terça-feira, 9 de outubro de 2012

Contos Aesgardianos 1 - Confusão em Midgard


Contos Aesgardianos
(por Aistan Falkar – 2006 da vulgar era cristã)

Parte 1:
Confusão em Midgard


   Muitas cosias podem ser ditas sobre cidades pequenas do interior.
   É comum inclusive que o clime pacato da cidade, acabe levando pessoas mais afeitas a aventuras, a cidades maiores, e mesmo pessoas que busquem por sucesso acabam se aventurando para fora dessas pequenas localidades. E normalmente sempre há alguma coisa nas cidadezinhas do interior, que é assunto passageiro, ou mesmo duradouro, e muitas vezes esses assuntos são bem desconfortáveis.
   Em uma dessas pequenas cidades, aparentemente pacatas, um desses casos desconfortáveis acabou acontecendo.
   Mas, a verdade é que, se fossemos realmente observar a coisa toda em si, diríamos que “serial killers” podem nascer em qualquer lugar, ou pelo menos é o que assim parecia.
   Este é o caso de Euginie, na penquena Paineville.
   Euginie era um sujeito como muitos que você possa ter ouvido falar  por ai.
   Era grandalhão, feio como um acidente de transito,  encrenqueiro e violento.
   Na escola, as professoras que eram agraciadas com suas presença, quando ele resolvia que as escolas eram feitas para estar nas salas de aulas, ao invés de serem locais para surrar bobocas de óculos, diziam que se ele fizesse um teste de Q.I. , provavelmente o resultado o colocaria no estágio evolucionário que fica diretamente entre a barata e um sapato velho.
   Mas como pouco problema é bobagem, Euginie estava sempre acompanhado por dois típicos parasitas.
   Um deles era Marcus,  que para tudo que Euginie propunha, dizia um “...Oh, mas claro chapa, vamos curtir...”.
   O outro era Ernest, que sendo magro e ainda mais antipático do que Euginie, sempre transmitia aquele ar de “algo de que você deve manter distância”, e costumava fumar algum tipo de cigarro, que exalava um cheiro forte e desagradável.
   Os três sempre acompanhavam os treinos das animadoras de torcida, como era de se esperar. Contudo, iam ali apenas porque Eugienie meteu em sua cabeça oca que iria ficar com Debie  Rosengard ,para si mesmo – devemos dizer é claro, que todos que se aproximassem de Debie, mesmo que para perguntar as horas, sofriam acidentes ou eram acometidos de males súbitos, e ficavam afastados da escola, Debie inclusive foi apelidada pelas amigas de “...Calamidade...”, coisa nada agradável é verdade, mas enfim, muito efetivo.
   Ultimamente, Euginie estava tornando-se ainda mais intrometido e chato do que de costume, ao ponto de que Debie ansiar por não sair na rua, por medo de dar de cara com Euginie seguindo-a ou propondo-a que deveriam fazer o ótimo programa, de ir ao cinema mais próximo( assistir ao filme de violência gratuita o  mais desinteressante possível), e ouvir as horríveis propostas amorosas de Euginie, durante todo o suplício  pela qual durasse o filme.
   Certo dia, Debie realmente gostou de alguém!
   A pessoa em si, era da cidade, e ali morava a muito tempo.
   Estudava na escola, e misteriosamente nunca havia sido notada por Euginie, Marcus ou o arremedo humano que Ernest era.
   Aliás não havia nada de excepcionalmente atraente no garoto, apenas que foi a única pessoa viva que chegou até Debie e se ofereceu para carregar livros (Euginie nunca sequer pensou no assunto, apesar de estar sempre a dois passos dela, onde quer que ela fosse. Afinal isso não é coisa de Macho).
   E apesar do aviso de uma amiga, que dizia mais ou menos assim:
“...Se você continuar a conversar com ele, Euginie vai eternizá-lo como manchas de sangue na rua da sua casa...”.
   Sem dar muita atenção ao que sua amiga lhe dizia, Debie simplesmente continuou a vê-lo, e de certa forma a coisa era até inocente. No máximo de inocência que os hormônios da adolescência podem permitir que alguém tenha para com outra pessoa.
   Certo dia, estavam caminhando para a casa dela e Debie ao se despedir, beijou-o.
   Estaria tudo muito bem, se algo não houvesse saído errado,  desta vez.
   Ao contrário do que sempre ocorria ao estar com o garoto, o trio “nenhum-cérebro”, que  sempre parecia estar do lado oposto da casa de Debie ( coisa que já estava estranha já que Euginie sempre vigiava Debie, e nestas horas parecia estar sempre ocupado com outras formas de tortura humana), estava ali no exato momento.
   Euginie, Marcus e Ernest flagraram o beijo do começo ao fim.
   O garoto despediu-se, extremamente alegre, e foi para casa.
   Debie estava feliz, até que alguns segundos em que sua felicidade durou, olhou para a esquina de sua casa, e viu os três ali parados.
   Marcus com aquela cara de “telefone inoperante”, Ernest claramente pensando algo bizarro na cabeça, enquanto um cigarro aceso pendia da boca e  Euginie , é claro,  com os olhos injetados de raiva.
   O pior disso, era que Euginie estava se movendo, quase como um robô anda com a graça de um Tiranossauro que perdeu o almoço, e ia na direção dela.
   Estancou a sua frente, e sem fazer cerimônias, esbofeteou sua face com toda a força que pôde. E com ela ainda caída, disse:
-          Seu amiguinho não vai mais aparecer!
   E irritado, saiu dali chutando tudo que havia a sua frente, inclusive um vasilhame de plástico, com resíduo de gasolina.
   Vamos fazer um esforço e aplaudir Euginie, deve realmente ter sido difícil para um Cromagnon proferir uma frase tão longa quanto aquela.
   O caso é que, Ernest ao ver a gasolina, arremessou o cigarro sobre esta, que se incendiou imediatamente e Debie, que estava começando a se levantar, quase perdeu os cabelos no fogo.
   Ao conseguir tomar ciência de si, e do que iria acontecer, ela chorou, com mais ódio do que pena de si mesma, e ficou fitando o fogo enquanto pensava:
“...Será que não tem ninguém que possa ensinar aquele filho de uma cadela, uma lição, pelo menos uma vez na vida dele???...”
   As vezes  as pessoas pedem coisas sem prestar muita atenção.
   As vezes as coisas passam no vácuo, sem que nada ocorra.
   Entretanto, por conta da presença de um fator até então desconhecido de todos os envolvidos, alguém que estava sem ter o que fazer, pendurado no apoio dos braços de um certo trono em um certo reino chamado Valaskialf, voltava sua atenção (extremante entediado), para Midgard e justamente quando os eventos ocorreram, sentiu uma compulsão estranha por fazer algo.
   E devemos fazer a menção de que, nunca em toda a sua vida, algo assim tão corriqueiro havia lhe chamado tanta atenção, era quase como uma voz dizendo:
“...Oi, sou eu, sua consciência, você lembra de mim não é???Ora, é claro que lembra, você tem uma!!!Como, não???Preste atenção então, vá lá e faça algo, alguma coisa esta errada!!!Como assim está com preguiça, que raio de deus é você????????????VÁ AGORA LÁ, E DESCUBRA O QUE ESTÁ ACONTECENDO?????..........” .
   E assim, sentindo-se resolvido a ajudar (afinal de contas, não havia nada mais interessante para fazer), decidiu fazer uma rápida incursão a Folkhagar, para poder desfrutar de uma excelente roupa de viagem, decorada com adornos de penas de falcão.
   Devemos fazer uma pequena menção  para que se possa entender, certos detalhes sobre o Folkhagar e Lock.
   Depois do episódio do Brosingamen, Freija nunca mais se descuidou do mesmo, principalmente se havia a mais remota possibilidade de Lock estar por perto (afinal de contas, já era demais dividi-lo metade do ano com o Deus do Fogo, ainda mais depois de todo o trabalho que teve para ganhar o cinturão dos quatro Swartalfs que o fizeram).
   E além disso, havia o hábito de Lock de se apossar da Capa de Falcão para viajar para Midgard de forma mais cômoda e rápida.
   Assim sendo, deu Freija ordens para que de forma alguma deixassem Lock entrar em seus domínios, sem que um verdadeiro batalhão ficasse de vigia, em tudo que ele fizesse ou onde quer que fosse.
   Lock então decidiu entrar de forma mais “suave”, e tornou-se uma enorme massa de aranhas, minúsculas, mas em imensa quantidade, e penetrou no Grande Castelo de Freija, literalmente passando pelas frestas das paredes, e  indo diretamente para sala dos Tesouros de Freija.
   Contudo haviam ali duas Idisires de guarda.
   Como todas elas, muito bonitas, extremamente silenciosas, sensuais, misto perfeito de músculos e sensualidade e armadas dos dedos dos pés até o último fio de cabelo.
   Fatais em todos os múltiplos sentidos que esta palavra tenha ou possa vir a ter.
   Elas praticamente não piscavam, e não se moviam, e estavam sempre atentas a tudo e ao mais mínimo movimento, chegando inclusive a esmagar uns doze ou treze pedacinhos cheios de patas que Lock agora era (o que apesar do tamanho, foi muito doloroso, devemos ressaltar).
   No entanto, não haviam percebido durante o “aracnicídio” que haviam praticado, que as outras milhares estavam subindo pelos mantos, lanças e espadas, e que estavam fazendo “coisas”, enquanto se moviam.
   Parecia a cada uma delas, que uma brisa extremamente sensual estava roçando o tempo todo em suas peles, chegando mesmo a se arrastar de forma aborrecedoramente íntima, mas de uma maneira tão leve que sequer quase não seria notado.
   Durante algum tempo isto durou.
   Até que de súbito, as aranhas se levantaram como uma nuvem, se misturaram como um turbilhão que incandescia, e formaram em conjunto a figura de Lock, em frente a ambas as Idisires.
   Imediatamente o reconheceram, e procuraram fazer o que foram ordenadas se por acaso Lock aparece-se, principalmente desta forma, mas não podiam.
   Viam agora que a brisa não era brisa, mas o movimento suave de várias aranhas, trabalhando e tecendo fios várias e várias vezes, até que em pontos específicos formaram amarras extremamente fortes.
   Quando Lock percebeu que iriam gritar, fez um movimento com as mãos e prendeu suas bocas com mais teia.
   “Cedida” a capa, sob silenciosos protestos de olhos que desejavam  carnificina, viajou para Midgard, e  para o local que o Grande Trono lhe mostrou.
“...Paineville???????????????...Que lugar mais esdrúxulo colocaria em si mesmo o nome de cidade da dor, eu nem havia visitado a cidade ainda????????...”
   Rapidamente encontrou o trio que estava procurando, sobrevoando a todos em sua forma de falcão,  e notou que a frente deles havia uma enorme moldura antiga de espelho, desprezada na calçada, e que tinha exatamente o mesmo tamanho do grande e bobo Euginie.
   Antes de mais nada, devemos dizer que em sua mente até o ponto em que olhou para a moldura, não havia ainda um plano formado, mas no momento em que entrou na mente de Euginie, pouco antes de tocar o solo, e se percebeu o que havia dentro dela – claro além de todas as teias de aranha e poeira. Não teve a menor dúvida do que fazer.
   Os três andavam pela calçada, em direção a escola, para descobrir o endereço do “...miserável, almofadinha, e burro de mais para não ficar longe das coisas do Euginie...” (palavras do próprio Euginie).
   Então, a certa distância, Marcus e Ernest viram uma moldura velha colocada de pé, sobre a calçada da rua.
   Pensavam em arrebenta-la, e usar os pedaços para bater no moleque.
   Euginie, pensava em outras coisas, afinal o que Euginie estava vendo, não era uma moldura velha e estagada que foi jogada fora e colocada de pé. Ele via um espelho perfeito, onde sua imagem estava refletida, e seus olhos lhe chamavam tanto a atenção que não pôde se conter, e foi até bem perto do espelho.
-          Vejam como estou bonito!!!!!
   Marcus e Ernest se entreolharam e começaram a pensar que, impossivelmente, Euginie estivesse fazendo uma brincadeira, sem babar.
-          Olhem, eu nunca havia notado que meus olhos eram assim tão bonitos!!!!
-          Você está é delirando. Tomou remédio para febre, é????????
-          Que nada, ele está é tão bravo com aquele tampinha, que ficou meio louco!
-          Ah! Vocês é que estão loucos, olhem para mim aqui!!!!!!!!!!
   E apontava para o espelho, e os outros dois nada viam.
   E continuava a berrar e gritar com eles, até que pegou Marcus e bateu nele até se cançar.
   Com Marcus caído, mas não inconsciente, ele avançou para cima de Ernest.
   Nesta hora duas coisas aconteceram, ambas inéditas.
   Marcus, saiu prometendo vingança.
   E a moldura brilhou levemente, e dela saiu outro Euginie, igualmente feio como o primeiro.
   E Ernest, gritava de horror, exatamente como na primeira vez que viu uma mulher sem roupas.
-          Olá! Como estou indo Eu??????
-          Quem é você!!!Você não é Eu, eu estou aqui!!!
   Ernest tão nervoso estava, que engoliu o cigarro, que desceu queimando sua garganta, e ele mesmo começou a babar.
-          É claro que Eu sou Eu! Você é que não é Eu!!!
-          Eu sou Eu! Eu não sou você!!! Some daqui, ou eu vou te bater!!!
   E o primeiro Euginie, ergueu sua enorme mão para bater no segundo Euginie. Mas quando já estava a meio caminho de agarrar com a outra mão o  pescoço do segundo Euginie. Este por sua vez, disse:
-          Ora, que isso, que violência. Se Eu não fosse Eu, Eu não saberia sobre o pequeno tesouro, não é mesmo????
   E, engasgando, tossindo e suando frio, Euginie depois de momentos de desespero nos quais nem mesmo poder-se-ia ouvir  o som do caminhão que se aproximava, disse enfim:
-          Você sabe?????
-          Claro! Venha aqui para que eu possa cochichar ao seu ouvido!
   O segundo Euginie, dizia isso e apontava para Ernest. E conseguiu assim, trazer o primeiro Euginie para a rua, para poderem conversar melhor, e em mais silêncio:
-          Com é que você sabe??? Só eu sei daquilo, era pra ser meu segredo!!!
-          Ora, o que é isso!! É claro que Eu sei, Eu sou Eu não é mesmo?? E depois não se preocupe, não há nada com o que se preocupar, Eu não direi nada para ninguém!
-          Promete??????
-          Sim, sim!! Jamais direi qualquer coisa que o seja, sobre aquela caixinha, embaixo da gaveta de meias velhas, que tem todas aquelas Langerie e roupas íntimas de mulher!!!
-          Sim, é algo pessoal, as pessoas não iriam entender! Sabe como é, coisa de Macho!!!
-          Por certo! E depois, quem terá a sensibilidade de perceber como a Lycra é sensível a pele, e como calcinhas de viscose fazem bem a auto estima. Não é mesmo???
      Pobre Euginie, não lhe passou pela cabeça que estava falando alto o tempo todo, e que Ernest horrorizado, ouvia tudo.
   Mas o principal, é que não percebeu como já estava alto o som do caminhão que se aproximava, tendo em seu volante um Marcus, enraivecido e pronto para dar o troco na mesma medida, ou um pouquinho além, para Euginie.
   Ouviu-se apenas um estrondo, ao mesmo tempo que o corpo de Euginiu era jogado em direção a calçada, passando sobre Ernest, que havia se aproximado para ouvir melhor o som da conversa dos “gêmeos”, e por fim destroçou a moldura do espelho.
   Euginie sempre foi muito forte, e resistente. Conseguiu se levantar em seguida, mas sentia-se mal,  e com fortes tonturas, e estava provavelmente com problemas de visão, porque via vermelho em tudo, e sentia o lado direito do corpo muito mais leve que o esquerdo.
-          O BRAÇO!!! ELE PERDEU O BRAÇO!!!
   Gritava Ernest, e apontava o dedo com uma expressão de horror indescritível.
   Euginie, agarrou o toco que sobrou de seu braço, e saiu correndo como um louco.
   Marcus, que arrebentou o caminhão em um poste, logo após acertar Euginie, desceu da cabine e fugiu como um louco, sem uma direção certa. E se maldizia por ouvir a voz que não parava de dizer em sua mente “...vingue-se...até a esquina...pegue o caminhão, a chave está no contato...”, enquanto corria, corria e corria.
   Somente ficou ali Ernest.
   Pouco tempo depois, veio a polícia, que fez perguntas, e que informou que haviam encontrado e levado Euginie para um hospital, logo após o “acidente”. E mais  que isso tudo,  surpreendeu-se não só com a forma como a coisa aconteceu, mas sim, com as declarações de Ernest:
-          Ele usa calcinha de mulher!!!
-          Como é???O que tem isso haver com o que aconteceu aqui???
-          Ele usa, é um frutinha!!! É o frutinha manetinha!! Frutinha manetinha!!! Frutinha Manetinha!!!
   E diz isso o tempo todo, para todos que apareciam a sua frente.
   Diziam que poderia ter sido um choque, causado por ter testemunhado o que aconteceu.
   Diziam que ele estava dizendo bobagens o tempo todo.
   Mas o fato, é que por algum desses “incidentes da vida”, a tal caixa com roupas íntimas de mulheres, apareceu fora do esconderijo, quando algumas amigas da mãe de Euginie estavam reunidas na casa dela. E acontece que uma delas possuía o defeito de ter a língua duas vezes maior do que a estrada mais comprida que você possa conhecer.
   Até aí, não haveria problema, uma  mentirinha aqui, uma mentirinha ali, e tudo se resolveria.
   Mas Euginie, por algum motivo estranho, talvez receio de que sua mãe se apropriasse de suas coisas, ou algo mais bizarro e distorcido ainda, colocou seu nome em TODAS AS ROUPAS ÍNTIMAS, QUE HAVIAM EM SEU PEQUENO TESOURO.
   Os fatos, o desenrolar dos eventos, não puderam ser outros, que a total humilhação e vergonha do antes temido Euginie.
   Ele ficou conhecido como  o “Frutinha manetinha de Paneville”, e onde quer que fosse estava bem claro, que era assim que o chamariam, e tudo indicava que o título seria eterno..
   Mas a coisa não parou por ai.
   Logo após resolver a coisa em si, e a seu modo, Lock estava disposto a descobrir o que aquela voz estranha em sua mente queria dizer.
   Algo o estava incomodando, e ele mesmo não sabia o que era.
   Então resolveu vigiar a garota que lhe chamou atenção.
   Ao chegar na casa da garota, disfarçado de uma mosca, Lock observou que estava aquela altura, acompanhada de colegas, que foram correndo  para lhe informar do  que havia acontecido com Euginie e seus amigos tontos.
-          Bem feito para ele!! Cretino!!!!
-          Bom, você tem razão, ainda mais depois de ter te batido!!! Mas foi tudo muito estranho!
-          Realmente esquisito!
-          A impressão que dava, é que alguma coisa, ou alguém, cruel e pervertido, havia pesando em uma forma de eliminar os três de uma vez só!!!
-          Deixa de besteira!!! Quem é que iria planejar algo assim, e daquela forma, foi tudo coincidência !!!
   Debie estava chocada. Não porque se livrou do que poderia ser diagnosticado por um médico, com sendo algo semelhante a maior dor de dente da história. Mas sim, porque sentia que o que havia desejado de certa forma, um tanto quanto engraçada (nefastamente engraçada), havia acontecido.
   Ficou com medo, muito medo,  de que algo tivesse acontecido com o namorado (ora, ora, já pensava nele como namorado!!), e quando as amigas lhe contaram o que aconteceu com os três idiotas, ficou aliviada.
   Foi então que pensou em procura-lo, mas deu-se conta de que nunca havia ido até sua casa.
   Não sabia seu telefone, e muito menos não sabia qual sua classe na escola.
   Somente sabia que estavam tendo as mesmas aulas de matemática.
-          Alguma de vocês sabe, por acaso, onde mora o Erick???
-          Quem é Erick???
-          É o namorado dela, sua estúpida!!!
-          Ah!! O sujeito que seria a décima vítima da “Calamidade”!! Agora sei quem é!!!
   As amigas riram, Debie não, ela ficou muito irritada, o apelido já incomodava muito, sem ter que se lembrar da dor que sentia pelo tapa que tomou no rosto, presente de Euginie.
-          SERÁ QUE DÁ PRA PARAR DE USAR ESSE MALDITO NOME?????????
-          Desculpa, eu não queria aborrecer, é que o apelido se encaixa como uma luva em você.....Quer dizer...Bom desculpa, eu vou tentar!
-          É bom mesmo!!!!
-          Agora, será que alguém sabe onde ele mora???
-          Eu só sei que ele mora no lado norte da cidade. Ouvi falar quando se mudou para lá uma família de nome esquisito!!!
-          Que nome esquisito????
-          Acho que é Riqis.
-          Ah, ta!!! Grande ajuda!!! Amanhã, eu vou tentar saber, se não encontrar com ele, pergunto pelo endereço na diretoria da escola!!!!
   E ai estava a tal dorzinha de cabeça de Lock.
   A comichão estava crescendo, enquanto ele pensava:
“...Riqis!!! Você conhece Riqis lembra???? Como não lembra???Faça uma força, por favor!!! Isso, isso, está quase...Não, não, não!!! Não  tem nada haver com aquela história dos cabelos de ouro, ela disse Riqis e não Sif!!! Gggrrrrrrrr!!!!Se concentra, presta atenção!!! ISSOOOOO.........”
   Lembrou-se!
   Esse era o sobrenome de uma mulher que Lock conheceu, a uns 17 anos, quando esteve por rápida passagem pela terra, para fazer (bem como direi), seus trabalhos extra expediente, em um de seus momentos de inspiração (Gorbatchov havia sido uma obra prima, mas encorajar os ânimos na Nicaragua, foi a seus olhos realmente demais, tanto que deu a si mesmo, férias mais ao Norte).
“.....Ixxxxííííííííí!!! Será que o garoto é meu filho?????????????Com não percebi??? Bem, tanta coisa para fazer, algo deve ter me escapado......”
    E zumbindo como uma mosca louca, saiu de lá a procura do garoto.
    Erick estava contente!
  
Nesta cidadezinha em que sua mãe havia se metido levando-o junto( e em suas contas já era a 5 vez em que se mudavam), algo mais interessante finalmente havia acontecido.
   Finalmente conseguiu atrair a atenção de uma garota de que gostasse, e esta era muito bonita.
   Ficava se perguntando, porque sempre as pessoas faziam de conta que não reparavam nele?
   Era uma coisa realmente maluca. Já havia estado em um colégio, onde a professora nem se dava conta de quem era ele. Ela  apenas tinha o inconveniente de em todas as aulas, perguntar quem era ele, e se era aluno recente na escola, apesar de já estarem no final do ano, parecia que as pessoas sofriam de amnésia coletiva quando o assunto era ele mesmo.
   Esta certo que, em dados momentos todas as escolas ficam chatas e com aquele tipo de gente que as tornam detestáveis, e que após a primeira e única vez que um desses  valentões começou a notar nele, nos primeiros anos, e o esmurrou, nunca mais repararam nele em local algum, a menos que ele mesmo quisesse e fizesse um esforço sincero em ser notado.
   Uma coisa que sempre teve vontade de saber, era sobre o pai.
   Erick nunca conseguiu que sua mãe comentasse sobre seu pai, e sempre que perguntava ou sua mãe chorava, ou o que era mais comum, ela quebrava alguma coisa, irritada.
-          Seu pai foi um desmiolado, canalha, que desapareceu, e ainda bem que você não herdou nada dele!!!!!!!
-          Mas mãe, como ele era?
-          Irritante!
-          A senhora não está respondendo direito!!!
-          Ah, que coisa!!!!!Ta bom, ta bom!!!! Seu pai, era um homem de cabelos castanho avermelhados, magro, que sorria o tempo todo, cheio de conversa fiada, e que conseguia se distrair com as coisas mais estranhas possíveis!!!Está bom pra você???
-          Não!!!!!Dá para parar de fugir do assunto?????Qual era o nome dele?O que ele faz da vida? Onde ele está???
-          Primeiro: Eu não sei!!! Segundo: Eu não sei!!!!!! Terceiro: Eu não sei, mesmo!!!!!
-          Você está brincando não é??? Vocês dois brigaram, ele foi embora e nem sequer quis me ver não é???
-          Eu adoraria dizer que sim!!!! Mas o fato é que não sei o que aconteceu com ele, e o que lembro dele é exatamente o que já contei pra você!!!!!!
-          CONTE A VERDADE!!!!
-          TA BEM!!!!! Eu fui a uma festa no jornal em que trabalhava, foi logo na época em que a Nicarágua estava sendo condenada por usar terroristas. Haviam algumas pessoas lá, algumas muito interessantes, e bem no meio delas estava ELE!!!
   Não conseguiu nem em outras tentativas ir além disso, sempre sua mãe resmungava alguma coisa sobre “os malditos materiais de látex vagabundos de antigamente”.
   O caso é que ao que tudo indicava, ela até que ainda gostava um pouco dele, mas não suportava a idéia de remotamente cogitar  te-lo por perto de novo.
   Ficou pensativo, estendido sobre sua cama, até que adormeceu.
   Em seus sonhos, via uma cidade dourada, onde alguém o chamava de longe.
   Lock voava como uma mosca, o mais rápido que poderia ir, mas por mais que tentasse encontrar o garoto com sua percepção ampliada, era como se ele fosse um ponto cego que sempre sumia de vista.
   Isso, é claro, apenas confirmava sua convicção de que apesar de todos os protestos de Wotan, para que ele ficasse longe de Midgard, e principalmente que parasse com sua mania.
   A mania de Lock, que tanto irritava Wotan, eram os hábitos que ele tinha de viver entre os humanos, como um deles, e de constituir família e tudo o mais, desaparecendo em seguida quando estava entediado. Certa vez chegou a ser uma mãe de família, e teve inclusive filhos, afinal ele mesmo era transmorfo (embora Wotan já disse também, várias e várias vezes, para que parasse de abusar).
   Quando se cansou de procurar, teve uma de suas brilhantes idéias.
   Retornou a Aesgard, tendo o cuidado de devolver  a Capa de Plumas de Falcão, antes que as Idisires se soltassem e começassem a caçá-lo. Notou inclusive o brilho insano e avermelhado em seus olhos, quando passou por elas indo embora, e notou mais ainda horrorizado, que já haviam soltado quase todos os fios da teia que usou para prede-las.
   Como estava sem tempo, rapidamente se pôs a caminho de Prudsheim, para pegar o que era preciso para encontrar seu filho.
   Devemos aqui fazer um adendo.
   Não é que em  Prudsheim houvesse uma aviso do tipo “...Lock, cuidado Donnar  anti-social...”. Mas o caso, é que ele já havia feito, digamos, negócios antes com Donnar, e ele mesmo não havia pensado nos mesmos como lucrativos, em face dos custos, por assim dizer, e portanto estava sempre quase rosnando ao ouvir falar de Lock.
   Mas isso não impediria Lock, afinal que melhor motivo do que “...reunir um pai e um filho a muito separados pelo tempo...”, e depois Lock gostava do som e das cores do céu, quando Donnar se enfurecia. Valia a pena o esforço, pelo espetáculo, era quase uma obra de arte.
   E Lock , por certo, era o melhor artista nisso.
   Observou de local protegido, que a carruagem com os dois Bodes Imensos, já havia partido, o que significava um problema a menos.
   Aproveitou-se então do silencia na entrada de Bilksnir, e foi entrando furtivamente pelas sombras.
   Passou pela estátua de Alvis (pobre coitado, não imaginava que Donnar era tão ciumento), e notou Prud ainda chorando próximo dela.
   Lock pensava que o Swartalf deveria ser MUITO BOM  em alguma coisa, para que a filha do Deus do Trovão ficasse tão ressentida com a sua falta.
   Continuando em frente, entrou no Palácio, que conhecia quase tão bem quanto seu próprio Dono, e foi para o local onde um certo artefato ficava sempre disposto, quando não estava em uso.
   Incrível que sempre estava no mesmo lugar, e que mesmo após o que aconteceu com aqueles Trolls idiotas, roubando-o e querendo trocá-lo por Freija, eles ainda o colocassem aqui.
   Lock foi até o aposento e seus olhos incandesceram ao ver a arma.
   O Mjoulnir estava lá, brilhando todo em Ouro, curto, pesado e mortalmente sonoro.
   Parecia haver uma melodia chamando por batalhas, provindo do cabo que possuía uma forma de rosto barbado, com olhos furiosos (Brokk e Sindri pareciam ter visto o futuro quando pensaram nesta arma).
   Apoderou-se dele, que adequou-se ao portador imediatamente, apesar do cabo ser pequeno demais (cortesia do próprio Lock, preocupado em não perder o pescoço, diga-se de passagem).
   Lock, foi então até uma área aberta, e esperou por algum tempo até ter a certeza de que não apareceria ninguém.
   Então ele pôs seu Brilhante plano em prática.
   Consistia de uma idéia muito simples. Ele simplesmente iria pensar em alguma coisa próxima de seu filho, iria girar o martelo, e arremessa-lo. Como Mjoulnir não erra seu alvo e sempre retorna as mãos de quem o arremessou, ele mesmo o guardaria sem que Donnar soubesse do que ocorreu, e assim teria apenas que passar algumas eras evitando que as Idisires de Freija, o fatiassem em vários pedaços.
   Mas, como ele mesmo é o Deus do Fogo e da Brincadeira, ao por em prática a coisa não saiu tão perfeita assim.
   Notemos, que ao girar o Martelo, não havia realmente ninguém por perto, mas quando estava com velocidade, com chispas de fogo e relâmpagos saindo em pleno ar do rodopio, e estava a ponto de arremessar, apareceu uma visitante inesperada.
   Skhad  havia vindo fazer uma visita, e sua atenção foi chamada pelos clarões que podiam ser vistos a distância, e supondo que somente poderia ser Donnar, foi até o local, HORRORIZANDO-SE com a cena.
   Lock viu Skhad (e lembrou-se que ele mesmo foi o causador da morte do pai dela), e por uma pequeno, mínimo mesmo, desvio praguejou:
-          Por todo o Veneno que há nos Rios de Hvelgaldhir!!!!! Será que  terei que rachar a cabeça de alguém para ter sossego?????????
   Skhad nem teve tempo de responder, o martelo já o havia erguido junto, partindo para alguma direção estranha, que nem mesmo o próprio Lock saberia dizer qual seria esta.
   Prud chegou pouco depois, e perguntou a Skhad:
-          Que houve por aqui?? Cheguei a pensar que meu pai estivesse usando o Mjoulnir na extensão do Jardim???
-          Realmente alguém usou o Martelo aqui. Mas infelizmente foi alguém menor, mais franzino, de cabelos vermelhos, e um tanto quanto atrapalhado!!
-          O QUE???? Pelo Bifrost, Donnar vai mata-lo !!!! Temos que avisar Wotan e rápido!!!
-          Se avisarmos Wotan, talvez nem o voto de sangue dos dois impeça o próprio Wotan de mata-lo dessa vez!!!! Mas não temos escolha, era o Mjoullnir e estava nas mãos do Deus do Fogo!
   Enquanto as duas damas partiam para Walhall, a procura de Wotan. Uma figura magra, de cabelos vermelhos, estava usando o equivalente divino de uma garganta, para DIVINAMENTE BERRAR, até que em meio a uma explosão, atingiu o solo.
   Depois do que pareceu uma eternidade, com uma dor de cabeça que faria uma ressaca de Hidromel mal feito, parecer uma suave passagem pelo Jardim de Idunna, Lock despertou e ao abrir os olhos, estava realmente surpreso.
   O Mojoullnir não era chamado de “Destruidor”,  a toa.
   Estava, coincidência das coincidências, em Midgard e próximo da cidade onde seu filho morava.
   Mas não sabia quanto tempo havia se passado até ele despertar, podia ouvir o barulho de Helicópteros se aproximando, e ao longe vozes de pessoas dizendo “...O meteoro caiu aqui! Eu vi, eu vi! Destruiu parte de um rochedo, e causou um clarão que apagou a cidade...” .
   Teve dificuldade de arrancar o martelo da cratera que ele havia feito, mas por fim conseguiu retira-lo.
   Assumiu a forma de um velho muito, muito feio, para que ninguém reparasse nele ou o parasse, e caminhou até outra clareira que estava mais afastada dos problemas que haviam acontecido ali perto.
   Enquanto isso, os helicópteros e as pessoas chegavam na clareira, mas não a tempo de ver que alguma coisa havia saído de dentro dela, arrastando-se e seguinte semi conscientemente a trilha de Lock, ocasionalmente matando pequenos animais que passavam em sua frente.
   Lock parou na frente de um carvalho e pensou.
   “...O que devo mirar desta vez??? Vejamos, vejamos????Já sei!!!!...”
   E mais uma vez chispas e faíscas eram cuspidas do giro do Martelo, e por fim quando Lock estava por arremessa-lo, algo agarrou seu pescoço, e começou a esgana-lo.
   “...O que é isso????? Não consigo vê-lo direito, está apertando meu pescoço a partir da parte de traz!!!! Não é humano, é muito forte!!!....”
   Antes de desfalecer, fixou sua mente no objetivo que tencionava atingir com o Martelo, e segurou o seu cabo.
   Ambos, a coisa e Lock, subiram junto com o Mjoullnir  e por fim atingiram o solo, com outro estrondo e clarões.
   Lock caiu longe do Mjoullnir desta vez, e ainda mais longe de Lock caiu a coisa que desnorteada rastejou, para o campo próximo, escondendo-se em meio as raízes expostas de uma árvore velha e sem folhas, que ficava por ali.
   Erick e sua mãe assustado, saíram assustados, pensando que um terremoto estava destruindo tudo.
   Então deram com a silhueta de Lock, se erguendo a uns cem metros mais adiante.
   Primeiro a mãe de Erick, não estava conseguindo entender ou discernir sobre o que havia acontecido.
   Depois, ao começar a reconhecer as feições do homem, que cambaleante, erguia-se do chão. Começou a praguejar, urrar, e por fim, saiu de sua casa armada com uma vassoura, claramente tencionando impedir que o que quer tenha aberto o buraco no chão, e eliminado a paisagem, tivesse seu quase certo intento de matar Lock, frustrado por algum capricho do destino.
   Contudo antes de conseguir se aproximar o suficiente, para atingi-lo, foi detida pelo filho, que correndo logo atrás,  procurava saber o que estava acontecendo.
-          Para mãe!!! O coitado está meio morto!!! Você vai acabar matando ele de verdade!!!
-          Eu sei! Eu sei!
   Esperneou um pouco, mas depois conteve-se.
   Lock, conseguiu ficar em pé, e apoiando-se no ombro de Erick, finalmente deu-se conta de que conseguira ir até onde queria. Reconheceu imediatamente as feições de uma antiga amante, com exatamente o último olhar que lhe foi lançado a distância, quando foi flagrado furtivamente indo embora.
-          Ora, ora!!! Que bons ventos me trouxeram a este local??? Como é bom ver um antigo rosto amigo!!
-          Se você disser isso de novo, eu vou enterrar o cabo desta vassoura, garganta a dentro em você!!!
   Erick não havia entendido até o momento, mas  a forma como a sua mãe estava reagindo, somente podia indicar que ou este era algum vendedor de bíblias, ou então seu pai, que por mais estranho e impossível que pudesse ser, havia aparecido em meio ao exato local da queda de algum objeto muito pesado.
-          Vocês não me convidariam para entrar? Eu estou um pouco indisposto sabem???
   A mãe de Erick já estava pronta pra dizer algo como “...Claro, claro. Deixe-me primeiro colocar o alho na entrada de casa, para ver se você morre asfixiado lá...”, mas Erick já havia tomado a dianteira, e estava apoiando seu pai, enquanto caminhavam em direção a casa, para total desespero da mãe de Erick.
   Lock, após ver seu filho, esqueceu-se totalmente do Mjoullnir, que ficou enterrado no local da queda, que sendo mais macio do que o primeiro, ocultou completamente sua presença.
   Enquanto isso, em Aesgard...
-          Ele o que???????????? Por favor, repitam devagar, eu suponho que não consegui entender da primeira vez!!
-          Isso mesmo, Herjan!! Ele surrupiou o Mjoullnir, sabe-se lá por qual motivo, e arremessou-se com ele em direção a terra. Pela força que deu ao Martelo, e pela maneira como atirou-se com ele, suponho que talvez Lock tenha sido acometido de alguma doença desconhecida, e supôs que poderia curar-se dela, através do suicídio!!!
-          AH, LOCK, LOCK, LOCK!! EM QUE, POR TODOS OS NOVE MUNDOS, VOCÊ ESTÁ METIDO DESTA VEZ????????? Donnar já sabe o que aconteceu???
-          Não Lord Wotan, meu Pai nada sabe. Pelo menos, por enquanto!!!!
   Enquanto Wotan conversava com Prud e Skhad, duas Idisires furiosas pediram uma audiência com o Walfather, e diziam que era um assunto que requeria atenção imediata.
   Quando Wotan perguntou ao Einjhar que trazia a notícia, qual era o assunto, ele as convidou para se juntarem a Prud e Skhad, e soliciou a duas outras Idisires que estavam em Walholl, que lhe trouxessem muito Hidromel, pois ele precisaria.
   Ao ouvir toda a história relatada pelas Idisires, Wotan, ao receber uma rápida resposta das Runas, disse:
-          Ao que parece, as coisas vão se complicar mais ainda!!!
   E antes que as presentes pudessem perguntar o motivo, um viajante cansado retornando a seu lar, se dá conta de que um PRECIOSO objeto, havia desaparecido.
   E então, Aesgard inteira tremeu com um sonoro “...LLLLOOOOKKKKKIIIIIIII.....”, que era trovejado a partir do Castelo Bilskinir.
   Em Midgard, precisamente em Paineville, uma tempestade apareceu do nada, e causou a total falta de energia em toda a cidade, relampeando de forma assustadora.
   No momento em que havia começado a chover, um Euginie muito dolorido, cabisbaixo e ainda mais idiota (provável seqüela do acidente), fugiu do hospital.
   Ele foi vagando, vagando, vagando, até que parou exatamente em um terreno vazio, onde nada havia além de uma árvore velha e sem folhas.
   Ele pensou em se proteger da chuva encostando-se no tronco da árvore.
   Estava enfurecido, e só pensava em sua vida na lata do lixo, em uma questão de poucas horas.
   No hospital, ouvia o tempo todo, depois de conseguir ficar acordado, ainda que meio grogue por causa da dor e dos remédios, as chacotas e os risos “...Esse é o quarto do frutinha manetinha???...ou...É aquele ali o frutinha sem braço???...” .
   E o ódio começou a crescer, e ficou remoendo como matar Marcus, que o atropelou, Ernest que espalhou pra todo mundo as coisas sobre o “seu pequeno tesouro”, e Ele mesmo que o levou para a rua para ser pego pelo caminhão.
   Não havia notado a forma, estranha, esbranquiçada, meio viva  e meio morta, que se arrastava procurando seu pescoço, com unhas enormes e afiadas, e uma força que faria qualquer alterofilista pensar duas vezes em se atrever a medir quem podia mais.
   Na hora exata em que atacou Euginie, uma coisa simplesmente quase impossível aconteceu.
   A burrice de Euginie era tanta, que ele resolveu se esticar ainda mais e praticamente colar-se ao tronco da árvore, por que os relâmpagos o estavam assustando, e ele supunha que a árvore seria ótima para protege-lo deles.
   Assim, a coisa se arrastou e agarrou Euginie, de tal forma que ficou completamente visível, e seu prolongamento traseiro, estava roçando o toco de braço que restava a Euginie.
   E um relâmpago acertou a árvore naquela mesma hora, deixando Euginie a ponto de morrer.
   Na verdade ele morreria, mas o pedaço de Draukar que se agitava, tentando mata-lo, durante a descarga elétrica acabou se afeiçoando a carne que estava em ponto de morrer, e meio queimada de Euginie, e então aquele Arremedo de Braço, se juntou e se fundiu com o toco de braço de Euginie. Se é que podemos chamar de Euginie, o que sobrou dele depois de tanto sangue perdido no atropelamento, e depois de um começo de enforcamento, e uma enorme descarga elétrica que carbonizou muito de sua pele, e corpo.
   O resultado, foi algo que não era humano, não era Draukar, e não era a mesma coisa de onde o estranho braço teria vindo. E em resumo, não era nada de que se tivesse notícia, simplesmente, era algo que se compunha de muita força, muita feiúra, muito mau cheiro, e um enorme ódio, que era direcionado aos fatos mais recentes, do presente, tanto quanto a lembranças estranhas que vinham de um passado muito mais antigo do que a terra lembra, sobre uma Grande Banquete e a necessidade de um Enorme Caldeirão para Cerveja.
                                   



-          Tragam Donnar a minha presença, antes que ele tente “concertar” as coisas a sua maneira!!!!
   A Ordem de Wotan, dada a Thordis a Idisir principal do Prudsheim, era imperiosa e furiosa, foi recebida com tranqüilidade pela Idisir, que estava no Walholl, tendo acompanhado sua Senhora e Skhad. No entanto, ao responder, não pode ser menos prestativa:
-          Lorde Wotan, suponho que seja um trabalho perdido buscar por Lord Donnar agora. Sua personalidade é Intempestiva, e ele já deve estar a esta hora, a meio caminho do local onde Lock talvez esteja!
   Wotan ponderou. Sentia-se perplexo, não tanto pelos fatos que aconteceram (pois Lock não aprontava nada já fazia algum tempo, e ele já estava se preparando para o que poderia vir), mas principalmente por mais alguma coisa, que estava se pondo em movimento, desde que Lock começou todo este redemoinho.
   As Runas lhe diziam claramente:  “...De novo nasceu um inimigo, sem mente!  Sem compaixão, que não sente! Gigante, sutileza lhe era ausente! ...”.
-          Deixem-me só! Preciso investigar outras coisas nesta trama!
   As Deusas, a Idisir e os Einjhars que ali estavam, saíram da Grande Sala de Wotan.
   Sozinho, Wotan começou a focalizar a si mesmo, iam e vinham seus pensamentos.
   Iam e vinham todos os Mistérios do Futhark.
   Iam e vinham todas as Runas.
   Seu olho, imensamente azul se fechou, e ao mesmo tempo sua mente se abriu em Grandes Asas de Águia.
   Ergueu-se em vôo pelos Céus Prateados de Aesgard, rodopiou em meio ao ar, e em seu giro criava espirais multicoloridas. As espirais cresciam, se expandiam, iam a todos os cantos e reinos, formavam caminhos que eram ao mesmo tempo chaves e portais. Formaram então padrões, e estes padrões formaram sons e figuras, que se condensaram em formas, seres e maravilhas, em um mundo cujo céu era azulado.
   O Seidhr o levou até Midgard, e sua consciência expandida o aproximou o máximo possível do vácuo que sentia em determinada região, onde algo que parecia dizer “...Vá! Eu não importo! Não há nada aqui!...”, pulsava intensamente.
   Em redemoinhos de ventos, que uivavam como o passar de uma enorme horda de espíritos de combate, uma figura aparentemente idosa, sentou-se sob uma árvore, no único local seco que havia ali, e após convocar Hugin e Munin, enviando-os para procurar e observar, aguardou.
  
   Lock passou a noite deitado, gemendo e solicitando atenção, a cada cinco minutos.
   Não, não é que realmente precisa-se de cuidados, passadas duas horas, ele mesmo já estava novo em folha. Mas lhe agradava de uma forma incrível ter por perto pessoas, quer dizer, uma pessoa de seu próprio sangue que fosse tão cuidadosa e atenciosa.
   Estava maravilhado, e se perguntava se havia feito algo a Niwdred (este era o nome da mãe de Erick), na única noite em que estiveram juntos, que pudesse ter ocasionado esta “singularidade”, sem sua prole.
  Você deve estar se perguntando, como se parece um Deus ou uma Deusa afinal, para que esteja próximo de alguém sem que perguntem “...Ei!! Que Roupas estranhas são essas ... ou ... Porque você está nu???...”.
   O que devemos lembrar é que, em primeiro lugar deuses não tem roupas (não da mesma maneira como Eu ou Você teríamos alguma peça de roupa), ou mesmo mãos, língua, pés, ou qualquer outra coisa que possamos imaginar que tenham.
   Deuses aparecem aos humanos com o formato exato que um humano o melhor perceberia e se relacionaria com ele, de acordo exatamente com um ocasião, de maneira que sempre parecem estar perfeitamente trajados para uma ocasião, não importando qual seria esta ocasião.
   Se Idunna, aparecesse em uma festa por acaso, os advogados que lá estivessem notariam o ótimo vestido de noite que ela estaria usando (com um grande decote é verdade), e haveriam sempre grandes frutas ou maçãs curiosamente sendo servidas próximas dela. Alguns dele pensariam que o vestido era negro, outros que era vermelho, outros que era bege, mas a verdade é que não se lembrariam sequer da cor. Pois a mente humana não consegue registrar o que não existe, e nem o que ela mesma cria para dar cores e formas a algo, tornando mais facilmente perceptível ou tratável, sendo que o que está percebendo vai além do que pode lidar ou conceber em termos cotidianos, ou de pessoas puramente cotidianas (a coisa em si somente é diferente com praticantes de Galdhr, Seidhikhonas e Gudjas ).
   Assim, Erick lhe dava toda a atenção que podia, e era tão estranhamente solícito e agradável que não parecia que se pudesse dizer não a ele, ou mesmo que não se pudesse ir embora, enquanto ele lhe desse toda a sua atenção.
   “...Influenciar humanos, swartalfs, trolls, Jotuns não inteligentes, é uma coisa! Mas influenciar um Deus??? Issa!!!!  Realmente o magnetismo dele é incrível!!! ...”
   Pensava Lock, foi quando teve uma idéia.
-          Diga-me, para onde foi Niwdred??? – como se ele não soubesse - Estava aqui logo quando você me colocou neste sofá, e depois de um tempo, desapareceu??
-          Mamãe me disse que tinha que visitar umas conhecidas da vizinhança. Ela não fez muitas amigas na cidade até agora. Eu acho que tem haver com o mau gênio dela.
-          Não, diga?!?!?! Eu nem havia reparado nisso!
   E apontou para a vassoura, o que fez com que ambos rissem com estardalhaço.
-          Diga-me, você por acaso notou algo estranho até agora???
-          Estranho como o que?????
-          Talvez como isso......
   E ao dizer isso, mostrou-se como realmente era.
   Erick ficou boquiaberto com as labaredas de todas as cores que saíam de seu corpo, que visto em suas proporções verdadeiras, longe de ter a estatura baixa que gosta de aparentar, é muito alto e forte, o que contrasta razoavelmente com a aura rubra que preenchia o local.
   Falou a Erick usando apenas a mente:
“...Como vê, talvez eu nada seja do que você estava esperando...”
   Erick somente pode balançar a cabeça afirmativamente, e começou a se perguntar mentalmente o que ele era, e se realmente era seu pai, etc, etc...
“... Eu Sou Seu Pai!!! Mas sua mãe não sabia o que eu realmente Eu sou!!! Na cabeça dela, fui embora após ter me distraído com outra mulher, logo após termos feito amor......Ei calma, isso lá é jeito de pensar do seu pai??? Olha essa boca, quer dizer, olha lá o que pensa!!!!!!! ...”
-          Como assim, olha lá o que pensa???? Ela tinha razão sobre você!!
   Voltando a sua aparência preferida, Lock respondeu-lhe:
-          Não, não tinha! Eu havia me dado férias, e estava me divertindo em uma festa, e a via lá, e a achei encantadora, e, e, e ......Bom, nós acabamos bebendo muito e por causa disso você nasceu!! Mas eu não aceito que ninguém diga, que foi por causa de uma outra mulher que eu tenha visto, e ido atrás logo em seguida, isso é um insulto!! As pessoas tem que ter mais cuidado com o que falam dos Deuses!!!!!!!
-          Deuses?????? Você é um Deus???? Deus de QUÊ???? E pare de fugir do assunto, por que ela esta tão brava com você até agora???
-          Você? Você? Você?? Cadê o “papai” que eu estava ouvindo até agora????? Essas crianças de hoje em dia são mesmo o fim da picada!!!!!!!!!!!!
-          Não me enrole! Vamos lá diga???
   Erick com certeza tinha descendência divina, afinal mesmo após ter tido o susto inicial, ele mesmo estava mais preocupado com os outros detalhes, do que com o que era inerente a sua natureza.
-          Esta bem, esta bem, eu falo! Que pressa, não se pode nem mesmo descansar um pouquinho que o seja, depois de um acidente como aquele, ser atingido por um meteorito....Que mundo mais frio e insensível é este, onde vamos parar desse jeito.....
-          Dá pra parar com a “enrolação” e ir direto ao ponto??????????
-          TA BOM!!! Não foi uma mulher que me fez ir embora de uma forma tão, como direi, pouco cavalheiresca!!!
-          Não????? E o que foi então?????
-          Foram DUAS MULHERES, e gêmeas inclusive!! Ah, que noite, que noite...........
   Antes mesmo que pudesse corrigir o que havia dito, o mau já estava feito.
   Erick simplesmente não tinha palavras. Era inacreditável, mas sua mãe parecia ter pelo menos alguma razão na “birra” que fazia, cada vez que perguntavam sobre seu pai.
   Qual mulher, que  não pudesse ter ido cobrir as matérias pelas quais tanto havia brigado, por causa de loucos desejos durante uma gravidez não planejada, onde por mais que comesse não conseguia sentir-se satisfeita (é verdade que misteriosamente não engordava mais do que o necessário para engendrar a criança em seu útero), e o tempo todo, e as coisas mais loucas e as misturas mais estapafúrdias possíveis e imagináveis. Como aquele desejo por sorvete de passas ao rum com berinjela, coberto com molho vermelho, pelo qual sentia compulsão exatamente as duas horas da manhã, todos os dias, depois do sexto mês de gravidez.
   Não conseguia dizer nada para o pai. Estava chocado e não sabia se o que  sentia era ressentimento por saber que ele era tão frívolo, ou assombro,  por aquela coisa dele ser um Deus.
-          Olha! Eu não acho que vou conseguir continuar essa conversa...
-          Eu entendo. Muita coisa para absorver de uma única vez, não é mesmo????
-          Como você consegue?
-          O que? Mudar? Ah, isso é fácil! Talvez até mesmo você possa.....
-          Eu não estou falando sobre isso!!!!
-          Seria sobre o que então???
-          Como você consegue, ser tão caprichoso, desaparecer por tanto tempo, sabendo de mim, ou de como deve ter sido ruim para minha mãe. Reaparecer agora depois de todo esse tempo, e sem mais nem menos ir VOMITANDO TUDO ISSO EM CIMA DE MIM??????????????
-          Olha aqui!!! Em primeiro lugar eu não sabia sobre você!!!
-          Como não??? Não foi você mesmo que disse que era um Deus??? Cadê a onisciência???
-          Mas quanta ignorância!!!!! Isso deve ser coisa de algum mitraico, eles vivem com a aquela idéia besta de “todo mundo em mim e eu em todo mundo”....Não, não é assim...Eu acho que é “um em tudo e tudo em um”, isso, isso, isso mesmo.......
-          Como é que é???
-          É mais ou menos assim: Você é um Deus, tem haver com uma coisas e outras. Algumas coisas vivem o tempo todo com uma marca sua, e outras não. Isso de saber da vida de todos é coisa de Wotan, ele é que sempre está observando o que todo mundo faz, o tempo todo!!!
-          Mesmo no banheiro???
-          Já que perguntou agora, isso realmente é estranho....Já imaginou?????? Espera aí, agora é você que está distorcendo as coisas!!!!!!!! Dá pra parar de tentar me induzir por favor??????
-          Induzir??? Eu nunca fiz isso..........
-          Ah, qual é???!!!! Vai me dizer que em nenhum momento você sentiu, mesmo que um pouquinho, que não era você que estava mantendo todo mundo longe de você, com exceção daquela garota com problemas de má formação por excesso de volume corporal em áreas proibidas para menores de idade???????
-          Bom, eu achava que era só uma faz de conta que funcionava de vez em quando. Não pensei que fosse sério!
-          Corrija-me se eu estiver enganado:  “De vez em quando”, no vocabulário dessa cidade esdrúxula,  quer dizer “sempre”????????????
-          Ta certo, ta certo!!! Mas que história é essa de “coisas com marcas”?
-          Bem é simples. Tem coisas que existem ligadas a mim diretamente, e que onde quer que elas estejam, simplesmente há uma emanação de mim presente, e é mais fácil tomar contato comigo por canta disso. Foi uma pouco por isso que a sua namorada conseguiu chamar a minha atenção, quando eu estava sentado no Hdliskialf. Mas para falar a verdade, eu quase não dei importância, o que me chamou atenção provavelmente foi você mesmo.
-          Namorada? Chamou? Quando? Eu?
-          Sim a tal “Debie Calamidade”! Quando o Euginie cabeça de lontra passou a nutrir desejos assassinos e ela queria vingança! Mas provavelmente, foi o seu “magnetismo”, que está muito forte, que acabou sendo a coisa que mais me atraiu até aqui. Afinal você é meu filho!
   Nesta hora, a conversa foi bruscamente interrompida.
   Algo estava arrebentando a cozinha da casa de Erick, arremessando móveis, e passando pela parede, em direção a onde eles estavam.
   No momento em que chegou a sala, Lock sem saber o que era, estendeu uma cortina de fogo muito espessa, e arrastou Erick para fora da casa ( supomos que Niwdred falará bem pior de  Lock, depois de ver sua casa reduzida a cinzas, ao invés de apenas ter uma cozinha destruída, logo após seu inesperado  reaparecimento).
   Lá fora, podia-se ouvir algo urrando enquanto tentava em vão atravessar o fogo. Aliás, ouviu-se um segundo estrondo, parecendo que a coisa havia saído pelos fundos, em direção ao local de onde Lock foi retirado.
   Antes de poderem dizer qualquer coisa uma para o outro, um ancião que a tudo observava se aproximou de Lock.
-          Olá Deus do Fogo? O que está se passando?
   Erick olhava, com vontade de perguntar alguma coisa, mas não conseguia falar. Parecia que alguma coisa lhe entorpecia os sentidos, como se estivesse observando de longe.
-          Wotan? Aqui? Oh, como são tortuosos e maravilhosos os fios tecidos pelas Nornes? Como são tão estranhos os caminhos em Yggdrasil, para que nos encontremos tão casualmente.............
-          Lock, não comece com essa conversa doce comigo!!!!!!!!!!!!!!!!!!
-          Mas eu só.......
-          LOCK!!!!!!!!!
-          Ta bom, ta bom!!! Pelos corvos que vi sobrevoando a casa, suponho que já saiba de porque me mantive tão ocupado, em tão pouco tempo não é mesmo???????
-          Sua ocupação, com sempre, quase retirou a sanidade de algumas Idisires, que poderiam ter adquirido aracnofobia se não fossem o que são. Deixou em completo desassossego duas Deusas, que aliás estão preocupadas contigo.
-          Preocupadas comigo??? Nossa eu estou tocado!!!!!! Porque estariam preocupadas comigo??????
-          Porque o verdadeiro motivo de eu ter vindo a esse mundo, fez exatamente o que supus que faria, e está vindo para cá, neste exato momento, pensando em eliminar as duas causas de suas ambígua dor.
-          O quê??? Confesso que finalmente Wotan conseguiu deixar-me atordoado!!
-          Ora Lock, lembra-se do MALFADADO banquete de AEGER??
-          Sim, por certo!!!!!
-          Eu também, receio.
   E Wotan, lembra-se de Lock falando demais, durante o banquete, e causando uma enorme perseguição em seguida, que terminou com uma curta estadia dentro de uma caverna, tendo por companhia sua esposa, e uma serpente, que longe de verter veneno sobre seu rosto (como dizem no Lokasenna), cantava melodias medonhas e desafinadas, dia e noite, até que o Deus do Fogo reconheceu que havia extrapolado os limites, e procurou presentear todo mundo que havia ofendido, e desculpar-se com todos. O que lhe rendeu muito tempo, muito trabalho, e quase esgotou a lista de Deuses e Deusas em Aesgard, no processo.
-          Lembra-se, Deus do Fogo, que Donnar teve que conseguir um caldeirão especial, para que todos pudessem celebrar?
-          Sim, claro!
-          Lembra-se que o Caldeirão pertencia a Ymir???
-          Sim, sim! Daria para ir direto ao ponto, estou ficando tonto com essa conversa!!
-          Bem, quando Donnar teve que “conversar com o Jotun”, coisa que acabou terminando em uma cabeça rachada por um Graal indestrutível, e uma horda de Jotuns atacando Donnar, que eliminou a todos eles. Um braço do antigo Dono do Caldeirão, durante a batalha que se seguiu, foi separado do corpo pelos constantes impactos de Mjoulnir em todas as direções e caíram em Midgard, fendendo tempo e espaço.
-          Não me diga que............
-          Sim!!!! Aquela coisa que o atacou, e se meus corvos estão certos, que já acabou com os antigos parceiros do idiota que você puniu aqui. Aquela coisa era o Braço de Ymir.
-          Mas, então, se o – como era o nome dele- Euginio, Eujanásio, Eufrásio..........
-          Euginie!!!
-          Ah, sim, obrigado!! Se o tal Euginie, estava sem o braço, será possível que um pedaço de Jotun, que deveria estar realmente morto, se fundiria a ele??????
-          Lock, Lock, Lock!!! Mjoulniir tem o poder de devolver a vida. Principalmente  a vida de tudo o que Ele mesmo retirou, ou chegou a atacar. E nem mesmo ouse dizer que não teve a idéia de fazer isso!!! Você sabe  que nossa presença tão enfocada em um local, causa alteração do local, e o preenche com tudo o que somos. Ficaria surpreso se esta cidade não viesse a arder em chamas, ou não fosse açoitada por uma multidão aterrorizada, por conta de marcantes novidades na vida de cada pessoa que dela fizesse parte.
   Antes de concluir o que dizia, a razão dos temores de Wotan, criou um estrondo relampejante, rompeu com a rua e a calçada, e começou a avançar para as três figuras a sua frente.
   Wotan o observava, e passou em sua cabeça o seguinte pensamento:
“....Em todos os milênios que tenho visitado Midgard. Em todos os tempos antigos. Esta é a mais bizarra, grotesca e ridícula criatura em que jamais coloquei meu antigo olho, antes.......”
   O que estavam vendo, era realmente uma visão assustadora.
   Envolvido no que a distância pareciam ser fios, vinha avançando com o Mjoullnir em um pálido braço muito mais comprido e grosso do que o outro. Uma criatura com a pele queimada, com filetes esbranquiçados similares ao do braço grosso, estendidos pelo resto do corpo, e cheirando a uma mistura de carne estragada e carvão.
   Quando se aproximou, o que estava sobre seu corpo tornou-se completamente visível, e era horrível.
   A Coisa/Euginie estava com o corpo coberto por TODAS, eu repito, TODAS as calcinhas e roupas íntimas do “pequeno tesouro” de Euginie.
   Estavam esticadas, e trespassadas pelos ombros, pelas pernas, pela cabeça, como se fossem faixas de uma horrível, esquálida e hilária múmia, saída de algum filme de terror feito com pouco dinheiro. Isso sem mencionar o espartilho que tentou fixar a seu corpo inchado, pelos tentáculos que saíam do braço de Ymir, que estava dando alguma vida aquele horror psicopatico e hilário.
   Erick despertou do transe, no momento exato que Wotan estava ponderando sobre a “Coisa”.
   Passados alguns instante, o contrário do que supomos que a “Coisa” pretendia, aconteceu.
-          AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!!!!!!!!!!!!!!
   Os três riram tanto que não conseguiam mais parar.
   A criatura ficou atônita. Não era para isso ter acontecido.
   Afinal sua mãe, Marcus e Ernest, que foram fáceis de localizar, gritaram tanto quando o viram, que quase morreram antes de serem partidos ao meio.
   O ódio crescia, e crescia, e finalmente ele explodiu em direção aos três, que não se moveram.
   Wotan apenas pegou uma adaga, perfurou a palma de sua própria mão, e traçou com seu sangue, em um pedaço de osso de baleia que trouxe consigo, uma saudação, que proferiu em voz alta logo após traça-la:

-          HAIL RAUTHS DONNAR! MIKLAS SKAIRMJAN US AIRTHA! HAIL  ASATHOR!


   Lock lendo enquanto ele escrevia, e entendendo o recado, fez com que ela ardesse em fogo, que espalhou uma fumaça anormalmente grande para tão pouco material.
   A fumaça confundiu a criatura, que não sabia se deveria atacar para frente ou para os lados, estava totalmente desnorteada.
   E em meio ao esfumaçar escuro, começou lentamente a aparecer algo brilhando, que em seguida começou a relampear em um tom nefastamente escarlate.
   O relampear era acompanhado por um leve estrondo, como um trovão vindo de longe, que aumentava sem parar.
   O Trovão começou a fazer a terra estremecer, e então puderam discernir exatamente qual era o som que fazia:
-          LLLLLLLOOOOOOOKKKKKKKKIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!!
   Em meio ao clarão, Erick viu um homem muito alto, ruivo, de barbas ruivas, e olhos injetados por um puro ódio, e que tinha em suas mãos manoplas grossas de metal reluzente, e um estranho e muito largo cinturão.
   A criatura ao vê-lo, teve as memórias antigas imediatamente despertadas, e babando muito, avançou atacando a esmo, procurando acertar qualquer parte do corpo de Donnar que estivesse a vista.
   Donnar por sua vez, vendo o Mjoullnir sendo maculado pelas mãos de algo tão medonho e (????), ridículo, aparou o golpe segurando pelo cabo, por sobre a medonha mãe da criatura, e fez o golpe continuar, e dar uma volta completa até atingir uma inchada e grotesca paródia de perna, destruindo-a.
   Depois, virou o braço de Ymir de tal forma que este se quebrou, e atingiu ao mesmo tempo o quadril da “Coisa/Euginie”, que deixou de ser algo definível a partir daí.
   Arrancou o Mjoullnir das mãos da Criatura, e girando-o com toda a sua já enorme força, gerou relâmpagos, e trovões tão altos que pareciam produzir terremotos.
   Por fim, golpeou a “Coisa/Euginie”, com força suficiente para que desta vez nem mesmo uma parcela de pó, sobrasse para causar mais problemas na face de Jord, sua mãe, a Terra.
   Em seguida ele começou a caminhar na direção de Lock.
   Olhos injetados, mãos fechadas, Mjoullnirsendo balançado freneticamente de um lado para o outro, e uma sensação de assassinato que pulsava pura em pleno ar.
-          Ai os meus ossos!!!!! Dessa vez isso vai doer!!!!!
   Estancou na frente de Lock, ergueu o Martelo, que parecia pulsar feliz com as intenções do Dono. Mas quando estava por descer Mjoullnir com a ira necessária para tornar Everest, um pequeno amontoado de terra visível apenas de perto. Lembrou-se da “Coisa” que foi obrigado a eliminar a pouco.
   Ficou imóvel lembrando-se de cada detalhe, de cada parte da “Criatura”.
   E Donnar, soltou uma gargalhada intensa e espalhafatosa.
   Riu tanto, que perdeu o desejo de espalhar Lock pela Yggdrasil.
   Foi embora, em meio a uma tempestade de Raios, não sem antes deixar um aviso escavado no chão:
-          Fique onde está???????
-          Parece bem óbvio, Lock!!!
-          Como assim Wotan???
-          Ele simplesmente deixou claro, para que você passe um tempo por aqui. Será bom para conhecer bem seu filho, saber como ele é. Viver na casa dele com a mãe dele, sem induzi-la em momento nenhum.......
-          O quê????? Tem idéia de como ela está disposta a jamais fazer isso???
-          Sim, sim, sim!!!
   E Wotan sorria sombriamente, pensando no humor da mulher cuja imagem os corvos lhe traziam a mente.
   Foi-se embora, em meio a uma lufada de vento que se erguia para o Céu, deixando ver apenas o leve resquício de asas de águia se movendo.
   Erick estava boquiaberto, estático, e olhava  para o pai, procurando desesperadamente por esclarecimento.
-          Não se preocupe como que viu aqui! Isso quase é uma rotina na minha vida!
-          Pai isso é brincadeira não é????
(...Pai....Ora, ora, isso já é um começo.....)
-          Sim claro, claro, era só uma força de expressão!!!
-          Quem era o outro sujeito que fez o estrago naquela “Coisa”?????
-          Raudathor??? Ah, era um velho amigo meu!! Sabe, somos inseparáveis, como irmãos!!!!
-          Sei, pela maneira como ele veia até aqui olhando como um maníaco pra você, enquanto erguia aquele martelo estranho, deve ser um “Grande Amigo”!! Não é???????
(.....Oh, droga......Voltamos ao Você.....Bem, parece-me que vou passar muito tempo por aqui. Poderei concertar as coisas. Mas a mãe dele é um problema......)
-          Ora vamos, isso é só um mero detalhe! Eu usei o Martelo para encontrar você! Foi só isso!!!!!!!!
-          Ah, sei, certo, certo, certo!!!!! Façamos o seguinte, o senhor me explica essa história de Deus, e eu tento manter a vassoura da minha mãe longe da cabeça do senhor!! Certo?????????
(...Assim está melhor.....)
-          Muito bem! É um ótimo acordo!
   Não precisamos dizer que Lock deu o seu “jeitinho” para conseguir uma outra casa, com vários quartos a mais do que o necessário, e uma enorme piscina, além de uma adega muito grande.
   No processo, houve um probleminha mínimo com os bancos, e algum vírus estranho, como era noticiado nos jornais,que parecia ter afetado somente a conta dos diretores dos bancos.
   Nada mais natural, quando um Deus está em um local, ele o afeta e afeta aos que estão ali.
   Lock causa uma mudança sem tamanho em tudo que toca, e normalmente somente esta mudança é nefasta quando a pessoa é nefasta, e nada de útil ou bom pode surgir de dentro dela, ou a sua volta.
   Nestes casos, o estrago de sua mera presença é tão grande, que valeria mais a pena que não estivessem mais no mesmo mundo em que ele está, para escapar dos piores efeitos do Deus do Fogo.
   Ou ele poderia simplesmente inflamar a criatividade alguém, até o ponto de algo que nunca antes havia sido pensado, vir a nascer.
   Paineville, teve ambos os casos, ocorrendo mais vezes do que a população gostaria de admitir, por vários anos.

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