, mas com essa marca alterando completamente todo o sentido de sua atividade, de sua atitude, e do desenlace final que é produzido por suas qualidades, em todos os sentidos.
   Após o final da Segunda Guerra Mundial, muitos grupos ligados a esse Odinismo (hoje em dia conhecido como Odalismo), acabaram fluindo para dentro da Igreja de Anglicana de Odin fundada no final dos anos 50 por Alexander Rud Mills, que teve como um de seus expoentes, posteriormente,  Elsie Christiansen.
   Ocorre que após um tempo relativamente pequeno, muitos grupos de Odinistas não vinculados a igreja de Odin, e outros que haviam estado ligados a ela, geraram focos de práticas, em várias regiões, e exatamente disto veio a surgir o Asatru, e algumas outras formas ligadas ao Paganismo Germânico, em maior ou menor grau.
   Nos dias de hoje, o Paganismo Germânico está em franca Ascensão em todos os países da América Latina, em Todos os Países da América do Norte, em todos os Países da América Central,  em todos os Países da Europa, e bem como Oceania, com expoentes na Austrália. Constituindo um número muito grande de praticantes de nos mais variados estilos de Paganismo Germânico.
   Analisemos agora, um pouco do que se passa nos principais grupos e estilos, de pratica e praticantes dentro dos caminhos que tem algo em comum com o Paganismo Germânico.

ODINISMO

O Odinismo é uma a mais antiga das formas de Neo paganismo Germânico, que está em atividade até nossos dias, e que teve também os períodos mais conturbados de todas elas.
   É creditado o início do uso deste termo a um livro de Orestes Brownson, escrito em 1948, cujo nome era “...O Renascer do Odinismo...”, em que Alexander Rud Mills, em 1930 da vulgar era cristã, teria o re-introduzido para engendrar a Igreja Anglicana de Odin, que acaba de criar.
   Elsie Christeansen que tornou-se uma divulgadora desta Igreja, juntamente com a Fraternidade de Odin,  trouxe o termo para a América do Norte, em que por volta de 1970 o Odinic Rite declarou-se especificamente Odinista, sendo o grupo mais antigo em atividade.
   O tradicionalismo germânico, esteve presente durante todo o conturbado período da Segunda Guerra Mundial, na forma como o texto  descreve acima, sempre sendo maculado pela presença do thurse cristão.
   No entanto o Odinismo nada tem haver com grupos específicos, pessoas isoladas, ou mesmo tendências presentes em obras, ou mesmo opiniões de autores, que limitam-se em sua dita apresentação de Paganismo Germânico, apenas a uma prática de sectarismo ou mesmo de racismo.
   A forma como procede o Odinismo atualmente, está ligada a divisões que acabaram sendo necessárias, pela própria natureza das pessoas envolvidas com o Paganismo Germânico, inclusive para distinguir extremistas de não extremistas.
   Apesar do termo Odinismo estar claramente ligado a “...Odin...”, ele não se limita apenas aos mistérios “...Odínicos...”, tratando igualitariamente a todos os Ases e Vanes, e na verdade é uma forma direta e organizada, de abranger os costumes, os valores, as virtudes e bem como a prática da tradição e de tudo que define o que o Paganismo Germânico é em sua essência.
   O Odinismo possui vertentes que primam pela presença de um Gudja, um sacerdote que centraliza os Blots (cerimônias), e guia a todos em seu Clã, pelo bem não de si, mas do conjunto que está a sua volta.
   Há todo um conjunto de estudos ligados ao que é ser um Gudja, e há todo um corpo de requisitos necessários, que sem os quais seria ineficiente qualquer tentativa para engendrar o nascimento de outro Gudja.
   Apesar de que, muitos grupos de odinistas e asatruares, similarmente aos heathenry, não verem com bons olhos a presença de um Gudja, ou Gothi (intermediário), alegando que não haviam cargos especializados para realização dos trabalhos sacerdotais, nos tempos antigos.
   É fato que o chefe de uma família era aquele que exerceria este cargo.
   É fato que poderia ser tanto o Pai quanto a Mãe, de acordo com o Blot, cerimônia, ocasião ou necessidade.
   E é fato que os Clãs são unidades familiares, que vem compor as tribos.
   O que define essencialmente um dos motivos para a presença de Gudjas, em meio às celebrações.
   Algumas organizações Odinistas: Aliança Odinista da Águia Visigoda; Odinic Rite.


ASATRU

   Este movimento vinculado aos costumes e tradições especificamente da Islândia, foi reconhecido legalmente em 1972 da vulgar era cristã, pelo parlamento islandês, e teve como sua expressão mais conhecida como primeiro Gothi, Sveinbjorn Betteinsson.
   O termo Asatru implica em um um neologismo inventado no contexto do nacionalismo romântico do séc. XIX, usado por Edvard Grieg em sua ópera Olof Trygvason de 1870.
   Define-se pela combinação da palavra AS (que também está ligado aos termos AZA, AESIR, ASA, ASES), implicando assim nos Deuses Aesires, combinada a palavra TRÚ (que quer dizer Fidelidade ou Fé).
   Essa definição claramente foi usada, por uma forma de identificação e de referência ao Odinismo, uma vez que Wotan (Gudam, Vodan, Votan, Odin) é chamado de Allfathur ( Pai de Todos), e sendo assim os ASES estariam todos ligados a presença de Votan.
   Há uma enorme quantidade de grupos ligados ao termo Asatru, muitos deles com tendências a “...wicca...”, e outros com tendências muito forte ligadas ao “...Wotanismo...”, que era praticado na igreja de Odin, outros ainda são complementares a movimentos da “...nova era...”, e há também movimentos asatruares, que em si mesmos, procuram uma renascimento da temática praticada no período anterior ao da igreja de Odin, justamente o que era praticado pela ariosofia.
   Algumas organizações asatruares: Asatruarfélagio; Asatru Folk Assembly, Rune Gild.

HEATHENRY

   Esse é um termo muito similar a um neologismo, que na verdade é empregado para distinguir as praticas pagãs de todos os outros povos, das praticas pagãs dos povos nórdicos, uma vez que heidni, aparece em algumas sagas islandesas para definir os que estão ligados as tradições mais antigas.
   Os heanthenrys normalmente não conseguem conceber uma idéia centralizada a cerca da presença de um Gudja, ou Gothi, e empregam cerimoniais que podem muito bem ser improvisados para a ocasião, ou ter uma agenda vinculada a atividade “...específica...” de algum grupo heathenry.
   Distinguem-se de outros grupos de praticantes de tradições nórdicas, justamente por essas características, e por nem sempre levarem a termo operações que envolvam magia propriamente dita, pois muitos grupos de heathery relegam seus hábitos a um contato com ancestrais, ou algumas oferendas simples, limitando-se apenas a isso.
   No entanto, como está descrito mais acima, existe o incorreto costume de empregar a palavra heathenry, para definir todo e qualquer tipo de prática de “...Paganismo Nórdico...”, e muitas vezes isso é estendido ao Odinismo, o que em si equivale a um erro gritante.
FORN SIDR

   Este termo pode aparecer também como Forn Sed (escandinavo mais recente), Fyrnsidu (anglo saxão), e está diretamente ligado a formas de Paganismo Germânico da Escandinávia.
   A palavra Forn quer dizer “...Antigo...”, e a palavra Sidr implica em “...Costume...”, muitas vezes subentendida como “...Caminho...”, dando um sentido de caminho antigo.
   O objetivo de uso deste termo, implica em distinguir-se por meio dele, do “...novo costume...”, que veio com a chegada de “...hwiths krists thurses...” (cristo branco invasor).

THEODISMO

   O Theodisc Geléafa, é uma reconstrução dos costumes e tradições de tribos de Anglo Saxões, que se estabeleceram na Inglaterra.
   Orientam-se pelo modelo anglo saxão, abrangendo atualmente também as formas e modos de ser escandinavos e do restante da Europa, que por ventura estejam enquadrados dentro desse mesmo ponto de vista.
   Garman Lord deu forma ao Witan Theod em Water Town,Nova York, em 1976 da vulgar era cristã, e tem suas origens vinculadas diretamente a Seax Wicca.
   Um dos pontos que distinguem o Theodisc Geléafa de outras vertentes do Paganismo Germânico, é o fato de que procuram reconstruir não somente a tradição, mas também o conjunto total dos costumes, da Hierarquia Tribal, das línguas originais, derivando disso o fato de que o Theodismo é uma vertente, que estabelece uma relação interna de  “...Monarquismo...”.
   Algumas organizações de Theodisc: Axenthod Thiad; Sahsic Thiad; New Anglia Theod.



Detalhes Importantes

   Com foi dito acima, há uma divisão em 3 categorias, ligada a tudo o que se refere dentro dos caminhos que ligam-se ao Paganismo Gemanico.
   Por uma série de fatores e motivos, vinculados inicialmente a necessidade de liberdade em relação as marcas deixadas por sectaristas, assim como para poder exercer a plenitude do renascimento do Paganismo Germânico, livre das muitas formas de corrupção monoteísta, que infectaram inclusive obras, usadas como base para estudos dentro da Tradição Germânica.
   Os grupos de praticantes dividiram-se em:

-         Universalistas: Que aceitam a combinação de costumes, usos e meios, diferentes do Tradicionalismo Germânico, estando em muitos casos ligados a movimentos “...New Age...”, sendo muitas vezes totalmente inconscientes no que fazem ou efetuam, ou mesmo inconseqüentes em suas atitudes, tendo fraca base de estudos, ou de resultados;

-         Tribalistas: Categoria que aceitam a presença de membros, independente da origem, cor ou raça desde que seja firmado um voto de confiança entre o novo membro e o Clã ao qual está pleiteando adentrar, por meios de juramentos de mútua confiança, sob a presença de um Gudja que o admite no Clã;


-         Elitistas: Categoria que vê a si mesma como uma “...elite étinica...”, ligada a uma determinada raça ou origem, e que somente admitem em seu meio, pessoas que por ventura tenham a mesma origem que a deles mesmos. Os elitistas podem chegar a extremos de recusar a presença de pessoas que não sejam descendentes puros, de uma determinada localidade da qual seus pontos de vista, visam.

   É hábito que se estabeleça dentro de qualquer grupamento consciente, de prática de Paganismos Germânico, o respeito pelas Nobres Nove Virtudes, assim como pelo conhecimento e aplicação do Havamal, para um nível elevado de relacionamento ser estabelecido entre os membros desses mesmos grupos.
   Da mesma maneira, recomendasse que se pratique e estude todos os conceitos presentes dentro da temática da Cosmogenese Germânica, assim como a estrutura de valores ligados a essa temática, e a aplicação prática e ética na vida de cada um dos membros.
   Pede-se a cada membro que esteja sempre consciente do uso reflexão e da racionalidade, para que as partes turvadas pela intoxicação monoteísta, possam ser substituídas pela expressão mais correta dessa Espiritualidade Germânica. E justamente é nisso que se enquadra o “Reconstritucionismo” dessa Tradição Pagã Germânica.
   Vemos assim, por conta de muitos dos detalhes acima,  que poderemos encontrar uma enorme variedade de derivações populares, que vão de músicos a escritores, que tem se usado como fonte de inspiração, justamente do Paganismo Germânico.
   Podemos citar a obra de Tolkien por exemplo, que declaradamente usou-se da Edda – assim como do Kalevala – para engendrar seu “...O Senhor dos Anéis...”.
   Podemos citar também artistas modernos, que em seus trabalhos ou cinematográficos, ou mesmo musicais, usam-se igualmente do tradicionalismo nórdico para criar e dar vazão a sua capacidade artística.
   Há algumas bandas de Folk Metal ou mesmo de Black Metal, por exemplo, que são especializadas nisso como é o caso da Ragnarock, Finntroll, Ensiferum, Otyg, Visntersorg.
   Também devemos citar, que mesmo as tradições populares ligadas ao “...folk – lore...” de cada povo, não conseguem escapar da contribuição do Paganismo Germânico, em meio a suas celebrações, por mais que estejam adulteradas pelo monoteísmo.
   Este é o caso das celebrações de Junho, as chamadas Festas Juninas no Brasil, onde é efetuada uma fogueira, e as pessoas dançam em roda a volta desta, e tem por hábito saltar sobre a fogueira.
   Tudo isso como reflexo das festas ocorridas no Fruma Lintha, a festa de Ana Midie Asans, do calendário Gothico.
   Ou mesmo a grande colaboração causada pela presença Visigoda, ao conjunto de leis e regras da Espanha como foi o caso do Liber judiciorum.


Nenhum comentário:

Postar um comentário