segunda-feira, 7 de março de 2011

Jötnar - tesouros ocultos em meio aos mistérios dos Jotuns

Jötnar
(por Áistan Falkar)


Na tradição setentrional, é citado que antes do tempo existir haviam 3 forças infinitas e ilimitadas, que somente poderiam encontrar limites para si mesmas, se por acaso se encontrassem, como de fato veio a ocorrer.

Uma destas forças era o mundo de Nifhelheim, o mundo da escuridão, neblina, morte, frio e constrição ilimitados, cujo centro era o “...Hvelgermer...” subentendido como “...Hvelgaldhr...”, que pela proximidade com sua força antagônica e igualmente infinita de fogo, força e expansão incomensuráveis, Muspellheim, acabou por gerar 11 rios envenenados, cuja essência de poder resultava diretamente dos habitantes de Nifhel, Waurms ou seja Serpentes/Dragões, também chamados de Niflungrs, opositores diretos dos Múspellsmegir ou Eldjötnar de Muspellheim.

O terceiro poder é o Vácuo do abismo absoluto, Zero em si mesmo, que separava a expansão da constrição absolutas, Gnnugagap, que foi preenchido pela força de gelo envenenado com fogo devastador, resultando então em Fornjötr ou Aurgermer, o primeiro gigante.

Do decorrer dos entrelaçamentos, conforme é relatado na tradição setentrional, vieram a nascer uma raça de “...Jötnars-Bardas...”, de Aurgermer, sendo que dentre estes diretamente de Þrúðgelmir, o qual foi pai de Belgermir que por sua vez gerou com sua esposa entre outros Jötnars o sábio Bolthorn .

Entrementes da raça dos gigantes nasceu uma “...Bardas...”, de destaque e beleza, que se chamava Narfi, a qual veio a desposar o sábio Mímir, tendo com ele duas filhas: Urd (destino) e Nótt (noite).

A primeira filha, Urd, veio a compor uma categoria de gigantas videntes chamadas de Nawarns.

As Nawarns eram foram subentendidas em muitas regiões ligadas a tradição setentrional, como sendo em número de três, e em outras regiões eram consideradas apenas o futuro e o passado sendo o presente uma relação direta de ambos os acontecimentos.

A segunda filha de Narfi e Mímir, a qual era tão sombria quanto “...Nifhel...” recebeu o nome de Nótt – e de seu nome vem justamente o termo “...Noite...” - teve dois amantes, Delling, um elfo que trazia o amanhecer todos os dias e Anar, outro elfo que a receberia todos os dias no crepúsculo.

Com Delling Nött teve um belo filho chamado Daeg (dia) e este trazia o dia todas as manhãs sob o sol. E com Anar ela teve uma filha chamada Jörd (Terra), para outros era Nerthus a qual recebe também o nome de “...Ertha...” entre os Godos, e um filho chamado Njordr (mar).

À Nótt e Daeg, Odin concedeu a tarefa de contar o tempo.

Njordr, o qual regia o mar, os ventos, a provisão de alimentos e fartura a todos, veio a desposar “...Ertha...”, e desta forma deram início a uma raça muito antiga de deuses, conhecidos como “...Wanes-Vanir...”, que amavam e habitavam a natureza selvagem.

A vida brotou naturalmente da carne de Ymir, uma vez que a própria terra nasceu do solo, transformando seu espírito em vida, sendo a mãe de todas as coisas vivas, e, por este motivo, “...Jörd-Eartha...”.

Nótt, que é a noite escura, guia um carro que traz as trevas para o firmamento todas as noites. Seu cavalo saliva de tal forma que pela manhã aparece o orvalho por todo o solo de Midgard.

Estes dados nos levam em direção a conjecturas muito interessantes, que devem fazer parte das pesquisas de qualquer praticante de tradicionalismo setentrional, pois há dados que estão salvaguardados em locais diversos, que podem vir a acrescer em muito o conhecimento e os meios de prática, das pessoas que realmente estiverem interessadas em desvendar os dados que lhes são apresentados.

Passemos então ao estudo da figura do sábio Mimir, e do transcorrer a sua volta.

Anteriormente as descrições apresentadas a respeito da Eomersyl ou Yggdrasil, haviam citações a respeito de outra nomenclatura para a árvore da vida setentrional.

Estas citações abordavam o termo “...A Árvore de Mimir...” ou “...Mimameidr...”, citando-a como a “...Árvore do Mundo...”, termo que define a Yggdrasil, por exemplo.

Segundo oFjölsvinnsmál, passagens 19-20 e 23-24, os ramos desta árvore se espalham por todos os reinos e mundos, e humano algum sabe onde suas raízes crescem. Nem o aço e nem o fogo podem desgastar-lhe os ramos, e em sua coroa repousa o dourado Widofinir.

Mimameid para determinadas mulheres é particularmente importante, pois é citado no texto “...Altnordische...”, onde estas mulheres são chamadas de “kelisjúkar”, em uma da formas de tradução, as mulheres do “kränkliche” são subentendidas, de outra maneira, em relação aos frutos de Mimameidr, pois as mulheres grávidas e as crianças doentes, ao comerem dos seus frutos, terão suas doenças curadas, e gerarão filhos fortes e sadios.

Foram os frutos de Mimameidr aqueles a serem usados para o tratamento do incidente do “...Gebärmutter...” atos Reichborn Kjennerud.

O termo “...mjqtudr...” ligado a palavra “...Fate...” - “...Destino...” - e bem como a concordância com os termos “... a medida que...”, “...se ajusta...”, pode não dar a correta tradução para o termo “...Mimameidr...” em função de suas conexões com a “...Árvore do Mundo...”, neste sentido, porém, por seus diretos vínculos com o Sábio Mimir, senhor do Poço da Sabedoria, o “...Hvelmimir...”, de Jotunheim onde uma das raízes da “...Árvore do Mundo...”, vem a se enterrar, o coloca diretamente conectado com “...a árvore de medição...”, um termo alternativo que conecta-se com o “...mjqtudr...”, acima descrito, e que em Old Norse tem por escrita “...mjqtvidr...” , o qual é citado na “...Völuspá 2...”, diretamente como Kenning para Yggdrasil.

Contudo há outros detalhes ainda por serem a abordados, a cerca da ascendência de Mimir.

Se observarmos os Jotnar, encontraremos dados muito interessantes, que podem inclusive esclarecer a maioria das dúvidas ligadas os procedimentos dentro do tradicionalismo setentrional, e indo muito além, podem esclarecer várias facetas tanto da influência gerada pelas migrações que geraram este tradicionalismo, como também como e onde encontrar os Jotnars e o que eles são e representam, sem as mesmices tão conhecidas.
Primeiramente observemos que em nórdico antigo os Jotnar - cujo singular é Jotun e o termo vinculado em gótico sendo Bardas - eram chamados também de risi (singular e plural), e em particular um “...Bergrisi...”, ou þursar (singular, þurs), em particular, “...Hrímþursar...”.
As gigantes podem também ser conhecidas como “...gýgr...”.
Jotun provavelmente se deriva da mesma raiz que "...comer..." - eat em inglês - mantendo o mesmo significado original de "...glutão..." ou "...homem-devorador...".

Seguindo a mesma lógica, “...þurs...” pode se derivar do atual "...sede..." - thirst em inglês - ou "...bebedor de sangue..." - blood-thirst em inglês.

Risi é provavelmente uma palavra aparentada à "...ascensão..." - rise em inglês - o que pode significar "...pessoa elevada...".

Já a palavra Jotun apareceu pela primeira vez em inglês arcaico como “...Yotun...”, e eventualmente semearam as variantes como “...Geottin, Eottan, e Eontann...” - e estes termos são especialmente interessantes para este estudo - de onde pode ser obtido o “...Yettin, Ettin e ent...”, respectivamente – e há também a proximidade com o termo Yeti, usado no Tibet e Nepal.

Um dos aesires mais cultuados e conhecidos, tanto no passado quanto na atualidade, tem como sua Runa “...Thurs ou Thurissaz...”, que é a Runa dos Jotuns, sendo que um dos termos para esta Runa também é “...Thorn...”, sendo este o senhor do Trovão e do Relâmpago, e inclusive citado como descendente de Jord com Wotan, inclusive citado como um protetor da Terra, e tendo sua imensa morada como local de repouso para as pessoas comuns, que tanto o adoravam.

Sua sede e sua fome eram colossais, e foram mais de uma vez citados em várias passagens da tradição setentrional, sendo como exemplos a famosa jornada de Thor a Utgard, quando ele é citado bebendo um braço do Oceano, ou mesmo quando o Mjoulnir foi roubado por Thrim, e “...Donnar/Thor...” se disfarçou de Frijo Pryja – Freija – até Loke recuperar o Martelo Destruidor, e assustou aos Throlls, comendo imensa quantidade de carne e bebendo incontáveis barris de cerveja.

Para todos os efeitos Thunar é tal e qual um Jotun, por este ponto de vista, e a Runa que o define claramente expressa isto.

Citados como “...þurs...” – Thurs – em tanto quanto bebedores de sangue, as características ligadas a oferendas de sangue que são muitas, dentro da tradição setentrional, começam então a fazer um imenso sentido, e podem nos levar a descobertas, muitas vezes desconcertantes ou desconfortáveis, para muitos.

Há várias citações interessantes sobre os sacrifícios praticados pelas sacerdotisas ligadas aos cultos “...vanires...” e ao culto aos “...elfos...”, ou seja a pratica do “...Seidhr...”, e há também as oferendas e sacrifícios que Ibn Fadlan, em seu manuscrito “..Kitāb ilā Malik al-Saqāliba...”, chegou a citar – claramente temos que levar em consideração o horror de um islâmico em meio as práticas do que o islã mais odeio, o politeísmo, que é motivo de morte por tortura pelo corão, porém muitas descrições usadas no texto podem ser usadas para direcionar nossos estudos, sobre este tema.

No “...Heimskringla...”, encontramos a descrição que cita o rei sueco Aun sacrificando nove de seus filhos, em um esforço para prolongar sua vida, até que seu trabalho o impediu de matar seu último filho, Egil.

De acordo com Adam de Bremem, os reis suecos sacrificavam escravos do sexo masculino a cada nono ano durante os sacrifícios de Yule no Templo em Upsalla, que era voltado principalmente ao culto aos Wanius/Vanires, embora ali também Wotan e Donnar fossem cultuados juntamente a Freir.

Os suecos tinham o direito de eleger e depôr os próprios reis, e tanto o rei Domalde e o rei Olof Trätälja são conhecidos por terem sido sacrificados após anos de inanição.

Wotan, por sua vez, foi associado com a morte por enforcamento, e uma prática possível do sacrifício de Odin por estrangulamento tem alguma sustentação arqueológica na existência de corpos preservados perfeitamente pelo ácido das turfas em Jutland. Um exemplo é Homem de Tollund.
Essa pratica claramente não é de explícito vínculo apenas setentrional, em meio aos povos ibéricos podemos encontrar uma inscrição, que contém o termo NEITIN – ligado ao deus Neit, pai dos fomorianos, que eram antigos deuses precedentes aos Sdhee – e ali também consta um desenho de uma mão.

Isto tem especial interesse se nos lembrarmos que os Lusitanos cortavam a mão direita aos inimigos e ofereciam-na em sacrifício aos Deuses – acima de tudo da Guerra – o que os conecta diretamente com o deus Tyr, cuja mão direita foi devorada por Fenrir, e aos tipos específicos de sacrifícios que eram feitos em honra a Tyr.

Disto decorre tanto o uso contínuo do sangue, como forma de invocar e trazer a potência de uma força específica, quanto lida com certas citações de terrores, que invocados posteriormente e invadidos por tolices trazidas pelos invasores cristãos, acabaram por desembocar no mesmo em que veio a se tornar o “...vricolaka...”, eslavo, que simplesmente lida com a metodologia shamanica para transfiguração em animais, e que também foi o tema do qual veio a ser gerada a mitologia sobre os Vampiros, uma vez que em meio ao solo eslavo também estavam ligados as strix, aparentadas com as stregue italianas em vários sentidos, e com a prática dos Bascos, que entre outras coisas enterravam seus mortos em uma cova, sobre a qual o altar da família era erguido, sendo o mesmo dentro de suas residências, em que o culto é aparentado em tudo com as técnicas do Seidhr e com o sistema Eslavo.

Os þurs, de onde vem o termo “...blood-thirst...”, são bebedores de sangue e também são chamados de “...Geottin, Eottan, e Eontann...” e bem como “...Yettin, Ettin e ent...”, isso os coloca diretamente em contato com o termo acima citado “...Neitin...”, ligado aos povos ibéricos, e nos trás mas um detalhe, o qual será desagradável a muitos.

Como sabemos Odin, Óðinn, Wodanaz, Wotan, Othinus, é visto em auto sacrifício na Yggdrasil, Mimameidr, e este ato em si é visto em várias culturas ancestrais, como podemos por exemplo citar sobre o juramento ao sol de “...Wakantanka...”, onde aquele que quer ser visto como pleno de direitos em meio a cultura dos Sioux, deveria ser erguido do solo ao nascer do sol, e resistir até o por do sol, dependurado por ganchos presos em sua pele, cerimônia esta mais caracterizada para os Shamans do que para outros membros da tribo.

Tendo seu nome no termo germanico “...Wotan...” e no primitivo germânico sob a forma de “...Wodanaz...”, no gótico, Vôdans, no dialeto das ilhas Feroé - nas costas da Noruega - Ouvin, no antigo saxão “...Wuodan...”, no alto alemão “...Wuotan...”, enquanto que entre os lombardos e na região da Vestefália aparece “...Guodan ou Gudan...”, e na Frísia, “...Wêda...”.

Nos dialetos dos alamanos e borgundos temos a expressão “...Vut...”, usada até hoje no sentido de ídolo. E sendo essas denominações ligadas pela raiz, no nórdico arcaico, às palavras “...vada e od...”, e bem como no antigo alto alemão, a “...Watan e Wuot...”.

Devemos notar que no Old Norse, havíam duas palavras diferentes que configuravam o termo “...Odr...”, que dá origem as terminologias para “...Óðinn...”, sendo que o adjetivo significa "...louco, desvairado, furioso, violento...", e é aparentado com o termo “...wōd...”, do Old English – Antigo Saxão.

Já o substantivo significa "...mente, espírito, alma, sentimento...", e muitas vezes "...música, poesia...", e é cognato com termo Old English “...woth...”.

Em termos compostos, “...OD...” significa simplesmente "...ferozmente energético...", como por exemplo no termo “...OD Málugr...", que significa “...falar de forma violenta ou animado...".

Dois cognatos germânico-extra são os proto-celta * wātus "poesia mântica" (continuação em irlandês fé "poeta" e Galês gwawd - “...elogio da poesoa...” e o termo Latino “...Vate...”, que implica em profeta ou vidente, possivelmente emprestado do proto-celta “...watis...”, ou proto-galês “...ovateic.

Contudo segundo o Hávamál, verso 140, Nove Disposições aprendeu Wotan de Mimir, que lhe verteu uma dose de Hidromel mesclada a Odrerir Mágico.

Este Odrerir parte da mesma raiz acima citada, ligada ao termo substantivo “...Od...”, lidando portanto com a “...alma de alguma coisa...”, presente no hidromel sagrado que Bolthorn deu a Vodan.

Associando todos os elementos acima citados, a própria natureza tanto da tradição setentrional quanto da natureza do funcionamento de cerimônias shamânicas, e a auto-imolação na Mimameidr claramente foi uma delas, poderemos então trazer outros termos, contudo ligados aos Jotnar, e abordados acima, para dentro da estrutura da etimologia e formação shamanicas, ligadas e necessárias aos eventos neste trecho citados.

Se associarmos as variantes posteriores do termo Jotun - ou Yotun - “...Geottin, Eottan, e Eontann...” e bem como “...Yettin, Ettin e ent...”, com as raízes aproximadas de Gudam, Wotan, Othinus, Óðinn, lembrando sempre que a citação básica dos estudos sobre os Jotnar e as nomenclaturas e estruturas inclusive cosmológicas da construção de “...Yggdrasil-Mimameidr...”, onde os Jotnars foram a primeira raça gerada por “...fogo, vácuo e gelo...”, e tendo as estruturas de aparentamento, as famílias conectadas entre si dos aesires/ansjus com os Jotnars, e que a iniciação shamanica de Óðinn se deu a partir de seu reconhecimento e instrução indireta do “...Ettin...” chamado Bolthorn, justamente através de Mimir, veremos a clara estrutura de reconhecimento de descendência de um chefe ou líder de clã para outro, como pode ser visto em muitos sistemas tribais ao redor do mundo.

Isto nos leva a uma outra canção, cantada por outro feiticeiro, mestre de encantos que em seu galdhr ou kenningar, trouxe uma criação e destruição de mundos ligada a sua própria arte, com limites próprios e fatores únicos, mas que difere em algum momento, da canção e do galdhr ou kenningar, que outro skald entoou anteriormente em meio aos Jotnars.

A canção anterior retratava uma Árvore do Mundo indestrutível ao Fogo ou ao Aço, enquanto que a canção posterior retratou uma árvore que pereceu pelo fogo e pelos açoites do aço de gigantes de fogo e gelo, e com suas raízes devoradas por um imenso Waurm de nome Niddhog.

Na canção anterior um sábio veio da descendência de Fornjötr, o primeiro gigante, e regeu aos mundos, tendo estes mundos estruturados na Árvore da Vida, que abrigou em seus ramos a “...Lif e Lifthauser...”, os dois humanos que se abrigaram do fogo de Musphelheim, e puderem gerar uma raça humana divina em seguida, pois Mimameidr é indestrutível ao fogo, e o seu orvalho os alimentou, essa seiva da Árvore do Mundo, tem propriedades magníficas similares ao fruto da própria Mimameidr que dá vida e saúde a quem quer que coma dos mesmos, dando fertilidade as mulheres que consumirem de seus frutos.

Na canção posterior nada sobra dos nove mundos, com exceção dos mundos que já haviam antes da Yggdrasil ser gerada, e de locais que são inacessíveis ao fogo, como é o caso da morada de Gimli, somente citada no Voluspa, que nem sempre tem todas as suas partes aceitas, por poder se tratar de intrusão cristão na tradição setentrional.

Estes dados nos levam a dois detalhes interessantes, que foram acima citados:

- O primeiro deles, a citação do rei Sueco que ao sacrificar seus 9 filhos, com a falha do último deles, pretendia assim aumentar seu tempo de vida;
- O segundo deles, leva em consideração o uso do sangue, antes e depois da chegada do culto aesir;


Se observarmos a mística do número 9 em meio a tradição setentrional, veremos ali tanto as 9 virtudes, quanto os tradicionais 9 mundos, o que significa que o rei sueco pretendia sacrificar um de seus filhos para garantir a graça da vida ampliada, vertendo seu sangue para cada um dos 9 mundos.

E por outro lado, a presença do culto “...þurs...”, referente aos “...blood-thirst...” – bebedores de sangue – vinculada aos Ettin, nos dá claras referências aos procedimentos do culto setentrional, mesmo que em Uppsala, nos tempos do auge do culto a Freir, Wotan e Thor – cuja Runa justamente é Thorn ou Thurissaz.

As várias citações das batalhas instigadas por Wotan e outros deuses, assim como as Idisires – Walcurjas/Valquírias – e Frjio Prija – Freija – mostram este mesmo “...blood-thirst...”, sede de sangue presente em todos os “...þurs...”, e claramente a presença dos “...þurs...”, é fortíssima em meio aos Vanires.

Isso nos leva então a duas conclusões muito interessantes.

Em primeiro lugar, houveram no passado, e em verdade existem até o presente momento, duas situações dentro da tradição setentrional, em que a mais externa é mantida a vista de todos, e é aquela que é em todos os sentidos afirmada. E há uma outra que se mantém velada, presa na teia formada pelos decorrer da trama das eras, e que pode ser observada e acessada de tal forma que suas respostas, embora muitas vezes temerosas são extremamente esclarecedoras.

Em segundo lugar, há fatores claramente presentes no imaginário atual da sociedade vazia moderna, que fazem ecos diretos referentes a estas mansões de venerável idade, das coisas que a humanidade esconde de si mesma.

O derramamento de sangue claramente presente, e as batalhas decorrentes nas sagas e na tradição setentrional como um todo, nos levam tanto a manutenção de um sistema que lida com honra, quanto ao entendimento claro de que o sangue verterá, em qualquer parte do mundo, abertamente em favor dos que a eles a muito já era derramado, ou veladamente em meio a mortalha de crises mundiais e tolices sociais, sendo que o planeta em seu atual estado moribundo já está clamando por mudança, e este planeta, a Terra, é uma “...þurs...”, o que indica claramente o que sucederá no mundo, e o que claramente já esta ocorrendo neste mundo.

Indo ao cerne da questão, tendo já abordado os elementos mais externos acima referidos, inclusive as responsabilidade que estão sendo cobradas e que virão a ser cobradas, dos atos impensados dos seres humanos neste mundo, voltemos nossa atenção, para dar o desfecho deste pequeno estudo a relação “...Vanes-Ases-Jötnar...”.

Esta relação é claramente ligada em todos os sentidos aos vínculos com sangue, família, herança sanguínea ou absorção na tribo – como é o caso claro de Skad e Gerd – e lida com o sangue como fonte direta dos meios para desencadear os eventos, atrair e causar situações, ou mesmo entrar em contato direto com algo ou alguma coisa, pois a concepção do “...blood-thirst...”, está em tudo presente aqui.

“...Þurs...” e “...Eottin...”, definem em si a raiz de muitos temores ainda em voga nos dias modernos, assim como a concepção do Berseker ou Ulfheadnar, principalmente a luz dos conceitos ligados aos “...Vrikolakas...” eslavos e as “...Strix...”, aparentadas em tudo com o culto Basco e com as “...Seidkhonas...”, e guardam em si conceitos ligados a forma de culto Aesir, e aos mistérios que estão contidos nos tortuosos caminhos ocultos na tradição setentrional.

A “...sede de sangue...”, inclusive presente nos arroubos de ira dos bersekers, contém também os elementos expressivos do método e da forma por onde este método flui, tanto no sentido do decorrer de uma cerimônia ou rito, quanto dos atos de sacralização, invocação e bem como do uso protetor – caso do Bersekergar – de tudo o que se passa dentro do tradicionalismo setentrional, e pelas características célticas antigas, ibéricas, romanas, etruscas em seu início, eslavas e bem como gutianas – fonte da migração que deu origem posteriormente a tradição setentrional – e principalmente definem as características e forma de ser do culto original Jotnar, da tradição setentrional, o qual se encontra preservado e ocultado em meio a Edda, Sagas e demais fatores da tradição nórdica e germânica.

Isso pode ser devidamente observado, quando notamos que a essência da vida presente no sangue, faz alusão direta ao “...veneno mesclado a sangue...”, que deu origem ao primeiro gigante “...Ymir ou Fornjötr...”, e que o Ouro da Terra, os metais preciosos tão valorizados e procurados pelos Swartalfs, nada mais são do que referência a mesma coisa, contudo presente nas veias da humanidade e demais seres vivos neste planeta.

Desta forma, ambiciona-se ofertar este “...veneno gelado mesclado ao fogo...”, aos Wanus, Ansjus e Bardas – Vanires, Aesires e Jötnar – pois o mesmo é a mais valorizada potência e oferenda presente neste ou em qualquer outro local, e a sede pelo mesmo está presente em todos os Jötnar, Vanires e Aesires, e ao se abrirem os tesouros guardados pelos mesmos, aterrador será observar que a Mimameidr aguardará, intocada pelas chamas de Muspellheim ou pelo aço da batalha, no pós Ragnarok, que somente virá a existir como o véu de segredos que permitem a sanidade ao vulgo.

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