quarta-feira, 23 de março de 2011

Eldjötnar

Möðspellsmegir
(por Aístan Falkar)

Dentro do odinismo, asatru, fornseid, teodish gelebo e demais formas de tradicionalismo setentrional, há uma série de detalhes, seres, locais e reinos que diferem em muito de outros sistemas, e há outros que em verdade encontram estenções ligadas a diversas tradições.
Um dos mais controversos locais, contendo inclusive os seres menos entendidos dentro do tradicionalismo setentrional, justamente é Muspellheim.
Este fato já tem o seu início nas diversas afirmações de muitos autores diferentes, alguns unviersalistas, outros tribalistas e um ou outro purista, de que não há uma tradução para a palabra Muspell, ou que esta palavra teria vínculos com um texto que foi adulterado pelo cristianismo para ser um plágio do apocalípse cristão, com eventos pagãos – e nada pior e nem mais esdrúxulo poderia ser dito, no que tange a esta questão.
Muspellheim, ou seja, o reino de Muspell, tem em sua origem etimológica – a qual pode ser encontrada desde que não exista preguiça, ou visão extreita e deturpada – muitos detalhes e explicações, que podem ser extremamente vantajosos para praticantes de tradicionalismo nórdico, e inclusive para estudos que levem a um entendimento a cerca de todos os eventos que envolvam os “...Eldjotnar/Bardas tandjan...”.
Muspell vem do proto germânico e proto nórdico, “...Smu spell...”, “...clamor do chuvisco de luz...”, “...encantamento da chuva de fagulhas...”, ou “...rugido da chuva de fagulhas...”, segundo o Wortschatz der Germanischen Spracheinheit August Fick with contributions de Hjalmar Falk, inteiramente revisado por Alf Torp - de 1909 da vulgar era cristã.
Sendo então Smu “...chuvisco de luz ou de fagulhas...” e spell “...proclamar, clamar...”!
Admite também a modalidade do antigo saxônico (old saxon) “...mudspell...”, uma variante que lida com duas palavras a primeira “...Móði...”, e a segunda “...Spell...”.
MOD ou “…Móði…”: Sinn, Herz, Gemüt, das Innere, Seele, Geist, Jähzorn, Wut, Mut 0 heart, mind, spirit, soul, (violent) temper, anger, courage.

Tradução: “…Móði…” um sentimento, coração, mente, o interior, Alma, espírito, raiva, coragem, raiva 0 coração, mente, espírito, alma (violentos) temperamento, raiva, coragem.
SPELL : Rede, Reden, Wort, Botschaft, speech, speaking, word, message.

Tradução: “...Spell...” um discurso, discursos, palavras, a mensagem, fala, da escrita, palavra, mensagem, encantamento.
“...Muspell...”, foi incorretamente traduzido como dia do juízo final, pela infestação cristã na mente de antigos estudantes das línguas nórdicas, que subentenderam a idéia do fogo de Muspell e o Ragnarök, como algo ligado armagedom cristão, gerando então os seguintes conceitos:

MÜDSPELLI Weltende, der Jüngste, end of the world, the Day of Judgement, mutspelli - H CM 4358 — gs Mutt spelles H C,

Tradução: MÜDSPELLI “...fim do mundo...”, o mais novo, Dia do final do mundo, Dia do Julgamento, mutspelli H CM 4358 - “...mutt ou müd...”estando para Móði, ira, espírito ou fúria, e spelles para magia.

Palavra que não contém dados corretos seguindo a própria etimologia do “...old saxon...”, sendo portanto algo originado pelo dogmatismo cristão quando adentrou na região germânica.

Muspilli é um dos sobreviventes da antiga poesias épica, escrita em alto alemão – Hildebrandsleid devendo ser o outro – sendo datado de 870 da vulgar era cristã.

Um grande fragmento do texto sobreviveu nas margens e páginas vazias de um códice marcada como a posse de Luís, o Germânico, e agora estando na Bayerische Staatsbibliothek (cim. 14.098).

O início e o final do poema não sobreviveram.

Foi re-descoberto em 1817 e.v., e publicado pela primeira vez em 1832 da era vulgar, por Johann Andreas Schmeller, vindo a ter o nome de Muspilli por causa de uma palabra na parte central do texto.

O poema é uma versão do Ragnarok nórdico adulterada pelo cristianismo, com as personagens representadas em fontes do século 13 trocada por fontes cristãs, sendo então “...Surtur...”, substituído pelo inexististente “...Anticristo...” com quem Elias – usado em substituição a Thor – virá a lutar, Loki aparece no texto Muspilli, como sendo o demônio antigo.

A etimologia que define a Muspel como ligada ao termo cristão “...dia do juízo...”, ou seja “...Muspilli...” é incerta – contudo este termo resume uma espécie de fim cataclísmico do mundo em incêndio (ekpyrosis).

O poema “...Muspilli...”, é claramente um exemplo do início da invasão do cristianismo na região germânica, combinando elementos pagãos com os conceitos bíblicos e cristãos, contendo Elias, o Anticristo e do Juízo Final.

Muspel e Muspil são traduzidos muitas vezes também como "...Muor..."...Maris..." pântano "...Pfell...”, onde ocorre a palavra nórdica para Hell.

O que os termos estão descrevendo na verdade são colinas cobertas de musgo, as quais são usadas freqüentemente como ferrarias – de acordo com a temática acima.

Porque eram usadas como ferrarias, essas colinas podem ter se desdobrado como uma forma de “...farol...”, inclusive.

Durante este período, o Ferro era extraído do musgoso pântano, e por conta disso podemos olhar por exemplo os cognatos Musbach, Musholm, Musberg, Mushorn, Musdolch, Musgaard, Musland, Musdal, Mushom, Mustraum, Masfjord e Musfjel , que sugerem algum lugar entre os séculos 9 e 12.

Além disso, a batalha de Maserfeld ou Maserfield em Mercia é um exemplo associado a uma perda precoce – datada do século 9 – sendo que o termo “...Moss/soldado...” ou “...Mostrooper...”, é um exemplo tardio.

Contudo há outros detalhes muito importantes e úteis, ligados a palavra “...móði...”, que podem nos dar parâmetros superiores para compreender Muspelleheim.

Vejamos por exmeplo o termo “...Jötunmóði...”, como podemos observar no Grottasöngr (The Song of Grotti) (The Song of Grotti):

(23) molu meyjar, kostuðu megins, váru ungar í jötunmóði, ungar váru í “...jötunmóði...”, skulfu skaptré, skauzk lúðr ofan, skulfu skaptré, ofan lúðr skauzk, hraut inn höfgi hallr sundr í tvau. hraut pousada höfgi hallr sundr tvau í.

Tradução:
(23) As donzelas poderoso, eles caem ao chão, strained their young limbs of giant strength; tensos seus membros mais novos pela força de gigante; the shaft tree quivered, the quern toppled over, a árvore do eixo tremeu e tombou, the heavy slab burst asunder." o arrebentou a laje pesada. "

E bem como na Voluspa:

50 Hrymr ekr austan,hefisk lind fyrir.Snýsk jörmungandrí “...jötunmóði...”:ormr knýr unnir,en ari hlakkar,slítr nái niðfölr.Naglfar losnar.

Tradução:
50-Hrymr vem do leste,
com escudos erguidos,
Jörmungandr assume sua
força Jotun (jötunmóði),
espalhando as ondas,
a águia fulva berra,
roendo os cadáveres.
Naglfar está a solta*.


“...Móði...” também é citado como um dos corpos sutis presentes na subdivisão da alma, dentro da tradição setentrional, sendo o Módr citado como uma emoção adormecida que em certas horas de descontrole, ira, ódio, loucura ou paixão desperta elevando o ser acima de sua própria capacidade, sendo citado como um estado de pura “...Ira Incandescente...”. Na Edda é dito que quando Thunnar, lutou contra a serpente de Midgard, ele invocou o seu “...Jöttunmódr...” - Ira de Gigante ou Bravura de Gigante - para poder elevar a gigantesca serpente acima de si.
Neste caso o “...Móði...” lida inclusive com o desfecho do Bersekergar, fonte de tantos mitos pelo mundo, tendo sua origem nas migrações dos povos provenientes do Cáucaso, como é o caso dos Gutianos, ou outros povos ligados aos Visigodos, como é o caso dos Alanos, e que inclusive também é citado nas lendas Celtas, como é o caso da lenda do herói Cuchulainn, o qual após a batalha ou o enfurecimento deve ser resfriado, pois um calor ardente o envolve.
Este é outro aspecto que merece ser mencionado, o esfriamento do herói aponta uma explícita relação entre o furor e o calor do seu corpo e a necessidade de resfriamento, como apontou Dumézil, em suas obras, vinculando a diversos mitos Europeus, Eslavos, Sumério-ários e Indo-ários.

Esta é a situação descrita a respeito do herói Batradz, dos Caucasos, que nasce das costas do seu pai, envolto numa chama de fogo e reclamando por água para se aliviar:
“Mais rápido, mais rápido! Cubram-me de água! Sinto em mim uma chama de fogo, um incêndio inextinguível que me devora...”.
Talvez possamos apontar um desejo ardente que se apresenta como furor ou como fogo e que deve ser acalmado porque é devastador, porém devemos salientar que no caso do herói Cuchulainn, é tanto a vista dos genitais das mulheres nuas quanto a água, que acalmam o seu furor.

Há outro detalhe, extremamente importante para entender o contexto do que é Muspel e os Muspellmergir, que está presente na Voluspa, o qual observaremos em seguida:





VOLUSPA
18. Ond Thau né Attu,OD Thau höfðu né,Lá né lætiné goda Litu.Ond gaf Óðinn,Hoenir gaf OD,“...Lá...” Lóðurr gafok goda Litu

Tradução primeira:
18. Espírito não possuíam,sentido, eles não tinham,sangue, nem motivação, nem
feições formosas, nem cor.Espírito deu-lhes Odin,Hoenir deu-lhes sentido,sangue deu-lhes Lodur,
Tradução segunda:O primeiro deu-lhes o espírito e vida, a sagacidade; o segundo o sentimento e a forma; o terceiro deu-lhes fala, audição e visão.
O termo em Old Norse “...Lá...”, tal como é preconizado no norueguês antigo é geralmente pronunciado como "...Lau...", exatamente como a última parte da palavra em Inglês "...allow..." - permitir.

“...Lá...” pode ser traduzido de diversas maneiras, mas a melhor tradução seria sangue, calor, ou fluido vital.

Como um fluido vital “...Lá...” é móvel, fluídico, e pode criar o calor.

Em relação a terminologia ligada ao fogo, referente a Muspelheim, há algumas abordagens que inclusive complementarão em muito, este pequeno estudo.

Vejamos por exemplo o caso do gigante de fogo sombrio Surtur – Escuro – o qual é citado como seu rei, e é fato conhecido que J.R.R. Tolkien se inspirou nele para produzir seus “...Balrog...”, usando como base o proto-nórdico “...Balrók...”, que significa “...poder do fogo...”, ou “...deus do fogo...”.

Notamos também que entre os eslavos teremos “...Svarog...”, o “...brilhante ou luminoso...”, associado com o fogo, e o qual é um dragão de fogo que fica no topo da Austra Kokis, a árvore do mundo dos eslavos, e que teve como seu maior antagonista o dragão Zmey, o qual desejava devorar os vivos e os mortos – há neste caso uma similaridade com a oposição entre a águia Hraelsveg, que está no topo da Eomersyl/Yggdrasil contra Niddhog, o “...Waurms/Dragão...” que se encontra nas raízes de Yggdrasil.

Como pudemos observar a terminologia vinculada a Muspelheim, nos leva um pouco distante a termos, que por falta de atenção ou por necessidades torpes, acabaram por prejudicar o correto entendimento e uso, tanto dos símbolos como dos termos vinculados a esta antiga e venerável região.

Pela própria natureza e característica de tudo que veio a ser gerado em Yggdrasil/Eomersyl, como sendo proveniente de mesclas de Muspel e Nifhel, em porções por vezes desiguais, passamos a compreender a natureza dos Eldjötnar – Bardas Tandjan – as Forças de Muspel – Müspellsmergir.
Levando em consideração, que a natureza essencial de Muspel, como sua etimologia mais corretamente utilizada, “...Móðispellheim...”, com base no que pudemos destilar acima, sabendo que os poderes presentes sob controle de Surtur e Sinmore, são temíveis e incontroláveis, e levando em consideração que estas forças se chocarão com as forças dos Aesires, pela óptica do Ragnarok de acordo com o Vafþrúðnismál, é especialmente interessante que observemos um pouco a respeito da passagem referida:

Vafþrúðnismál 18.:"Vígriðr heitir völlr, er finnask vígi at Surtr ok in svásu goð; hundrað rasta hann er á hverjan veg, sá er þeim völlr vitaðr."

Tradução
Vafþrúðnismál 18.:
Vígrid é o lugar, onde Surt
finalmente derrotará aos Deuses.
Sem rastros possuí a cada lado,
esse é o local assinalado.

Na mitologia nórdica, “...Vigridr ou Óskópnir...”, é um grande campo predito para sediar uma batalha entre as forças dos deuses e as forças de Surt, como parte dos eventos do Ragnarök.
O campo é citado no Vafþrúðnismál, compilado no século 13 antes de materiais tradicionais, e na Edda em prosa, escrito por Snorri Sturluson no século 13.
A Edda Poética menciona brevemente o campo como sendo o local onde as duas forças vão disputar, enquanto que a Edda em Prosa apresenta um relato mais completo, predizendo que é a localização da futura morte de várias divindades - e seus inimigos - antes que o mundo que está em chamas, venha a renascer.
A palavra em Old Norse “...Vigridr...” significa "...batalha contra picos de tensão..." ou "...lugar no qual a batalha se exalta...", inclusive o nome Vigridr muitas vezes é modernamente encontrado com a escrita anglicanizada, sendo escrito como “...Vigrid, Vigrith ou Wigrid...”.
Já a etimologia do nome “...Óskópnir...” é um pouco mais difícil, mas tem sido proposta como significando "...o não criado..." ou "...não ocorrido".
A fúria dos deuses nórdicos é um fato consumado, quando em batalha em todas as citações presentes nas sagas e na Edda, os aesires ou vanires são terríveis e implacáveis, com pode ser visto por exemplo, no momento em que “...Wotan/Oðin...”, é obrigado a disfarçar-se de soldado inimigo e eliminar seu próprio descendente Sigmundi, espatifando sua espada com a Gungnir, e o empalando em seguida.

A Fúria aqui descrita é o mesmo que implicar em citar o Bersekergar, e bem como o citado “...Jötunmóði...” assumido por “...Thunnar/PoR...”, acima quando o mesmo teve que enfrentar Jörmungandr, o mesmo se dando com o caso de Cuchulain e Batardz.
Este “...móði...”, “...Ira...”, que em conjunto com o termo que dá nome a encantamento, trova ou anúncio, ou seja, o termo “...spell...”, dá a exata medida do que se passa no reino da atividade absoluta e da expansão absoluta.
Pela própria natureza desta fúria ígnea, que acima é descrita como nascendo não do presente de Wotan/Oðin - “...oðr...” – e não do presente de Hoenir/Wili – “...onð...” – mas sim do presente de Loður/Ve – “...Lá...”.
Como foi acima descrito em detalhes, o “...Lá...” é uma forma fluídica e caustica, que pode ser emprestado para dar a idéia do “...calor da vida no sangue...”, por exemplo, mas que acima de tudo lida com a presença da inflamação ardente, que em seus picos geram as citações que podemos observar, ligadas aos celtas ou aos ascendentes dos Alanos, dos quais o herói é justamente Batardz.
A “...fúria que incandesce...”, o “...móði...” é desencadeado diretamente pelo presente de Loður, e este é um dos 3 Aesires/Ansjus/Asa primordiais, que refletem o princípio da trindade ilimitada original em seus atos e em sua natureza, um deles está para a vacuidade ilimitada, outro para o frio constritivo incomensurável e o terceiro para o calor expansivo infinito, mais uma vez como representação da descendência do poder de Vácuo, Gelo/Envenenado e Fogo/Fúria, que a tudo geraram em seu pós contato conflitante.
Se o poder com suas respectivas características presente em um Niflungr, por exemplo, lida com a proximidade absoluta do mesmo com a fonte original dos Onze Rios Envenenados – Elivagar – que brotam de Hvelgermir, e se o reflexo do equilíbrio disto presente nos Eotans, combinado a exata medida de Fúria Incandescente que provém de Móðispellheim, e se o “...Lá...”, presente de Loður implica no calor do sangue, mas especificamente o seu tipo de potência, vinculada ao Bersekergar, a sede de Sangue dos “...Pursar/Pursar...” – e de “...Purs/Purs...” provém o “...Blood Thirst...”, ou sede de sangue – lida com a sede não só da essência mais próxima do veneno original dos Waurms de Nifhel, e sim da medida exata disto em “...Móði/Lá...”, que está contida no sangue, como a maior e mais refinada preciosidade que alguém pode carregar consigo.
Desta forma, deve-se especificamente a “...Móðispellheim...”, através do presente de Loður - o “...Lá...” - o potencial para entrar em transe “...Bersekergar...”, e este transe, sua característica e sua maneira de ser nos demonstram em si detalhes jamais expostos sobre os Elðjötnar, até o presente momento.
A natureza do fogo de Móðispell, diferentemente do fogo comum, e mesmo dos deuses do fogo que casualmente nos vem a mente, quando pensamos em algo neste sentido, é completamente aparte dos mesmos, e lida com uma força explosiva e incontrolável, que visa o completo extermínio de algo que seja um empecilho – por exemplo – ou com uma emanação de potência que possa realmente resolver um determinado problema, mas que em decorrência de suas características expansivas, virá a causar arrebatamento múltiplo, de muitos a sua volta, combinado a devastação por convecção, irradiação ou contaminação, vindo a deixar claras marcas destrutivas em tudo que não puder ser exposto a si.
Contudo é dito que a “...Mimameiðr...”, nome da Yggdrasil em textos restritos, não pode ser tocada pela espada ou pelo fogo, o que significa que a árvore de Mimir, não será desintegrada pelo fogo, mas que uma nova humanidade que vai se alimentar do orvalho que se manifestará sobre a mesma, povoará o mundo no pós Ragnarok, e sabemos que há segredos dento de segredos, de tal forma que um texto vela o outro texto, ou que uma árvore é o véu que protege a outra, de olhos intrusos ou despreparados.
O que nos dá claros indícios do que esperar em relação a tudo que implica no avanço dos “...Móðispellsmergir...”, inclusive que seu “...Lá...” ou “...Móði...”, não afetarão a “...Mimameiðr...”.
Agora, em retorno, observando mais uma vez os exemplos que podemos colher a respeito do transe de batalha, da Ira de Batalha do “...Moði...”, e da necessidade de resfriamento ligada ao mesmo, podemos também voltar nossa atenção a um fato que não pode deixar de ser mencionado, para dar o tom correto da devida atenção ao que o Bersekergar é.
Em meio aos picos extremamente frios e nevados da Ásia, é comum que alguém somente possa manter-se em locais onde há monges Bonpö, como noviço ou monge, se conseguir suportar o frio, que é de vários graus a baixo de zero, por uso do Tummoh, que é o “...fogo interno...”, ativado pela respiração e concentração, e que pela própria national geográfic em suas pesquisas na região, ficou claro o efeito do mesmo, quando alguns monges em entrevista, faziam com que a neve ao seu redor derrete-se com o calor emanado de seus corpos, por uso do Tummoh, a aproximadamente 14° negativos.
Isso nos leva a lembrança que o Cáucaso, a região Eslava, e a região Asiática onde existem os Bönpo, são muito próximas e que embora os sistemas sejam diferentes, o avanço dos gutianos pelas Bálcãs, em sua segunda grande migração, deve ter vinculado costumes e hábitos, que se desenvolveram com termos próprios, e métodos próprios de uso, no decorrer do tempo.
Esses povos Asiáticos da região do Tibete, ficaram protegidos pelo relevo, clima extremo e costumes bem protegidos, e desta forma o grande agente adulterador, o monoteísmo – quer seja o mesmo cristão, islâmico ou judaico – não pôde devastar seus hábitos e costumes com a eficácia com a qual agiu na região setentrional e meridional européias.
Contudo, houve a sobrevivência de muito da tradição oral na forma das Sagas, Edda, Arqueologia e etimologia em geral destas regiões, principalmente em meio aos costumes e hábitos folclóricos dos povos e pessoas.
O que nos leva a “...Saga de Aegil Skallagrimmson...”.
Nesta saga em dado momento, Skallagrimm pai de Aegil, estava empenhado em um “...jogo...” – o qual envolvia o uso de bastões - com seus filhos.
As crianças eram muito grandes, fortes e desenvolvidas para sua idade, e Skallagrimm já não era mais tão jovem, então ele perdeu a primeira partida.
Skallagrimm ficou tão perplexo com aquilo, que irritou-se e usou daquilo que a Seidkhona – feiticeira - chamou no texto de “...sua transformação...”, a qual resgatou completamente sua vitalidade e vivacidade, e de forma desenfreada para vencê-los, e causou a morte do irmão de Aegil, tamanha a violência e força usadas por Skallagrimm.
A forma como o texto é narrado e a maneira como o transcurso ocorre, e a imensa quantidade de citações corriqueiras sobre “...Bersekers/Camisa de Urso...”, “...Ulfheadnars/Cabeça de Lobo...” e demais termos para citar aquilo que veio a dar origem aos mitos sobre “...Werewolves/Lobsomens...”, demonstra que era um caso comum o uso do transe para invocar o “...Lá...” presente no sangue e na essência de cada um, e causar o “...Moðr...”, gerando então a fúria devastadora.
O que demonstra que somente por conta das invasões cristãs, morte dos cherusq, morte dos saxões ao redor do Irminsul, traição de Olaf “o Gordo” da Noruega, acordos e perseguições até a extinção de quem possuía a tradição oral, é que foi possível que os costumes e métodos puderam ser quase completamente esquecidos, e estarem tão aquém das metodologias presentes na região asiática, acima citada.
Agora, pelas características presentes no texto, podemos observar que o “...Moðr...”, causa um aquecimento violentíssimo e mesmo no tempo mais rigoroso do inverno, vagas de ar quente se erguem do corpo daquele que está sob o efeito acumulado do “...Lá...”, presente de Loður, que por si é uma extensão direta da condição de Möðspellheim, em meio a Yggdrasil formada, e indica o tipo de fator, força e comportamento inequívoco daquilo com que se vai lidar, quando o assunto em questão forem os Elðjötnar - Bardas Tandjan.
O que nos leva as “...Fylgjur...”.
A Fylgja - Old Norse, literalmente, "...alguém que acompanha...," "...que segue...", "Fylgja" está relacionada ao verbo Inglês "...seguir...", sendo o plural fylgjur plural - é um ser sobrenatural ou criatura que acompanha uma pessoa em relação à sua própria sorte ou fortuna.
Fylgjur aparecem na forma de um animal, normalmente durante o sono, mas as sagas dizem que eles podem aparecer enquanto a pessoa está acordada, e que uma Fylgja ao ser avistada, pode ser um prenúncio da própria morte, que está por ocorrer, e diverge em vários sentidos das Vörðr, que são guardiões pessoais também, porém sendo mais comum serem guardiãs de Clãs.
Na mitologia nórdica, uma Vordr – “...diretor, observador, guardiã..." - é um espírito guardiãoque vem a acompanhar desde o nascimento até a morte da alma - hugr - de cada pessoa.
No Velho sueco, a palavra correspondente é “...varþer...”, Vard em sueco moderno, e a crença em si manteve-se forte no folclore escandinavo, até os últimos séculos.
O Vorðr pode revelar-se como uma pequena luz, ou como a forma - HAMR - da pessoa.
A percepção da guarda de outra pessoa, pode causar uma sensação física, como uma mão de coceira ou nariz, como um pressentimento ou uma aparição.
Bem compreendida a diferença, podemos então realçar o fato de que o transe Berseker funde a “...Hame/Hugr...” de alguém com sua Fylgja, gerando a “...Hamygja...”, de tal forma que a pessoa em questão fica completamente preenchida pelo presente de Loður, o “...Lá...”, e o fogo o permeia por completo.
E aqui encontramos o motivo pelo qual Gullveig, após ser carbonizada pelo fogo dos Aesires, retornou intocada e radiante sendo então chamada de “...Heiðr...” – justamente Radiante ou Honorável.
Esta Wanjus/Vanir Feiticeira - Seiðkhona - é intocável por qualquer chama, o que significa que dominava o controle do Moðr e do presente de Loður, o “...Lá...”, e portanto nada poderia fazê-la arder mais do que ela própria, sendo que a mesma também pode ter simplesmente assumido a natureza “...Waurms/Niflungr...”, e contido o fogo com o Frio de Nifhell, através do transe Seiðr, que usa o vôo através de “...Fylgjur...”, para percorrer os mundos, ou mesmo desencadear eventos, e o uso de Fylgja necessariamente leva ao caminho de Möðspellheim, diretamente ou por derivação.
Contudo, a luz da observação equilibrada, isso não deveria causar surpresa, pois os Wanjus/Vanires, são descendentes de Alfs e de Jötnar, e estes últimos são o produto direto do equilíbrio de fogo e gelo, sendo que os primeiros brotaram do corpo de Fornjötr, Ymir o pai de todos os Pursar.
É pela presença direta de Möðspell no sangue Jötnar, que pode ocorrer o aparecimento de algo como Loke, Eldjötnar, filho de um Pursar – de acordo com muitos sistemas como o fornseid, odinismo ou asatru.
Embora que, pela presença do conhecimento velado em meio ao que a massa popular é apresentado, mesmo “...Loke e Lögi...” ou mesmo “...Utigard Loke...”, são frutos de anagramas para chegar ao conhecimento pleno, e portanto podemos tranquilamente citar que há mais segredos dentro do “...Lá...” de “...Loður...”, e que estes segredos não significarão que são o mesmo ser, mas significarão que gargalhadas são ouvidas até o presente momento, em meio a discursos afirmados como exatos, por mentes pouco diferentes dos fanáticos monoteístas que infestam a sociedade, como parasitas modernos.
A manifestação animal protetora, chamada no xamanismo de animal de poder – entre outros termos – é a forma subconsciente mais próxima da Fúria Devastadora em termos de contato com símbolos apreensíveis, mesmo que a nível subconsciente, que podem de alguma forma refletir a essência de “...Möðspellheim...”, e é citada como sendo uma força protetora ou guardiã, que segue uma pessoa de seu nascimento até a morte, levando-a inclusive a seu local de descanso no pós morte, como está descrito na tradição setentrional.
Estes ícones primais, de força incontrolável, são os mais próximos para chegar a um possível entendimento, mesmo que exterior, do que Möðspell pode ser, e isto implica no fator simples, que define que somente a experimentação propriamente dita, pode dar o princípio do entendimento real, que faça efeito e sentido para qualquer um, no que tange a este assunto em si.

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