terça-feira, 9 de outubro de 2012

Contos Aesgardianos 2 - O Skhald e o Nadhr


O Skaldh e o Nadhr
( Por Aistan Falkar no ano 2006 da vulgar era cristã)


   Havia um local muito especial, onde qualquer um que estivesse em Paris adoraria estar.
   Este local ficava muito próximo do  “Les Deux Magots”, exatamente na mesma Saint Germain des Prés, apenas um pouquinho mais afastado.
   Ali pode-se beber o melhor café, com sabores elaborados, e provar do melhor croissant que alguém poderia esperar encontrar nas redondezas.
   Jean-Marry observava a sua volta com curiosidade, a expressão das pessoas que iam e vinham o tempo todo. Ficava pensando como podem estar tão concentradas em suas vidas, a ponto de parecer não darem sinais de que as pequenas mostras de decadência, que  estam a sua volta já as estejam engolfando.
   Um pequeno vislumbre em uma pequena quantidade de mulheres, por exemplo, mostraria que grande parte delas aderiu a moda dos últimos lançamentos de cosméticos.
   Havia uma campanha muito grande sobre um certo “Cream de la Cream”, a sensação do rejuvenescimento da pele, e uma verdadeira febre em todas as revistar e programas, por mais que estranhamente causasse um pequeno padrão de azulamento, quase imperceptível, e um ou outro especialista estivesse estranhando a apatia dos usuários.
   Os homens, estavam desaparecendo dentro de roupas de escritório, e lembravam muitas vezes fábulas sobre fantoches que sonhavam que se moviam por vontade própria.
   Mas apesar disso, o lugar continuava com seu encanto, e dir-se-ía que tanto ali, quanto em todos os outros locais frequentados por Jean-Marry, parecia que mesmo os acontecimentos recentes de choques urbanos, que aterrorizaram a nação, sequer eram comentados.
   Parecia aos que viviam nestes lugares, que ouviam falar de um sonho contado por outras pessoas, e nunca era com elas que nada disso acontecia.
   Tanto melhor, pois era opnião sua, que locais tão inspiradores jamais deveriam ser vitimados pelo alvoroço.
   Tudo isso estava passando pela sua cabeça, enquanto esperava pelo seu costumeiro dejejum, e aguardava seu contato.
   Após alguns minutos os croissants chegaram, e ao final do segundo deles, a garota apareceu.
   Não havia nada de especial em seu rosto, a exceção de suas maçãs serem muito vermelhas.
   E seu cabelo estava muito mau cuidado, coisa que de uma forma estranha combinava com roupa meio surrada que vestia.
   Era a antítese de qualquer revista de moda, e ainda assim possuía um talento para a música, como poucas pessoas que Jean-Marry havia conhecido, ou ouvido falar, nos últimos tempos (ou seja, desde a revolução francesa).
-          Como vai Senhorita Du Sagesse?
-          Ah, bem...Estou um pouco cançada, por não ter dormido direito. Estava um pouco preocupada, em como seria vir até aqui!
-          Tenho certeza que este desconforto passará rapidamente! Então junta-se a mim??
-          Desculpe, mas eu estava tão nervosa que acabei comendo algo antes de vir para cá!
-          Não precisa se desculpar. Está tudo bem.
   O que a garota via, em sua frente se chocava muito com o que pensava encontrar ali.
   Ela supunha que veria um senhor, meio rechuncudo, de barba, e cabelos meio brancos, usando roupas sociais para disfarçar qualquer constrangimento, sobre seu volume abdominal.
   Quanto as roupas, estava até meio certo, uma vez que estava impecavelmente vestido, para aquela hora da manhã.
   No entanto, em relação ao resto, não poderia estar mais errado.
   Jean-Marry, era alto, de cabelos castanhos claros, medianamente longos,  com um grande mecha branca a direita, e olhos de um violeta profundo, na verdade pareciam não ter fundo ao serem encarados diretamente.
-          Então, está pronta para começarmos os preparativos?
-          Sim, mas eu achei que demoraria um pouco mais. Achei muito rápido o modo de terem aceitado gravar!!
-          Bem, ouve um “dedinho” meu nessa história. Eu tinha, e tenho, certeza de que seu talento não deve ser desperdiçado, e assim eu falei com eles pessoalmente.
-          Ahh...Sim...Será que você não se apressou? Será que eu não me apressei? As vezes acho que fui com muita sede ao pote, e você só ouviu o que eu lhe enviei, ainda nem me ouviu cantar direito!!!!
-          Bobagem. Já disse que tenho certeza quanto ao seu talento.
-          Agora, façamos o seguinte então. As quatro horas da tarde, nos encontraremos no escritório naquele  endereço que lhe enviei no email, e lá fecharemos o contrato. Está tudo bem para você??
-          Sim, claro!
   E os olhos de Madelaine reluziram quando disse isso.
   Após mais alguns minutos de conversa, Jean-Marry acabou despedindo-se de Madelaine antes do que queria, pois algo passou a  exigir sua atenção com urgência, e pelo aspécto da melodia que sentia, sabia que iria a um compromisso bem menos agradável.
   Eram nove horas da manhã então, e garoava e estava frio, apesar de ser pleno verão.
   Foi ao topo do edifício ali perto, e dirigiu-se até os elevadores, mas ao invés de entrar em uma de suas portas, ficou parado entre as mesmas, justamente onde havia uma placa de bronze, onde se podia ler “...Em Honra aos maiores e mais Altos...”.
   Placa linda, um pouco destoante de todo o resto da decoração do saguão do prédio, decorado de forma moderna. Estranhamente nunca ninguém havia pensado em sequer mexer um milímetro a placa para outro local, ou mesmo encobri-la. Ela simplesmente sempre estava por alí, era vista, admirada, e uma vez ou outra algum decorador pago para mexer no lugar, pensava em retira-la mas desistia logo em seguida, e não era raro que sequer voltasse a lembrar-se dela depois.
   Jean-Marry tocou a placa, e neste mesmo momento o aparato de segurança passou a descartar sua presença, de tal forma que nem sequer aparecia nos monitores, e em momento algum era visto ou ouvido por qualquer outra pessoa. Na verdade, a partir do momento em que tocou na placa, não estava realmente mais ali.
   Por traz da placa, algo começou a brilhar em carmesin e índigo.
   Era um jogo intrincado de triângulos, que se formavam do jogo de cores, e se posicionavam de tal forma a parecerem dançar como se fossem dois triskeles girando concentricos, e na verdade está ticos formavam um valknot.
   Assim, esticou a ponta do dedo indicador direito, e moveu a curva de luz em carmesin, para a direita, fazendo a própria linha luminosa do Valknot, se mover junto.
   Isso fez com que o Valknot se abri-se, e revela-se um cojunto de 24 flocos luminosos, com marcações específicas, e que emitiam uma harmonia própria, cada um deles, dispostas como 3 círculos, um concentrico ao outro.
   Observá-los faria qualquer um querer compor um melodia épica, que poderia ir da melancolia a euforia, da trajédia a comédia, de acordo com o floco em forma de semente que mais fixa-se sua atenção.
   Um dos flocos chamava sua atenção.
   Não estava com a cor madripérola branda dos outros, na verdade estava parecendo com um turquesa.
“...Isso não é bom! A algum tempo estou observando a ampliação da cor desta ISA, e nos últimos tempos ela tem pulsado como um coração. Alguma coisa está desequilibrando a harmonia básica do sistema todo...”
   E pensando seriamente nisso, espalmou uma das mãos, e fez com que todas elas girassem um em sentido anti-horário, o outro em sentido horário, e o do centro em sentido anti-horário.
   Formou-se no centro do círculo interno do Futhark Luminoso, como resposta a suas questões, uma Runa Kennaz, e em seguida Lagus, e por fim a Isa brilhando como uma estrela de turquesa.
“...Lock??? E sendo ele mesmo, será que Ele está ainda em Midgard?...”
   Jean-Marry Vaolsungs, começou então a encerrar os acordes luminosos, e saiu de seu “escritório” como de costume.
   A única coisa os monitores registraram nesta hora, foi uma falha tal e qual estática, e o homem muito bem vestido, entrando nos elevadores.
   Foi até o último andar e seguiu pela porta lateral, que abrindo-se sem maiores entraves, mostrou o familiar heliporto do prédio.
   Ninguém estava ali, não que fizesse alguma diferença, não veríam de maneira nenhuma uma figura de Corcel semi Etéreo, que apareceu para saudar Jean-Marry.
   Ao vê-lo afagou sua crina, que não era crina, e montou sobre o Corcel, que não era um corcel, e tornando-se tão etéreo como este, voaram juntos para o Oeste, para outro continente, para o local onde talves respostas aguardassem por Ele.
  
*

   Se algum dia você estivesse olhando para um mapa dos estados unidos, e observasse a região de New Hampshare, ficaria surpreso com a quantidade de pequenas cidades que existem ali..
   O sistema de cartografia é tão eficiente que, se  por acaso estivesse interessado em saber sobre estas cidades, somente não saberia sobre uma delas, por menor que fosse, se ocorresse uma sucessão de fatores totalmente atípicos.
   Por exemplo, o técnico que fez os estudos cartográficos de forma tão zelosa, poderia ter dedicado um tempo muito grande para exemplificar que, especificamente uma cidade não é um pequeno adendo de outra, mas ele por algum destes infelizes acasos, poderia ter derrubado café sobre as  anotações referentes a esta cidade em questão.
   Poderia ser também que houvesse ocorrido um incendio em um cartório da capital, e que por causa disso não fosse possível saber que uma determinada área não está com a devida conformação, e que as cópias que estariam a disposição para uma emergência destas, mofaram no decorrer do tempo, em um setor onde somente aquela pasta foi assim tão afetada.
   E mesmo nestes modernos tempos de internet, pode ser que um vírus tenha causado uma pequena pane, e o traçado geral de uma área não tenha mudado, mas um pequeno detalhe acabou alterado.
   Paineville justamente foi agraciada por todas estas coisas combinadas, e mais uma maravilhosa população que é alérgica a estranhos.
   Se alguém aparecesse na cidade procurando por um habitante, sem que outra pessoa soubesse disso, ninguém lhe diria a casa, onde e como seria o local onde o habitante residiria, e nem se sua aparência corresponderia a qualquer das descrições dadas pela pessoa que está procurando.
   Dizem que isso tem haver com o fato de que uma quantidade muito grande de pessoas de Paineville, serem  estranhamente agraciadas com a incapacidade dos agentes do imposto de renda, em localizar a cidade, ou alguém desta cidade. Aliás é costume usar um  jargão em Paineville: “Paineville! Cidade onde os homens de preto não entram !” .
   Um viajante cançado de procurar corretamente o local teria que ter poderes divinos, para conseguir chegar até a cidade com certeza.
   Felizmente Jean-Marry estava no seleto “holl” das “pessoas”, que em Midgard podiam dispor disso.
   No entanto quanto mais se aproximava, mais difícil se tornava localizar a “pessoa” que procurava.
“Isso é muito estranho! Há algum tipo de efeito ocultando a aura de poder, e é considerável, pois até mesmo conseguir encontrar uma árvore frutífera para fazer as Runas e me oritentar melhor, foi trabalhoso!” .
   Manteve-se etéreo enquanto manuseava as lascas do galho de amoreira, que estava mais ao norte, da única árvore frutífera que encontrou após uma tediosa busca.
   Cortou-as, gravou-as, e cantando o galdhr particular de cada Runa, sagrou-as com algo que era  equivalente de sangue, que retirou de seu dedo com sua lâmina.
   Colocou-as dentro de suas “roupas”, e após entoar uma Kenningar a Galdherfathur e as Nornes, retirou as Runas na sequência necessária, eliminando as direções erradas, e sendo levado a uma direção que sentia compulsão por abandonar ou não seguir adiante, após considerar por alguns momentos, resolveu por-se a caminho por fim.
   Agora parecia fazer sentido, porque quanto mais caminhava, mais algo parecia lhe dizer: “Vá embora! Este lugar é desimportante, não há nada de útil aqui!” .
   Chegou a uma casa grande, muros altos e brancos, com uma árvore que de forma nenhuma era desta parte do continente.
   Etéreo, transpos o muro, e caminhou até um “homem” que estava deitado recostado ao tronco, sob a copa da árvore, com algo ao qual estava abraçado.
   Notou que o efeito que o queria longe dali, havia desaparecido por completo, e notou mais algumas coisas bem mais estranhas.
-          Lock???
-          Quem exstá aí??? Eu “num vejo” bem axim, a esta hora da madrugada!
-          Madrugada?? Lock, nesta parte do mundo são 11 horas da manhã!!! O que aconteceu com você???
-          Ah, a ixistória é loonngaaa!!! Eu bebo a ixxo!!!
   E pegou a garrafa, agora plenamente visível a seu lado, bendo largos goles de um líquido dourado semi transparente, e um odor inconfundível de mel invdia o local, enquanto movia a garrafa.
   Nesse momento Erick, que estava dentro da casa e havia sentido quando “algo” varou o efeito de “más vindas a visitantes”, apareceu a porta e caminhando em direção aos dois, disse:
-          Quem está aí??? Apareça ! Eu não consigo enchergar muito bem, mas sei que tem alguém falando com meu pai!! Quem é???
-          Então a história que me contaram é verdadeira? Você é incorrigível!
-          Xabe como é, não é??? Um dia voxe está andando e daí, acaba faxendo coisas.............
   Mais um gole de hidromel. E o mais curioso é que visivelmente não parecia suportar mais nem uma gota, era como se tivesse bebido o estoque de várias famílias, extrapolado a cota do que podia aguentar, e se obrigasse a beber mais.
   Jean-Marry olhou para Erick sem entendeder.
   Erick por sua vez, procurou explicar da melhor forma que podia a estranheza que havia ali.
   Após Wotan e Thor terem dito a Lock que ficasse no local e aproveitasse para conhecer seu filho, e viver com a família “SEM NUNCA ENFEITIÇAR A MÃE DE ERICK”. Lock tomou a firme inciativa de fazer 3 coisas que impreteríveis.
   A primeira era encontrar um local mais “confortável”, com alguns pequenos bens e outras doçuras, que tanto dão sentido a vida.
   A segunda coisa, era acertar sua relação com mãe do garoto, porque a mulher tinha um mau gênio violento, e era capaz de pensar em vingança durante séculos.
   A terceira coisa, era depois de um tempo saber como iam as coisas em Aesgard, e se ele mesmo poderia voltar, e quando poderia voltar, sem que alguém quizesse transforma-lo em lembranças do que sobrou do último massacre terrestre.
   Bem, a primeira coisa foi facílima.
   A segunda coisa, estava até o momento em um impasse.
   Por um lado, Lock consegui estar por perto e realmente manter uma ótima relação com Erick (o que é um fato que devemos colocar na categoria do chocante), e isso lhe dizia um pouco sobre a parte da natureza dele que em grande parte, veio a influenciar o engendrar do filho.
   Por outro, a mãe de Lock aproveitava cada momento que possuía livre para lembrar de como ele foi inconsequente, de como ele foi irresponsável, de como é possível que um homem que nunca saía para trabalhar, tivesse dinheiro para comprar aquela casa, e aquelas coisas, e de como isso somente poderia querer dizer que ele era má influência para o filho, e de como isso somente revelaria o pior tipo de atividade lucrativa que alguém poderia exercer, e que provavelmente ele acabaria em uma prisão levando o nome dela e de Erick para a lama,  e que se ele ousasse desaparecer outra vez ela jamais o perdoaria, e que falaria o que ele merecia ouvir, até que ela tivesse certeza de  que o havia punido o suficiente.
   E todos os dias parecia que suficiente era algo vago, indistinto, e extremamente distante, e ausente dos fios que as Nornes tecem.
   Isso até que poderia ser arranjado e resolvido, ele somente teria que sair de casa ou se transformar e alguma coisa, e dormir tranquilamente, até que pudesse ter certeza de que estava sozinho, ou na companhia do filho, e principalmente  a salvo da “morte por açoite aos tímpanos”.
   Mas quando organizou os materiais necessários para em Spaedr, poder “Ver” como estavam as coisas em Aesgard, ficou claro que o futuro era algo sombrio.
   Em todos os lugares que ia, seu nome era sempre lembrado, e sempre que seu nome era lembrado os episódios recentes também eram lembrados, e sempre que estes episódios eram lembrados, seu nome era acompanhado do esgar de ódio de alguma Walkurja, ou pelos relâmpagos de Donnar.
   Em dado momento, ao esgueirar sua visão em transe, foi visto por Frigga a silenciosa esposa de Wotan.
   Ela o saudou e deixou-lhe um aviso em pensamentos:
“...Hail Deus do Fogo! As coisas ainda estão sanguíneas por aqui, um tanto quanto intempestívas. Seria prudente que viajantes ausentes, continuassem ausentes, até que Freija e as Idisires pensem em parar de dar fio a suas espadas, proferindo Lock, ao final de cada passada de pedra de afiar!...”
   Ele fez uma mesura mental, e voltou sua atenção para o “corpo”.
   Quando, ainda em choque, deu-se conta de que deveria passar um tempo razoável em uma cidadezinha que ninguém sabia onde ficava, totalmente pacata, mesmo com sua presença estimulando pequenas e ocasionais “balburdias”. E que nas horas em que se cançasse de olhar para o mesmo enorme Freixo, nos limites da cidade, única coisa diferente para se fazer naquela cidadezinha (tirando-se os tediosos jogos de futebol que as vezes aconteciam, entre o time da cidade e o da cidade vizinha, Rosabal), e que estaria preso aos limites dela, dadas as doces últimas palavras de Donnar, em seu último e sutil encontro com Lock. E, pior do que isso, que estaria fadado a ouvir a mãe de Erick falar até seus equivalentes divinos de “ouvidos” sangrarem, ou até ele mesmo decidir tornar-se surdo nestas ocasiões (coisa que até tentou, mas a mulher aprendeu linguagem de sinais para se fazer entender, e usou uma frigideira).
   Então a resposta foi usar de muito Hidromel para adoçar a vida, ou mesmo até que ela mesma ficasse tão entupida de mel, que não faria diferença o cantar de um pássaro ou o matraquear assassino de Niwdred.
   Jean-Marry ouviu quase sem acreditar.
   Este castigo era até pior do que aquela desafinada serpente cantante, quando Lock se meteu naquela encrenca durante o banquete de Aeger.
-          Ora, vamos Lock!! Recomponha-se, nós temos coisas a discutir!
-          Coixas??? Oh, eu gosto de coixas! Coixas de galinha e de peru.......
-          LOCK!!!! Ahhh....Certo, Certo. Talves se você me ajudar, consigamos que a sua atual situação, digamos nada atraente, seja resolvida ou pelo menos suavisada.
-          Suavixada???Ah certo, eu vou axudar em tudinhoooo.....Assim que o mundo parar de girar.
-          Lock poderia ser nos próximos 5 minutos???
-          Tá bem, tá bem! Xó um momentinho equanto eu me enxugo por dentro.......Ohhhh, eu acho que meu extômago extá no lugar da cabexa.....
-          Quanto foi que ele bebeu afinal de contas???
   Perguntou a Erick, estranhando a demora para a sobriedade voltar a Lock.
-          Olha, eu acho que hoje foram umas 7 ou talves 8.....
-          Garrafas?
-          Não, não. 7 ou 8 Caixas de um hidromel que ele encomendou de Rhode Island, via entrega postal.
-          E eles fazem isso via entrega postal???
-          Bem, ele foi especialmente convincente, e os computadores acabaram colaborando solicitamente, para liberar a saída em seguida. A coisa chegou aqui no final da tarde de ontem.
   Depois de alguns minutos, Lock estava refeito.
-          Agora é sua vez. Não quero que Newdred tenha mais um motivo para tentar me matar de tanto falar, achando que fiquei louco conversando com algum amigo invisível.
-          Oh, desculpe, mas deve admitir que foi realmente uma experiência “única”!
   Aquele que até o momento era conhecido por Jean-Marry, tornou-se então materialmente visível e paupável.
   No momento em que se dirigiam para uma sala mais discreta para discutir seus assuntos, foram abordados pela mãe de Erick que havia acabado de voltar para casa.
   Ela não havia percebido exatamente as feições de “Jean-Marry” por causa da penumbra da casa, mas não se fez de rogada.
-          Que é isso? Por acaso algum colega da cosanostra?
   Mas antes de proceguir em sua eterna ladainha, ficou estática ao se aproximar e olhar diretamente para Jean-Marry.
   Mirou-o nos olhos sem fundo, de um Violeta não natural, e por algum motivo passou a esquecer que odiava Lock, ou mesmo que se lembrava de Lock.
   Ficou tão exultante, que subiu para seu quarto, e de lá foi para a banheira, cantarolando canções antigas.
-          Oh!!! Que os Skaldhs sejam louvados por toda a eternidade!! PAZ, PAZ, PAZ!!!
-          Bem, ela parecia não estar se sentindo muito bem, então eu supuz que a ela e a nós não faria mal, que lembranças agradáveis da adolescência, despertassem uma antiga tendência a cantar por horas no banheiro.
-          Eu nunca vi minha mãe cantando! Mas agora que eu ouço, acho que prefiro os resmungos. Como ela é desafinada!!!!
   Isso realmente levou os três a rirem.
   Ao chegarem a uma sala, na enorme casa de Lock, sentaram-se de frente uns para os outros, e puderam colocar as coisas em dia.
-          Bem vamos começar com as apresentações, de forma devida! Este é meu filho Erick!
-          Prazer, Jean-Marry Vaulsungs!
-          Ah!! Que é isso??? Por favor, apresentações corretas sim??!
-          Desculpe Lock, é a força do hábito. Depois de tanto tempo usando o nome, acabamos nos acostumando com ele! Meu nome é Bragi, Erick, sou o Deus dos Skaldhis!
-          Ah, isso explica um pouco a situação da invisibilidade! Mas o que você veio fazer aqui?
-          Detectei no meu “escritório”, por assim dizer, uma alteração violenta no equilíbrio de energia que rege Midgard. A harmonia estava escoando para ISA.
-          Esquisito? O que você supõe que seja???
-          Bem, eu pensei que Lock poderia me dizer! Afinal as Runas apontam para este local e o seu envolvimento!
-          EU??? Porque sempre eu, será que vão me culpar também pela queda de cabelos de Sif???
-          Lock, você foi o responsável pela queda dos cabelos de Sif lembra????
-          Ah, é mesmo!!! Aham-Aham.....Voltando ao problema, o que você sugere?
-          Descreva-me o que aconteceu por aqui a pouco tempo.
   Lock e Erick contaram em detalhes tudo o que ouve.
   Bragi não podia acreditar que alguém fizesse tanto estardalhaço, e se metesse em tal situação calamitosa, para tão atrapalhadamente conseguir encontrar alguém. Mas por uma questão de polidez, manteve seus pensamentos para si.
   Ao final do relato, pôde tecer alguns comentários.
-          Parece que o uso do Mjollnir em Midgard, somado aos eventos do Braço do Jotun, gerou um desequilíbrio.
-          Ummm....E o que isso poderia ter causado? Lembro-me claramente, de que Donnar cuidou para que o braço fosse exterminado. Algo mais de Ymir poderia estar a solta por aí?
-          Não! Parece ser bem diferente de um Gigante de Gelo. Eu diria que pode haver a possibilidade de que o Mjollnir tenha causado uma fenda, tendo sido usado com tanta força em uma mesma região. E que talves algo que não é daqui tenha passado.
-          Como é que isso funciona? Desculpe atrapalhar a conversa de vocês dois, mas talves eu pudece ajudar se me exclarecessem melhor!
-          Bem filho, funciona mais ou menos assim. Tudo tem um fluxo, e este fluxo leva um grande grupo de coisas a sua vonte, e leva a essência dessa coisa a um grande grupo de coisas. Há o Nove Mundos, como já lhe disse, e há Seres, Coisas, Deuses, Deusas, Jotuns, Swartalfs e Hossalfs, entre outros seres que a mente humana sequer entenderia. As Runas são a essência das coisas, e podem nos dizer muito sobre o balanço de energia, a Harmonia como disse Bragi.
-          Então, sendo assim, vocês concluíram que algo forte o bastante para desequilibrar tudo em direção a um ponto, conseguiu passar para este Mundo?
-          Mais ou menos isso!
-          Agora Bragi, diga-me tem uma idéia do que pode ser???
-          Não sei! Só sei que é Frio e muito forte.
-          O que devemos fazer então?
   Bragi propôs que Lock e ele se encontrassem no dia seguinte, para poder sondar os possíveis locais por onde a possível “força”,  poderia ter passado para Midgard.
    Não havia muito tempo para despedidas, uma vez que ele mesmo possuía um compromisso para dali a 2 horas, com Madelaine, e assim dirigiu-se para o jardim, onde antes havia um Lock bêbado recostado a uma rara árvore de  pau-brasil, totalmente amarelada em seu único e rápido florescimento durante todo o ano.
   Ali, apenas trocou algumas palavras com Lock, depois de despedir-se de Erick.
-          Peça a Erick que não se oculte de mim, senão perderei tempo precioso tentando não desistir de vir para este lugar.
-          Incrível não é mesmo?? Tão novo, e já consegue induzir até mesmo os Deuses!! Ah, isso  me faz sentir orgulho!!!
-          Furtividade! A Sua Furtividade! Foi isso que você gerou com a mãe dele,  não é?
-          Bem, ele é tão polido e bem educado que poderia aplicar um golpe de estado e passar despercebido como alguém inocente, ou a última pessoa em quem pensariam como culpada! Acho que você tem razão.
-          Muito bem! Então amanhã nos encontramos em Paris, na Saint Germain des Prés, no café Le Liberte, as Nove Horas. Está bom para você???
-          Para mim está perfeito!!!
   E ao dizerem isso um ao outro, Bragi chamou por seu “Corcel”, e voou etéreo pelos ares, em seguida.
   Lock por sua vez, pensou e considerou as circunstâncias.
   Então decidiu investigar por conta própria.

*
  
   O “Homem” conhecido por Jean-Marry havia chegado mais cedo do que de costume no Le Liberte.
   Estava com a mente cheia com os eventos do dia anterior, não tanto pelo que acabou conversando com Lock, mas também pelo que a Senhorita Du Sagesse troxe consigo para o encontro.
   Avaliava com cuidado os fatos desde que se despediram, após assinar o contrato, na sala alugada no mesmo prédio em que seu “escritório” se encontrava, remechia a pasta marrom ao seu lado, onde o “objeto” estava guardado, mas não ousava mexer nele antes de Lock aparecer.
   Quando já haviam passado mais de 20 minutos do horário combinado, um “Homem” de cabelos castanhos avermelhados, aparentemente trajando roupas escuras tipicamente usadas por gothicos, sorridentemente veio caminhando até sua mesa.
-          Olá Bragi! Como está?
-          Aborrecido.
-          Desculpe o atraso. Mas foi pelo melhor dos motivos, acabei descobrindo coisas esquisitas por minha conta ontem, após nos despedirmos.
-          É mesmo? Ocorre que o mesmo se deu comigo! Agora díga-me, a algum motivo para estar vestido assim?
-          Ah, isso faz parte dos pequenos contratempos que tive!! Então quem fala das novidades primeiro?
-          Bem, é melhor que eu comece. Tem algo aqui que quero que você olhe!
   E pontando para a pasta marrom, abriu-a revelando um minúsculo sache.
   Lock abriu-o, observou o conteúdo, analisou-o, e com uma careta de estranhamento, olhou inquisitivo para Bragi.
-          Bem. Como você sabe eu estava com um compromisso marcado para ontem, e por isso não fiquei na sua agradável cidadezinha, para avalirmos juntos a situação.
-          Não comece com isso!!! Não estou com humor para lembrar-me de nada, que sequer faça menção a New Hampshare.
-          Certo, certo. Mas, como eu dizia, uma talentosa jovem com quem estou tratando de negócios, estava de posse “disso”, ontem até que eu pude gentilmente interferir.
-          Você ainda está com aquela sua mania de apadrinhar Skaldhis?
-          Não é exatamente apadrinhar, Você sabe! Eu apenas cuido dos interesses deles, os encaminho, e cuido para que sejam cantadas canções em honra a beleza, e de vez em quando, nos momentos em que é mais oportuno, em memória a Aesgard!
-          Sei como é! Fiz muito disso no mundo antigo, lembra-se de quando eu instruí de forma magnifíca as pessoas sobre as antigas histórias?
-          Não! Do que extamente você está falando????
-          Ora! Você deve se lembrar de que Eu soprei ao olvidos de muitas pessoas, como o Snorri por exemplo!!!!
-          Snorri? Snorri? Se você está falando da vez em que enganou aquelas pessoas que escreveram a Voluspa, com aquela história do “Crepúsculo dos Deuses”, ou das “escorregadas” em que Snorri descreveu Donnar como “Rei da Trácia e pai de Wotan”, sinceramente eu fico perplexo com seu senso de,...,“encaminhamento”!
-          Ora vamos! A vida não pode ser somente o trabalho, ela tem que ter seus momentos de diversão! Já imaginou o horror do tédio de Aesgard, se eu não desse minha contribuição de vez em quando?
-          Quanto ao tédio, não discordo. Mas quanto a Snorri, eu me lembro que tive que ficar de prontidão linha a linha para corrigir, dar atenção, e por fim colocar um toque de “originalidade”, para que o “caldo não desandasse”, da mesma forma como foi com o triste caso bardico. E mesmo assim, o pobro homem ficou tão confuso, que “seu toque instrutivo” acabou sendo a marca registrada de Snorri em toda a Edda!!!!
-          Aham.....Bem, vamos então a sua parte!
-          Certo!
   Bragi então contou a Lock, que ao encontrar-se com Madelaine logo ao vê-la notou algo de apático nela.
   Estava inexpressiva, o que já era estranho por si mesmo já a garota normalmente era eufórica. Além disso seu rosto movia-se pouco ao falar, e não parecia dar mostras claras de que realmente estivesse se importando com o que estavam por tratar. Na verdade parecia estar desconectada de tudo a sua volta.
   Bragi perguntou se estava bem, e a única resposta que a garota lhe deu foi de que não se sentia ela mesma.
   Quando Ele pediu que a garota lhe dissesse o que se passou durante as horas em que se separaram, ela disse que estava tudo indo bem, e que estava até meio descuidada como sempre, e estava feliz – como não poderia deixar de ser em uma situação como está. Então foi para sua casa, e organizou suas coisas, e ao aproximar-se do horário combinado, banhou-se e vestiu-se.
   Contudo ao sair de casa, foi abordada por uma pessoa a sua porta, que estava com saches promocionais da mais nova reviravolta da industría de cosméticos.
   A garota, estranhamente robótica, afirmou que o produto daria resultados imediatos, e que mesmo que ela não possuísse nenhuma ruga, se o usasse não teria nenhuma forma de envelhecimento facial, e que o produto era cem por cento garantido em sua eficácia, causando entre seus muito benefícios o relaxamento facial e efeitos nos neuroreceptores, de forma que as desagradáveis causas do desgaste e envelhecimento,  fossem combatidas.
   Madelaine nunca deu muita atenção a esses “mambo-jambos” que são do mesmo tipo das receitas mágicas para emagrecimento.
   Mas ela estava nervosa demais com o encontro, estava especialmente “produzida” para a ocasião - o que no caso dela, pelo jeito simples com o qual sempre parecia estar vestida, significava um pouco mais de maquiagem, e brincos maiores. E assim ela acabou deixando seu nome, para envio da mala postal e das promoções dos produtos da empresa, e recebeu dois pacotes do sache do famoso “Cream de la Cream”,  em troca.
   Colocou um deles na bolsa que estava usando, e abriu delicadamente o outro. A embalagem índigo, revelou então dentro de si, um tipo de gel que possuía uma fosforescência bem leve – o que já era estranho – ao ser mantida dentro da embalagem, ao abrigo da luz.
   Os saches, que eram não maiores do que um polegar, eram exatamente uma porção para o rosto.
   Quando colocou na ponta dos dedos, sentiu um formigamento estranho que era similar a tocar a tela de um televisor recentemente ligado.
   Ao passar o produto na face, sentiu o mesmo formigamento, algo que lembrava uma garoa fria na pele, e a musculatura facial fixando-se, e pensou que talves  o produto imitasse botox.
   Depois começou a caminhar em direção as cercanias do “Les Deux Magots”, sentindo como se estivesse flutuando.
   Estava em uma calmaria inacreditável, comparada a euforia em que estava até a pouco.
   A calmaria penetrou então em sua mente, cada vez mais fundo, e então quando chegou até Jean-Marry, estava já da forma em que ele a via.
-          Escuta! Se isso é vendido por aí, como é que não foram atraz da empresa que produz o cosmético? Deve haver alguém reclamando não é mesmo?
-          Não que eu saiba, e pelo que sei este produto está sendo vendido a alguns meses e virou uma febre, não só na França.
-          Com pode?
-          É simples. A garota que encontrou-se comigo aqui, disse duas vezes quando pedi para ver o “sache”, para que eu tomasse cuidado,por que ela não sabia se lhe mandaríam mais, ou se haveria nas lojas. E mais, ela comentou que: “não entendia como é que até aquele momento, não lhe havia passado pela cabeça usar algo tão bom, e tão útil”.
-          O que você fez então?
-          Pedi um capuccino para nós dois. Ela foi inicialmente reticente quanto a bebê-lo, nas eu acabei convencendo-a, fui solícito e inclusive “mexi” o capuccino para ela, e o “adocei ao ponto”. Depois disso, ela parecia estar mais corada, e mais bem disposta. Conversamos, levei-a então para fecharmos um contrato, e enquanto ela lia as cláusulas deste, eu “alivie sua bolsa de um peso desnecessário”.
-          VOCÊ ROUBOU??? Que tempos tão terríveis são estes, quando o Deus dos Skaudhis comete estes atos reprováveis e horrendos! Oh, que coisa assustadora! Estou chocado!!!
   Os dois Deuses ríram muito disso.
   Bragi inclusive havia colocado um “gatilho” no inconsciente de Madelaine, de forma que ela criasse aversão pelo produto ou seus similares.
-          Agora Lock, conte-me sua parte!
-          Bem. Quando nos despedimos ontem, eu conversei com Erick e pedi a ele que tomasse conta de sua mãe, e que tomasse cuidado, porque o que estavamos por fazer seria muito perigoso. Então, eu fui até o local onde haviam acontecido os “probleminhas com o Martelo de Donnar”, e comecei a procurar.
-          Encontou alguma coisa Lock???
-          Não ali. Mas notei que realmente havia alguma coisa, vestígios, fluxos,  de algo  que incrivelmente ainda mantinha suamarca apesar do tempo, e parecia ter se arrastado pelo chão, a julgar pela emanação do terreno,  e depois ido em direção Nordeste . Daí em diante a coisa parecia ter sumido completamente.
-          E então?
-          Eu saí em linha reta, na forma de um mosquito, e demorei um pouco até que cheguei até os limites da cidade com a cidade vizinha, Rosabal, e ai as coisas ficaram realmente esquisitas.
-          O que encontrou lá?????
-          Haviam pessoas, como em toda parte do mundo. Mas as pessoas daquela cidade, pareciam estar mais mortas do que vivas. Não ví nenhuma criança, em nenhum lugar brincando, ou fazendo o que quer que fosse. E os adolescentes andavam nas ruas, em blocos sem se falarem, ou sem fazerem suas notórias demonstrações de overdose de hormônios.
-          Algo mais??
-          Sim! Anciãos que eram doentes e franzinos, como em muitos lugares, contudo sem nenhuma única ruga em suas faces! E se fossem observados com atenção, pareciam dar a impressão de que a tonalidade da pele estava meio adoecida, quase como uma coloração anti-natural.
-          Como se fosse um tom “azulado”, não é assim?
-          Isso! Exatamente! Como você sabe?
-          Um pouco porque já ví algumas pessoas com esse aspecto. E um pouco porque este sache está com o endereço da fábrica do produto.
-          Rosabal???
-          Pois é!
-          Raios!!!!!!! De volta a New Hampshare!!!!!!

*

   A um ano e meio atraz, o senhor Gaston Madroux, estava dirigindo a esmo seu carro pelas estradas ao norte da Costa Oeste dos Estados Unidos.
   Haviam sido tempos duros aqueles.
   Ele havia sido informado de que sua útima tentativa de empréstimo havia sido recusada pelo banco, e seus credores como os bons abutres que eram, já estavam sabendo disso antes mesmo do que ele, e pouco depois de se desesperar com o pomposo “...Não conseguimos tratar disso devidamente. Talvez em uma próxima oportunidade!...”, que o gerente lhe deu. Teve que lidar com o telefonema de dois dos advogados que já “queriam decaptá-lo e pendurar sua cabeça em praça pública”.
“...Ei! Olhem ali é o Gaston, o “alien” burro demais para ficar em sua casa na França!...”.
“...Vejam como  faliu o francês!...”.
   Os adoráveis “gracejos” dos nativos de Rosabal,  passavam-se em sua cabeça, repetidamente, como um eco incessante e desagradável!
   Povo deplorável e mau agradecido!!!
   E depois de todo o sacrifício que Gaston fez, ao apostar tudo o que tinha em uma pequena empresa de cosméticos, naquela região.
   Sua mulher o avisou de que era mau negócio, mas ele tinha uma intuição de que poderia a coisa dar certo. Tudo o que precisava era um bom produto e alguma propaganda, e muita mão de obra barata.
   O local oferia uma dessas coisas, as outras ele supunha como conseguir.
   E assim, depois de alguns empréstimos pesados, compras de máquinas e matéria prima, e o emprego de todas as suas economias. E tendo a ele mesmo como “químico responsável”, começou a trabalhar no produto que seria seu carro chefe incial.
   Descobriu algumas essências que combinadas com gordura, eram fabulosas para rejuvenescimento facial, tal a aderência e absorção resultante do contato com a pele.
   Mas havia um incoveniente. As tais essências regeitavam gordura comum, e não ficavam como ele gostaria que ficassem com o uso da gordura vegetal. E nem mesmo poderíam ser usadas como um “líquido” comercializável, pois o material se decompunha rapidamente quando isolado de um agente condutor.
   Sabia que se pudesse resolver isso,  teria uma mina de ouro nas mãos.
   Com o tempo passando, as primeiras contas chegando e o dinheiro diminuindo, Gaston começou pensar em usar as soluções mais “absurdas”, e um belo dia, ao observar um velha revista médica que comentava sobre lipo aspiração e gordura localizada, descobriu a solução de seus problemas.
   Foi um pouco difícil  mas encontrou um “fornecedor”. Testou as essências combinadas com sua nova “matéria prima”, e observou satisfeito a mistura se combinar e exalar a fragrância do sucesso.
   O dinheiro estava finalmente começando a entrar, algumas contas já estavam sendo pagas, as pessoas viam possibilidades grandes em relação a firma de Gaston.
   Sua mulher, que havia se apaixonado pelo conteúdo do “bolso” de Gaston antes de mais nada,  como ele próprio o sabia, chegou até mesmo a elogiá-lo e a pedir um pouco do produto para si mesma – coisa rara, já que ela anteriormente havia declarado que somente se tivesse um derrame cerebral, permitiria que qualquer coisa feita por Gaston tocasse em sua pele.
   Então o pessoal do governo veio, e fez perguntas.
   Eles investigaram, e acabaram chegando até um grupo de clínicas de operação plástica, e a alguns funcionários que pareciam não saber o  motivo pelo qual os degetos gordurosos retirados dos pacientes, pareciam estar desaparecendo antes de serem recolhidos pela empresa contratada para isso (empresa esta que os agentes do governo acabaram descobrindo, estar estranhando a diminuição da retirada de materiais, já que as notificações de quantidades retiradas não batiam, com as quantidades que eram solicitadas a retirar).
   Não foi difícil chegar a alguns funcionários do turno noturno, que pareciam estar sempre presentes para assinar os documentos, e liberar a saída do procudo apesar do horário estranho, e que pareciam estar mais contentes do que o restante de seus colegas de turno de trabalho.
   Pediram “agrados” para se manterem silenciosos quanto aos detalhes.
   Gaston, que havia acabado de conseguir pagar suas primeiras contas, pediu que esperassem até que o produto gerasse lucro, e assim eles os “compensaria”.
   Riram do sotaque dele, riram da proposta, e em suma, riram de Gaston.
   Daí em diante, facilmente podemos prever o que veio a ocorrer.
   Mas o pior foi a reação de Grace, sua esposa.
“...Banha! Você me fez esfregar banha no rosto? Seu demente! Você jogou fora a única coisa de valor que tinha. E agora o que vamos fazer neste fim de mundo? Mendigar para a cidade debaixo de uma ponte?...”
   Depois disso, ficou quieta, e alguns dias depois sumiu.
   Gaston imaginou que um dia isso acontecesse, mesmo se não tivesse vindo para os E.U.A. . Sua mãe o avisou sobre os interesses de sua noiva. Seus parentes o avisaram que estava entrando em endrenca. Somente seus amigos nada disseram, e isso porque Gaston nunca teve nenhum amigo.
   Seu primeiro sinal de vida, após o sumiço,  veio após duas semanas com o telefonema de dois advogados,  com o pedido de divórcio, e a costumeira problemática disso tudo, ou seja, a venda do único bem que restou depois do “massacre”, uma jóia de família que a mãe de Gaston lhe deixou, somente para o dia em que se casasse, e que não poderia ser alienada de Gaston para o penhor, por causa de condições ligadas ao acordo pré-nupcial.
   Em resumo, venderia a “Tiara”, daria metade para Grace – um bom dinheiro na verdade - e a outra metade para os credores, sendo que ainda sim haveria o problema do processo criminal.
   Marcou com Grace e seus advogados, para o começo da noite em sua casa em Rosabal.
   Na verdade seu plano era simplificar as coisas para todo mundo.
   Matar-se-ia na frente dela, e as coisas se resolveriam facilmente, porque ao que constasse a Gaston, não havia ninguém neste mundo que viesse a sequer lembrar-se dele, ou com ele se importar.
   Parou o carro nos limites da Cidade com uma outra cidade pequena, que as pessoas pensavam normalmente que era um prolongamento daquela, ou mesmo um apêndice de Bangor.
   Pensou em tudo o que lhe aconteceu até aquele momento.
   Pensou no fato de que era pequeno, que agia de forma pequena, e como um pequeno verme, em breve, seria pisoteado por animais predadores maiores e mais importantes.
   Ficou realmente irritado pela primeira vez em sua vida, e então sacou a arma que trazia consigo e encostou o cano dela no canto direito da cabeça.
   Era já o final da tarde eo  sol estava se pondo, e ele podia observar as árvores próximas, a grama, e a uma certa distância um pequeno roedor correndo em direção ao sul.
   Tudo normal no escurecer daquele dia, tão horrível quanto tantos outros.
   Tudo exatamente igual, em uma vida horrível exatamente igual.
   Menos em uma coisa.
   A uma pequena distância de Gaston Madroux, em uma moita, havia algo azulado agarrado a um arbusto, e fitava-o com algo que imitava uma cabeça, onde a distância se poderia supor que haviam dois pequenos espelhos no que parecia ser uma face.
   Na verdade, Gaston supunha que o que via era apenas uma ilusão produzida pelo estresse, coisa até bem normal para sua situação.
   Chegou perto da “esquisitice” que via, e pôde contemplar a coisa mais estranha que já havia visto em toda a sua medíocre vida.
   Era prolongado e esguio como uma serpente, mas haviam pequenas estensões espalhadas por seu corpo, e o mais esquisito é que não ficavam fixas, como por exemplo os tentáculos de um polvo, o ponto em que o “talo” das extenções tocava no corpo, se movia fluídicamente pela estensão do corpo serpentiforme da “esquisitice”.
   A cabeça lembrava uma serpente, e havia uma boca constantemente babante,  e grandes dentes, para algo que não media mais do que 50 centímetros de comprimento, e não mais do que a largura de uma cenoura,  em seu julgamento.
   E os olhos eram como espelhos, e pareciam ser luminiscientes, ms luminiscentes do que a “coisa” era, já que o sol havia se posto a muito tempo, e agora podia ver com clareza que “aquilo” emitia uma luz fraca.
  Devemos entender que somente um homem que já não tem esperança alguma, e que está julgando que começou a ficar louco devido a pressão de seus problemas, chegaria a menos de Dez Metros de algo assim.
   Quando Gasto olhou no que para ele pareciam ser olhos, parecia que ouvia algo em sua mente:
“...Não entendo....Onde estão os  Elivargr?...”
   Enquanto pensava sobre o novo sintoma de sua recém descoberta esquizofrenia, Gaston sentiu algo estranho, como um compulsão irresistível, e essa compulsão lhe causava arrepios.
   Pegou a “coisa” em sua mão, e imediatamente o braço adormeceu e não mais o obedecia, parecia que estava dormente por ter dormido com ele levantado, e não haver mais sangue suficiente nele.
   E para seu total horror, viu sua mão levar lentamente e sem o menor entusiasmo a “esquisitice” para sua boca, apesar dos protestos e das tentaticas de detê-lo usando a outra mão, que apesar de tentar empurrar a primeira,  já não o obedecia como antes.
   Sentiu quando a coisa tocou em seus lábios, fria como uma pedra de gelo.
   Sentiu quanto os tentáculos, pareciam desprender líguidos onde tocavam, e sentiu o quimar frio do fluído que a “coisa” babava o tempo todo, tocando em sua língua, em seguida em sua garganta, e contrariando o sentido que normalmente tudo que ingeria fazia, somente uma parte da “esquisitice” parecia estar descendo e passando por sua glote.
   Sentiu os tentáculos se fincarem nas paredes de seu palato, e depois impulsionarem o que parecia para ele mesmo ser a cabeça da “coisa” para cima.
   Ele queria gritar, mas convulsionava e movia os membros erraticamente, doia cada coisa que lhe era feita por “aquilo”.
   Doia profundamente, todo o calor de seu corpo o estar abandonando.
   Doia profundamente, o que lhe pareciam ser os tentáculos esticando-se por seu corpo por dentro, e se afilando e se multiplicando.
   Mas doeu de forma indescritível, cada um e todos os momentos em que tocaram sua coluna e ali se cravaram, e espalharam então um frio inacreditável a partir dali que o invadia  milimetro a milimetro.
   E na verdade, o pior de tudo isso, era estar consciente o tempo todo, e nada poder fazer para impedir.
   Se pelo menos morresse o suplício passaria.
   Sim, essa idéia que tanto acalentava e que o levou até ali, para passar seus humilhantes e talves piores momentos finais, era a única coisa a qual se agarrava naquele momento.
   No entanto, começou a sentir algo se movendo por dentro de sua cabeça, e se fixar fortemente.
   Se é verdade que o cérebro não sente dor, isso eu não posso dizer, mas uma coisa eu poço.
   Gasto Madroux gritou, gritou e gritou!!!!
   E havia um terror tão intenso, talves o último ato pessoalmente solitário de sua pequena vida, que parecia o desesperante grito de despertar para a vida que um recém nascido dá, ao sair do ventre de sua mãe.
“...Será que eu morri? Não sinto mais nada, e está tudo escuro!!! Espere está começando a clarear. Sim! Estou vendo, é um bosque. Mas espere é o mesmo bosque onde eu estava. E Meu Corpo, sim eu o sinto, mas não estou com frio, na verdade está tudo até que muito quente. É até desagradável. E onde está aquela “coisa”, será que delirei? Será que finalmente estou louco? E porque as coisas estão tão claras e luminosas?...”
-          Estou aqui!
“...Quem está falando? E porque a voz parece tão familiar? Aliás, porque eu só consigo pensar?...”
-          Só há vida nesta casca, porque deixo!!!
“...Ah, Gaston, você é um verme sem sorte mesmo!! Muito bem, será que pelo menos posso pedir para você, “o que quer que seja”, termine logo com minha estúpida vidinha?? Porque não me responde?? Não está usando minha voz??? Não pode ler meus pensamento??? Qual o problema?? Você já tem o meu corpo, não vai me matar???????...”
-          Onde é aqui??? Não gosto daqui! O que é aqui???
“...Como? Você não está me ouvindo??? Porque afinal de contas me fez te engolir???? O QUE VOCÊ QUER AFINAL DE CONTAS????????...”
-          Não entendo? Tudo aqui é errado!!!!!
“...Compreendo! Você não tem a menor idéia de onde está. E agora está em mim, que já ia me desfazer de minha vida desagradavel, agora mais desagradável, porque sente-se mais seguro!...”
-          Ssssim!!!
“...Eu poderia lhe ajudar. Dar umas sugestões por onde começar, se você quizer...Por exemplo, você poderia melhorar sua dicção, aproximá-la mais da minha, somente para disfarçar um pouco. Passaria despercebido melhor sabe??...”
   E Gaston sentiu um enorme desconforto, como algo mexendo por dentro, do lado esquerdo de sua cabeça, e depois alguma outra coisa revirando o lado direito dela.
   Em seguida ouviu a “coisa” falando com sua voz, e quase no mesmo tom dele mesmo:
-          E o que você poderia me dar, que eu não posso retirar de suas memórias?
“...Bem posso lhe aconcelhar para que não se meta em encrancas como eu mesmo, afinal é um mundo perigoso, diferente, tudo aqui é difícil, e além disso tem pessoas esperando para roer os nossos ossos em cada esquina...”
-          Talves você seja mais útil do que parece ser.
“...Um acordo então???...”
-          Sim! E o que você quer barganhar, em troca de seus “conselhos”?
“...Bem, inicialmente resolver algumas coisas com algumas pessoas. Aliás Eu, isto é, Você, está atrazado para este encontro em particular. Seria interessante apresentar algumas das “mesuras” a elas, as mesmas que me apresentou a pouco, e dar um tratamento especial a uma delas em especial. E talves ter um pouco sensibilidade física, durante esses momento, e em alguns outros...”

*

   Voando nos céus, em meio ao Oceano Atlântico, em direção a New Hampshare, dois Deuses sobre uma Montaria Divina, étereos, estavam discutindo os estranhos dados que haviam coletado,  sobre o problema que possuíam em suas mãos.
-          Então?? Não vai me dar o prazer de ouvir os motivos pelos quais o Deus do Fogo, está usando trajes tão melancólicos???
-          Bem....Você se lembra quando Eu disse que havia tornado-me uma mosca, e estava observando a cidade?
-          Sim, claro!
-          Acontece que por onde quer que eu fosse, as pessoas pareciam ficar mais incomodadas do que o normal comigo! E estranhamente sabiam onde eu estava, por mais que houvessem outras moscas a minha volta. Aliás, devo ressaltar que foi terrível convencer os machos, de que eu não era uma fêmea em condições reprodutoras!!
-          Sei! E o que aconteceu em seguida???
-          “Inseticídio”!!!
-          Como???
-          Inseticídio, eu já disse!!! Apareceram bem umas 9 ou 10 pessoas, armadas com todos os tipos de repelentes e venenos Spray. Até uma senhora com duas caixas de papel pega mosca, que começou a espalhar em tudo. E o pior é que quanto mais eu ficava ali, mas gente aparecia. Chegou ao ponto de que eu tive que mudar de forma, e assim tornei-me uma coisa mais bonitinha, afinal eles provavelmente deveríam estar apenas com alguma fobia exagerada por insetos voadores.
-          Certo, certo, agora que tal ir direto ao ponto........
-          Calma, tudo tem haver com estas roupas que estou usando. Virei então uma borboleta azul, linda e suave, e pousei sobre uma flor para disfarçar. E este foi o meu erro. O sujeito que estava mais próximo de mim, se contorceu como se sentisse dores, e com uma expressão vazia jogou seu boné em cima de mim. Por um buraco no boné, ví que estavam me colocando sobre uma pedra, e que estavam erguendo uma pedra exageradamente grande para matar uma borboleta. Então eu me transformei em um Cão, um Dalmata, e rosnei para todos!!!
-          Então eles fugiram certo???
-          Não. Estavam se contorcendo todos eles, e com aquelas “faces expressivas de museu de cera”, avançaram para cima de mim, com pedras e paus nas mãos. Houve quem aparecesse com uma pistola. Corri e me disfarcei como um dos Muitos Velhos estranhos da cidade, e projetei-me para traz do grupo. Na mesma hora, pararam de andar em direção para o ponto em que eu havia sumido, em minha forma de cachorro, e avançaram para cima de mim. Cheguei a ser alvejado pela arma, felizmente sou rápido como uma bala, forte como uma locomotiva, e capaz de saltar sobre altos prédios em um só pulo.....
-          LOCK!!! Vá direto ao ponto, você está se enrolando todo!
-          Certo, certo, calma, calma...Daí ví uma Van, parando com outro grupo de jovens de peles pálidas, rostos com pó de arroz, e roupas pretas. Estavam meio bêbados e aparentemente perdidos. Pareciam que iam em direção a algum Show e haviam se perdido. Projetei-me para o meio deles, torcendo para que não notassem mais um em meio ao “bando”, e para ter certeza de que me passaria melhor por eles, realmente me vestí com as roupas que estavam dentro da Van. Coisa da qual me arrependo até agora, cheiravam a algo azedo e velho.
-          Sei, e daí???
-          Bem, os “alegres cidadãos” de Rosabal, tentaram passar pelos nada alegres, porém investidos de mais atitude, grupo de jovens. E ouve uma jovial discussão, com algumas trocas de socos, contra corpos que mal se moviam para se defender. Na verdade quase não ligavam, pareciam estar realmente querendo matar somente a mim.
-          Entendo!!!!! Isso denuncia uma parte do que exatamente está em Midgard, e talves do que estejamos por enfrentar. Imagino que tenha sido  melhor manter-se oculto, do que ter que fazer alguma coisa para chamar atenção, não é mesmo???
-          Sim! Eu me escondi durante a confusão e saí dali, me converti em uma vespa com tanta pressa que as roupas vieram no pacote. Daí eu vim até aqui, como combinado!
-          Certo! Agora vamos dar uma olhada em Rosabal!
-          Tudo bem,  mas como vamos entrar na cidade, sem chamar a atenção, para investigar e dar um jeito na coisa toda, se cada vez que eu coloco os pés ali, as pessoas pensam que são “Norman Bates”, e que eu sou a mãe delas??????
-          Você não vai!
-          Não?????????
-          Não!!! Você vai pegar um pouco da casca daquela sua “Árvore quase extinta” que não deveria estar no Hemisfério Norte do continente, e vai gravar nela um “aviso”.
-          Oh!! Pelas Oito Patas do Sleipnir!! Será que não consigo ficar longe daquela maldita cidade por mais do que alguns poucos momentos??????????????
-          Calma, Lock!!! Se conseguirmos fazer tudo certo, talves as coisas se suavizem para você em Aesgard!!!
-          Certo, certo, certo!!!
-          Estamos chegando aos limites das duas cidades. Vamos acertar os detalhes no solo!!!
   Os dois Deuses desmontaram, e conversaram por algum tempo.
   Lock arregalou os olhos com o “plano” de Bragi, inclusive disse alguma coisa sobre ser “...Loucura!!! Tudo vai arder até as cinzas!!!....”. Mas Bragi retrucou que a conversa que tiveram no Café Le Liberte, o inspirou aquela solução.
   Lock perguntou o que estaria se passando, e Bragi explicou o que supunha ser a fonte do problema!
   Lock parou de considerar insano o “plano” de Bragi. Na verdade, foi rápido como um míssil para sua “pequena casa”, colher a casca do “Pau-Brasil”, e um pouco das flores amarelo alaranjadas dele.
   Bragi por sua vez, entrou nos limites da cidade de Rosabal, e foi diretamente para o endereço que quase microscopicamente, estava marcado no Sache – aliás que ainda conservava longe de contato direto, dentro da pasta marrom.
   Foi relativamente fácil encontrar a fábrica, comparado com o trabalho enorme que teve para saber onde Lock estava.
   Afinal de contas, Erick não estava se ocultando ali. E bragi supunha que Erick era a chave para algo assim ter passado despercebido pelo Deus do Fogo.
   Tudo que pode vir a oferecer perigo direto ou indireto para Erick, é desviado por sua “furtividade”.
   Mesmo algo que seja muito perigoso, ou venha a ser potencialmente perigoso, a ponto de se ter que lidar diretamente antes que seja tarde demais. Assim, Lock não sabia nada sobre “o visitante”, e o visitante nada sabia sobre Lock e Erick, por causa do próprio Erick.
   Bragi imaginava que deveria ser exatamente por isso, que a cidade de Paneville apesar de tão próxima, não ter tomado sequer contato  com o perigo real, que havia em Rosabal.
   A reação das pessoas a sua presença era similar a de Lock, mas não estavam atacando-o, apenas faziam expressões faciais como se lembrassem de alguma coisa.
   Algo que não mais possuíam em suas “não vidas”.
   Ao chegar a fábrica, foi diretamente a portaria, e disse ser um representante do governo, e que gostaria de falar com alguém da gerência.
   A “estátua esbranquiçada”, lentamente moveu-se para o painel, vizível aos que estavam fora da portaria, apertou um botão, e sem dizer nada apenas indicou com a mão direita, rizívelmente lento, para onde Bragi deveria ir.
   Deixou uma das Runas que havia feito para encontrar Lock, no dia anterior, escondida entre as pedras do calçamento, e proferiu uma “rima”, na verdade, um Kenningar sobre ela antes de enterra-la ali.
   Dizia mais ou menos:
“...Ao Som de meu comando! Comandes Tu, fogo! Voarei até tí como chama e estrondo!...”
   Caminhou então, com uma certa cautela, em direção a um prédio que ficava fora das instalações da fábrica, onde uma porta abriu-se quando se aproximou o suficiente.
   Um homem de estatura média, e sorridente, saiu de lá e esticou a mão em cumprimento a Bragi.
-          Prazer Gaston Madroux!!!!!!
   Bragi sentindo que havia algo errado, recusou a mesura.
-          Ora, ora, que falta de educação!! Não se pode nem oferecer uma saudação decente hoje em dia, que tempos  mais ostís este, não ?
-          Realmente! Talves ostilidade não seja um termo apropriado para uma conversa. O que acha???
-          Bem, bem. Que tal me acompanhar a uma inspeção a fábrica? Podemos conversar enquanto trabalho!
-          De acordo!
   Enquanto a dicotomica dupla, caminhava em direção a estrutura indicada por Gaston, Lock estava as voltas com seus afazeres, correndo como somente ele conseguia em momentos de desespero.
   Chegou até a Árvore que encontrou em outra parte do continente, e que havia transplantado para os jardins, de sua “pequena residência”. Ele havia escolhido aquela árvore, por que tudo em um Pau-Brasil indica a palavra “Fogo”. Sua madeira é boa para lenha, e sua seiva é Vermelha Escura Escarlate, como  o próprio “sangue que brota de um ferimento”. As flores são amarelo alaranjadas, e somente uma vez por ano, por 2 semanas a árvore floresce. Aquela árvore esta em perigo de extinção desde que os colonizadores começaram a extraí-la em massa, para servir a produção de roupas da europa, pela excelente qualidade da cor extraída de sua seiva. Lock pensou então que seria bom ter algo análogo a ele mesmo por porto, e que ao mesmo tempo fosse algo que ele pudece proteger como um tesouro único ( além do fato de que a vizinhança inteira enlouquecia de inveja de algo como aquela enorme árvore, de repente estar no quintal do novo e  extravangante vizinho, e que era quase impossível que se desce bem em um clima tão diferente de seu próprio clima de origem, e mais, que ninguém faria nada se fosse denunciada a presença de elementos diferentes da mata nativa, provavelmente contrabandeados “sabe-se lá por quais meios”, porque o governo parecia não saber como chegar a Paineville ).
   E enquanto cortava a casca na proporção e tamanho correto, e colhia a quantidade das flores da própria árvore, necessária para fazer sua parte do plano, refletia sobre a possível insanidade que estava tomando conta de Bragi.
“...Talvez o Deus dos Skhald, esteja a tempo demais em contato com os hábitos dos humanos?...”
   Pensava nisso enquanto pegava tudo o que precisava da árvore.
   Encaminhou-se para o ponto onde havia determinado, como sendo a fissura entre aqueles dois  mundos de Yggdrasil.
   Colheu madeira de carvalho, sem tocar na árvore, apenas os galhos mais grossos que pôde encontrar, e complementou o que precisava com madeira de penheiros e araucárias.
   Montou a fogueira com tadas aqueles galhos de árvores que estavam coligadas a essência do fogo. Juntou tantos galhos, que pôde montar uma estrutura respeitável para os seus intentos.
   Entalhou as Runas contendo o Kennigar porposto por Bragi, na placa de casca de Pau-Brasil, macerando as flores amarelo-alaranjadas ao mesmo tempo em que entalhava as Runas, de forma a dar um efeito de destaque que lembrava chamas, em volta das Runas.
   Secou a placa e emitindo calor sobre ela.
   Efetuou o mesmo com a fogueira, desidratando-a, para ter certeza de que a fogueira seria perfeita. E adicionou as flores de Pau-Brasil que sobraram, igualmente desidratadas, entre os galhos que formaram a fogueira.
   Delimitou a área, marcando-a com pedras de carvão mineral, que encontrou próximo ao local onde estava o carvalho.
   A fogueira situava-se no meio exato entre a fissura entre os dois mundos, e o próprio Lock, e como não poderia deixar de ser, a posição natural assumida pela disposição feita por Lock, mostrava claramente que a fissura estava a Norte e ele mesmo estava a Sul.
   Preocupava-se com o que poderia acontecer se algo saísse errado
   Caminharam então, a uma distância sempre constante, e entraram na fábrica.
   Havia maquinário da produção,  limpo e escrupulosamente cuidado, na verdade parecia estar como se acabasse de ter sido comprado. Empilhadeiras, esta sim com sinais de serem muito utilizadas. Produtos químicos escrupulosamente colocados em prateleiras, que eram pequenas demais,  para uma empresa que produz e fornece tão grande quantidade de seu produto, a tantos clientes, em todo mundo.
   Curiosamente do maquinário da fábrica, somente as maquinas de embalar e os condutores davam sinais de que haviam sido realmente usados.
   Haviam mais “fantasmas”, por assim dizer, trabalhando dentro da fábrica. E notou que eram ainda mais inexpressívos do que os que estavam nas ruas da cidade.
   Então chegaram ao que Gaston chamava de o “Coração da Fábrica”.
   Era um enorme “Container”, com uma porta para manutenção diretamente em frente aos dois.
-          Aqui realizamos a produção de “Cream de la Cream”. É algo realmente fabuloso de se ver! Não gostaria de me acompanhar para observar os detalhes da verdadeira obra de arte, que é a produção de nosso principal produto e orgulho de nossa compania???
-          Principal? Pensei que fosse o único!!
-          Não, não!! Recentemente estivemos testanto um produto para emagrecimento. Uma beleza em matéria de resultados!!! A linha deverá atender inclusive ao público infantil e pré-adolelescente, estamos em contato com as secretarias de saúde para conseguir contratos e legitimação!!!! Será uma reviravolta na vida das pessoas!!!
-          Eu “imaginho” !!
-          Então, continuamos nosso passeio pela fábrica???
-          Sim. Mas claro!!
   Ao abrir a porta, entrou ali e ficou esperando por Bragi.
   Este delicadamente deixou o pacote de Runas no chão, estrategicamente colocado no ponto exato onde a porta se encontrava com o feicho.
   Olhou em volta, e chocou-se.
   Haviam corpos ali. Decoravam as paredes em forma de ângulos, estavam a muito tempo ali, talves mais de um ano, pareceiam na verdade estátuas que horrivelmente adornavam a parede.
   Poder-se-ía observar que nenhuma delas estava com expressão alguma em suas faces, se morreram sofrendo ou não, talves jamais alguém viria a saber.
   Pareciam fantoches feitos para parecerem com humanos, mais do que pareciam com corpos.
   Extremamente azulados, e ali na ausência de luz de qualquer tipo, qualquer um poderia observar que brilhavam levemente.
   Tudo ali brilhava, e emanava frio em estágio superior a qualquer temperatura baixa de que se tivesse notícia.
   Era um frio que atingia a mente e a alma, e depois se irradiava para o corpo.
   E o ponto que mais brilhava e mais emanava frio era Gaston, ou o que parecia Gaston ser.
-          Agora que já me apresentei corretamente, poderia dizer-me quem realmente você é???
-          Oh, claro, que falta de educação a minha!
   E recitou o Kenningar que usou para encantar a Runa.
   Imediatamente na calçada em frente a fábrica, uma explosão de fogo tomou a forma de um Falcão e rapidamente atirou-se aos céus em direção a Paineville, descendo como um feixo de luz em linha reta, em direção  a um ponto anteriormente combinado.
-          Meu nome é Bragi! Sou o Deus dos Skhalds! Mas você não se apresentou devidamente, não é mesmo???? Quem é o Nadhr que está com você????
   Nesta hora, Gasto contorceu-se em dor, parecia estar perplexo e bradava consigo mesmo, dizia para “...esperar o momento certo! Me dê mais um pouco de tempo...”, em seguida ouvia-se a outra voz, similar a dele e contudo mais sombria, que dizia “...Não!!! Este é diferente do outro, mas me aborrece tanto quanto!!...”.
   Houve silêncio então, e daí com os olhos tais e quais um espelho, o Nadhr falou pelos lábios de Gaston:
-          Eu sou Vidrhog!!!
-          Encantado! O que está fazendo  neste plano de existência?
-          Fui arrancado de Nephelheim, por três forças brilhantes que me tragaram para cá!!! Este lugar feio e errado!!!
   E ao dizer isso, expandiu-se, cresceu e esticou-se. Rompeu a pele finíssima que cobria tudo que fez ao corpo de Gaston Madroux. O que sobrou de Gaston foi finalmente dissolvido pela essência do Nadhr, da mesma forma que os desprovidos de honra, tem suas Hames eliminadas após morrerem. Arriscaria dizer que talves um grito eterno acalentado pela fraqueza que sempre acompanhou Gaston em tudo que fez, foram as únicas coisas que lhe fizeram compania, enquanto o que ele já foi um dia era constringido para baixo da  menor escala termica conhecida pelo homem.
   Arrebentou então seu crânio, desprendeu as mãos que lhe eram inúteis, dissolveu as pernas com a substância que salivava constantemente. Cresceu até que viesse a  tomar as proporções de um dos Dragões descritos nas lendas. E seus prolongamentos dançantes, se cruzaram e cresceram até ficarem com a aparência de asas fluídicas
-          Errado??? O que está errado aqui?
-          Tudo!!! Quero este lugar belo como os Elivhagr!!!
  E ao dizer isso, arremeteu para cima de Bragi, vomitando sobre ele algo que reluzia com tons de zul pálido, que emanava um calafrio horripilante, e emanando de seu corpo pulsos de luminosidade branca e azulada, que indandecia com algo similar a fogo, contudo frio, os corpos nas paredes.
   Podía-se ver agora que foram banhados na substância que tinha a mesma densidade de “Cream de la Cream”, somente que mais intensa, que os ângulos dos corpos ali dispostos, formavam uma inscrição em Runas.
   No ápice da luminosidade fria, um dos corpos, o único que demonstrou estar ainda com alguma vida, moveu sua cabeça em direção ao centro do enorme container. Era vizível o fato de que era uma mulher, apesar dos cabelos inesistirem, e das feições de todos ali serem como as de esculturas de gelo, e havia uma Tiara claramente valiosa em sua cabela, com as pontas das hastes voltadas para dentro do crânio. Pelo estado mais avançado de constrição pelo frio, que apresentava, poderia muito bem ser o primeiro dos corpos dispostos ali.
   Ao efetuar este movimento, os outros corpos que ali estavam realizaram mecanicamente a mesma coisa, e em uníssono abriram suas bocas, começando então, todos juntos,  a repetidamente bradar, em tons melancólicos:

Nephelheim helga veh teta Midgard, ok haud vord Elivagrgard


   Bragi desviou-se e fez com que sua adaga atingisse a um dos prolongamentos, cortando-o, o que fez o Nadhr gritar.
   Então o Dragão olhou para a porta, e esta moveu-se para fechar aos dois ali, mas bateu na sacola de Runas e não mais se moveu.
   O Nadhr sibilou um rosnar e emitiu mais da subistância, em tão grande quantidade, que começou a inundar o “Container”, e extavazar pela porta.
   O Frio era insuportável, e Bragi então entoôu um Kenningar que foi horrível para o Nadhr:

Hails Hairus Hauri! Skairmjan Rigr Hairus Musphel! Weihailag Tandjan Hairus!
Hails SurtrGard HauriHeim! Mikles Hauri Rigr Musphel! Tugida us Hauri Wulthus!
Hails Mikles Tandjan Weihailag! Haud Midgard Ana-Wiljei Waldufni Hauri! Hails!


   A subsitância dissolveu-se o suficiente para que Bragi pudesse passar, e ele atirou-se para fora de lá, enquanto o Nadhr se contorcia, e sentia sua pele fumegar.
   Durante os instantes em que Bragi correu para longe da estrutura da fábrica, o Dragão se elevou em fúria e arrebentou com o “Container”, lançando-se contra a parede em seguida, a tempo de ver seu “pequeno” inimigo  alçando voô sobre sua montaria. Lançou-se aos céus com suas asas feitas dos filamentos móveis de seu corpo, com tanta força, que ergueu pessoas e objetos com o vácuo de sua subida.
   Acontece que Bragi montou com tanta pressa, que esqueceu-se de se tornar etéreo. Fato que tempos depois levou as pessoas dali, a serem constantemente visitadas por Ufólogos, que queriam que relatassem o estranho caso do O.V.N.I. de formato único, que sobrevoou por New Hampshare, perseguido por um “Pterossáuro”.
   Bragi voava o mais rápido possível, e então avistou uma conhecida figura, ainda trajado com roupas góticas, de frente para uma fogueira, no exato local onde o Nadhr que o perseguia, havia sido sugado para este mundo.
   Lock ao vê-lo, perfurou o dedo e inseguro sobre continuar o que iria fazer ainda por uma vez olhou para Bragi, para saber se deveria ou não proceguir.
   Então viu se aproximando a enorme forma luminiscente que perseguia ao Deus dos Skhalds, e mais do que rapidamente, tocou a casca de “Pau-Brasil”, contendo o mesmo encantamento usado por Bragi, para atingir o Dragão, e gravado em Futhark, deixando nas letras seu “sangue”, ou seja, sua essência.
   Atirou depois ao fogo a placa consagrada, e em seguida elevou-se uma Labareda estranha.
   Era mais como um “Pilar de Fogo”, e era muito grande, maior até mesmo do que o Dragão. E o que mais incomodava nas chamas, era que elas eram sombrias, não possuíam luminosidade além do mesmo efeito causado pela presença de ultra-violeta em algum ambiente. E para coroar tudo isso, possuía “...Olhos...”, ameaçadores olhos inquisitivos.
   Lock olhou para o Pilar de Fogo, e apontou para a forma que estava vindo logo atraz de Bragi.
   O Pilar fez o que o fogo normalmente nunca faz.
   Ele URROU!!!!
   Bragi desceu o mais rápido que sua montaria pôde, fazendo um impossível ângulo de quase noventa graus quase ao atingir o solo, dobrando a direita em seguida.
   O Nadhr chegou em seguida, mas quando estava próximo a cegueira produzida por seu ódio foi substituída pela dor da proximidade de algo que lhe causava aversão.
   Olhou então diretamente para o Pilar de Fogo, que parecia estar sentindo a mesma coisa.
   E no momento exato em que vomitou sobre este, toneladas da mais nova febre dos cosméticos, teve suas intenções repelidas por uma onda de fogo escuro, que ao tocar com o saliva do Nadhr, causou uma reação em cadeia.
   Primeiramente implodiu, imitando o processo que gerou todo o multiverso quantico que Yggdrasil é.
   Depois explodiu, já que a quantidade de potência não estava em igualdade exata, uma vez que não foi qualquer Gigante de Fogo que Bragi combinou com Lock, para ser invocado, e sim o próprio Senhor, Mestre e Núcleo de Muspellheim.
   O Nadhr então foi arremessado para traz, na direção exatamente contrária ao ponto onde  Lock se encontrava.
   Surtur por sua vez, arremessou outra onda de fogo, que dissolveu completamente a brecha dimencional, selando a singularidade permanentemente.
   Ao terminar, ficou olhando para Lock, como se esperasse por algo.
   Por fim, ouviu-se um som, similar a um antigo crepitar do fogo, onde se fazia distinguir as seguintes palavras:
-          UM PRESENTE EXIGE OUTRO...........
   Bragi, mais do que rapidamente, foi até ambos os Poderes de Fogo, e disse:
-          Há em Midgard Draukars que se expuzeram por livre e expontânea vontade ao desequilibrio por excesso de Frio. Eu lhe ofereço suas Athems, em troca do bem feito neste lugar.
-          QUE SEJA.........................
   E explodiu em fogo, espalhando-se pelo mundo, gerando ondas de fogo fátuo.
   Todos os humanos sem Hame, sem Alma, foram devorados pelo Senhor de Musphelheim, e nenhum traço do que o Nadhr fez a Midgard permaneceu.
   Então Lock e Bragi, dirigiram-se a enorme casa de Lock em Paineville.
   Alí, em meio a sala onde anteriormente haviam conversado, sentaram-se para Beber um pouco de hidromel muito bem merecido, e conversar sobre os eventos pelos quais passaram.
   A televisão estava ligada, e podia-se ver em quase todos so canais jornais que se quizesse procurar, notícias sobre “...Uma terrível calamidade de combustões humanas inexplicáveis...”, que se abatiam em todos os usuários de “Cream de la Cream”, e que culminou com a completa carbonização de todas as reservas do produto.
   Jornais locais noticiavam também o terror em Rosabal, a cidade toda estava sendo devorada pelo fogo, nem mesmo as casas mais afastadas foram poupadas, na verdade pessoa alguma da cidade parecia ter escapado do incêndio, que se expandia em espirais horárias e anti horárias.
-          Bem, parece que conseguimos concluir nossos intentos. Agora somente falta eu falar em seu nome no Althing, relantando o que se passou aqui em Midgard.
-          Então você supõe que Aesgard toda se compadeceria pelos meus atos, e me deixariam sair deste, digamos, castigo???
-          De certa forma! Pelo menos eles vão considerar os seus atos como extremamente necessários e sem os quais seria muito difícil dar o “devido remédio” a Midgard!!
-          Isso é verdade!! Talves exista esperança então!
   Foram somente interrompidos por terrível barulho, algo como uma cantoria horrenda, e seguida pela entrada abrupta de Erick dentro da sala onde estavam.
-          Por favor! Me digam que os Aesires e Vanires, não enviaram aquela maldita serpente cantante para me atazanar, enquanto eu estiver em Midgard!!! É sofrimento demais!!!
-          Não Pai! Não é isso!  Eu não sei se essa serpente cantava tão mal assim, mas essa poluição sonora é coisa da Mamãe!!! Ela enfiou na cabeça, desde ontem que iria estudar canto por correpondência!!!
-          BRAGI, ISSO É OBRA SUA!!!!!! FAÇA ALGO, EU SUPLICO!!!!!!!
-          Calma Lock!!! Eu mesmo não estou suportando essa sinfonia de Dor e Horror!! Pela Manhã ela voltara a ser a mesma de sempre. Contudo, ela vai voltar a te aborrecer, e Eu não sei quanto tempo levará para o Althing deliberar sobre o seu caso!!!!!
   E Lock chorou!!!
   Então Bragi deixou o encanto reativo, de tal forma que sempre que Lock não suportasse mais o falatório de Newdred, ela passaria a querer “redescobrir” seus “talentos” de infância. E sempre que o som fosse horrendo demais para se suportar, ela vontaria a ficar rabujenta.
   Pelo menos já seria alguma coisa.
-          Vai até Aesgard o mais rápido que puder não é??? Diga que sim!!
-          Claro! Eu apenas tenho que agilizar as coisas com minha “protegida”. Os eventos deste dia me levaram a ter uma idéia de como vou encaminhar a carreira dela!
-          Como assim???
-          Bem...Eu talves esteja pensando, em algo como Folk-gothico. É alto que deve combinar perfeitamente com a voz dela, e por tabela, lembrar aos humanos de ideais que eles fazem questão de esquecer.
-          Ah..... “Folk-gothico” ?
“...Bragi deve estar louco, ou brincando comigo...”
-          Imagino que será um sucesso de crítica?
“...Pelo fogo de Musphel se isso algum dia vier a funcionar, então haverá esperança dele convencer Aesgard toda a me libertar desta tortura...”
-          Sim, com toda a certeza. Já tenho até uma idéia sobre a publicidade, e sobre os eventos iniciais, isso sem falar sobre as músicas.
-          Oh, claro... Bem, eu vou me preparar para ouvir os horrores que contradizem o bom gosto, que estão sendo emitidos dentro daquela casa!
-          Então, eu me despeço Deus do Fogo! Até uma próxima oportunidade Erick! Witubinni Jah Mahts!
-          Witubinni Jah Mahts!
-          Witub.....Aham.....Papai ainda não me ensinou direito a pronunciar isso. Então, até outro dia Bragi!!!!!!

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